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Artigos

24/04/2009

Milho e Soja: Incertezas no Verão, Oportunidades na Safrinha

A safra verão 2008/2009 já está, praticamente, definida em termos de área plantada. E, neste aspecto, pouca coisa deve mudar até o final do ano porque os altos custos de produção e o crédito restrito, associados às incertezas da economia mundial, levaram o produtor brasileiro a lançar mão da sua maior virtude: a alta capacidade de superação. Para muitos produtores, esta próxima safra será marcada pela equalização dos custos e ajustes de tecnologia, onde análise de solo e histórico de áreas foram fatores fundamentais para se determinar a cultura a ser plantada e a tecnologia adotada. Mesmo o Governo Federal anunciando a liberação de recursos na ordem de R$ 78 bilhões, 11,4% acima que em 2007, este montante não é suficiente para cobrir o aumento nos custos de produção.

O preocupante é que, neste contexto, muitos produtores optaram pela cultura de menor custo de implantação, deixando de lado a planilha de custos e a análise de retorno econômico. Assim, teremos área de milho reduzida e tecnologia ajustada. Já para soja, a menor demanda por fertilizantes e o baixo custo de implantação, deverá promover aumento de área em todo o país, mesmo que ainda pequeno.

 

Cenário na soja
Conforme previsto por todos os analistas, o cenário da soja em 2008 foi marcado pela alta volatilidade de preços, onde CBOT assinalou recordes históricos de preços acima de US$ 15,00/bushel e até picos de US$ 16,00/bushel. Diante desse cenário, ninguém acreditava que estes preços pudessem retornar para patamares inferiores a US$ 10,00/bushel, o que veio efetivamente a acontecer, provando que grande parte da composição do preço da soja em Chicago estava associada ao movimento especulativo dos fundos de investimentos que, ao liquidarem suas posições, provocaram acentuada queda de preços em curto intervalo de tempo.

Tudo isso, associado à valorização do real frente ao dólar no primeiro semestre e à impressionante alta dos fertilizantes, trouxe para o produtor brasileiro um cenário de dúvidas e de incertezas.

Vale lembrar que a evolução da agricultura brasileira foi conquistada através do incremento de uso de fertilizantes e corretivos e, agora, estamos diante do desafio de manter todo este crescimento sustentável.

O cenário da soja divide bem o Brasil este ano. Isto porque no Sul e Sudeste, com os custos mais baixos e o crédito com mais opções pela forte presença de sólidas cooperativas, os produtores dessas regiões conseguirão gerenciar, de forma um pouco mais confortável, o planejamento da safra. Isso porque a rotação de culturas e a possibilidade de implantação de lavouras de inverno e produção de carnes e leite, proporcionam um sistema integrado de produção, dando mais estabilidade econômica à propriedade.

Já no Centro-Oeste os desafios são muito maiores, pois a soja demanda uma quantidade 50% superior de fertilizantes e o câmbio desfavorável impacta negativamente nas duas pontas: tanto na formação do preço quanto no frete. Assim, a safra 2008/2009 será cultivada de forma a exigir o máximo de gerenciamento do produtor, onde cada talhão e cada propriedade terão planejamentos, propostas e histórias diferentes, mas sem abrir mão da produtividade. E apesar de tudo isso, o nosso agricultor, especialmente aquele que planta no cerrado, consolida a máxima do que é ser verdadeiramente brasileiro: aquele que não desiste nunca. Faremos uma safra na qual a única certeza é que precisaremos ser ainda mais eficientes na produção e torcer para que os aspectos fundamentais de oferta e demanda retomem, urgentemente, a formação dos preços para que possamos sonhar novamente com boas lucratividades. Uma combinação de dólar valorizado e a reação em Chicago podem devolver novos horizontes para o agronegócio brasileiro, uma vez que todos estão na expectativa de que se os preços não foram sustentáveis no topo, também não sejam definitivos nos patamares mais baixos.

 

Cenário no milho versus a safrinha 2009
Ao longo de muitos anos, o mercado de milho no Brasil foi guiado pela famosa “Curva M”, onde a produção baixa de uma safra promovia o incremento de preços, o que motivava o mercado a plantar mais milho na safra seguinte, aumentando a produção e deprimindo inevitavelmente os preços. Assim o ciclo estava estabelecido porque o nosso mercado era absolutamente interno. Mas, de alguns anos para cá, especialmente a partir de 2001, o Brasil passou a compor o quadro de países exportadores de milho, posição que consolidou em 2007, quando ocupou o terceiro lugar, ficando atrás apenas de EUA e Argentina, atingindo o recorde histórico de 10,9 milhões do produto exportado. Estávamos, assim, diante de uma nova realidade e a famosa “Curva M” andava esquecida. Ainda assim, tivemos por aqui grandes incrementos de tecnologia, manejo e evolução genética, e passamos a ter duas grandes safras ao ano que, somadas, proporcionaram ao Brasil um recorde de produção de 58,6 milhões de toneladas em 2008, praticamente empatando com a produção de soja. Vimos, na segunda safra de milho, estados como Goiás superar a produtividade média em 4,6 tons/ha, o Mato Grosso produzir mais de 4,0 ton/ha e o Paraná enfrentar o grande desafio da inversão térmica e de geadas. Tudo isso fez da safrinha 2008 um sucesso absoluto de tecnologia e produtividade, totalizando 18,6 milhões de toneladas segundo dados da Conab.

A segunda safra passou a representar 31% da oferta total de milho do país. Mas, este sucesso foi ofuscado pelo significativo recuo dos preços no segundo semestre, diminuindo a chance do produtor realizar grandes lucros, principalmente para aqueles que não trabalharam conceito de margem e tentaram acertar qual seria o verdadeiro pico de preços.

A combinação de valorização do real frente ao dólar e a queda de preços em Chicago impediram que o Brasil repetisse, em 2008 o sucesso das exportações de 2007, trazendo de volta o ciclo da antiga “Curva M”. Diante de todas estas incertezas que nortearam a safra de verão, a safrinha 2009 nasce com novas perspectivas. Excluindo a limitação de crédito, existe uma combinação que pode favorecer em muito o mercado do milho em 2009, fazendo da próxima safrinha um cenário de grandes oportunidades.

Dentre estes fatores destacamos:
- Redução na área de milho verão na América do Sul, principalmente na Argentina, onde estima-se redução de 15 ou até 20% de área de milho para 2008/2009;
- Estoques mundiais baixos pois, mesmo que os EUA produzam acima de 300 milhões de toneladas, a sua relação estoque/consumo será de 8 a 9%, bem abaixo dos 14,8% dos últimos 10 anos;
- Com a redução das expectativas das vendas de fertilizantes em 2008, o setor deverá promover um recuo considerável de preços na virada do ano para reduzir os seus estoques, principalmente dos nitrogenados que estão favorecidos com a queda do preço internacional do petróleo;
- Apesar da redução no crescimento econômico mundial, o complexo de carnes ainda terá grande demanda, principalmente de frangos e suínos nos países asiáticos, e o Brasil deverá consolidar definitivamente a sua posição de maior exportador mundial de frango e terceiro maior exportador de suínos.

Portanto, 2008 foi um ano de grandes aprendizados e de fortes emoções, quando toda a economia mundial foi colocada em questionamento. Aprendemos que especular é sempre um risco iminente e que a adoção racional de tecnologia, associada ao planejamento de longo prazo, é que faz uma agricultura sustentável. Aprendemos também que produtividade ainda é a melhor solução contra a volatilidade.

E vale ressaltar que a nossa genuína capacidade de produzir alimentos, associada à nossa riqueza natural, faz do Brasil um país capaz de superar as maiores adversidades e consolidar oportunidades.​

Autor:
Francisco Sampaio
Gerente de Negócios e Treinamento da Pioneer Sementes
Fonte: