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Artigos

20/05/2009

Planejamento da safrinha, minimiza riscos, traz segurança e estabilidade ao longo dos anos

O ambiente na safrinha não é o mesmo em todos os anos e regiões

A diferença entre a condição climática ocorrida na safrinha de 2007 com a de 2008 é prova inquestionável da necessidade de planejamento e utilização de estratégias que minimizem os seus efeitos.

No oeste do Paraná os atrasos de plantio da soja, acompanhados por dois períodos de estiagem e duas geadas, sendo uma delas de alta intensidade em meados de junho, puxou a produtividade média para algo ao redor de 3.600 kg/ha.

O Mato Grosso, por sua vez, colheu a maior safrinha que se tem notícia, apesar do atraso inicial no plantio. Com condições climáticas adequadas, totalmente diferente do ocorrido na safrinha anterior, a produtividade média deverá chegar a 5.100 kg/ha.

No sudoeste Goiano, as chuvas ocorreram mais tarde, os plantios também iniciaram com atraso, mas o volume e a distribuição da chuva foram bons, gerando produtividades maiores que a média histórica da região.

O surgimento de doenças em fases iniciais, o que não é histórico, obrigou os produtores a utilizar fungicidas, sendo que em alguns casos mais de uma vez, diferente do ocorrido no ano anterior, quando a pressão de doenças foi bem menor em função de um clima mais seco.

A histórica imprevisibilidade climática que ocorre nos períodos de desenvolvimento da safrinha, que pode ser agravada pelas condições climáticas ocorridas durante o desenvolvimento e colheita da soja semeada antes do cultivo do milho, aponta para a necessidade de planejamento por parte dos produtores que decidem aumentar sua renda líquida por hectare/ano com este sistema de produção.

Devido à complexidade destas interações, é fácil entender o comportamento mais simplista de alguns produtores e técnicos que procuram fora da porteira - especialmente nas empresas de genética de milho e soja - a solução perfeita para este quebra-cabeça, uma vez que lhes parece recair sobre a escolha de variedades de soja e de híbridos de milho, cada vez mais precoces, a saída para os desafios que lhes impõem o calendário.

Este comportamento pode ser encarado como uma tentativa de administrar o que não é administrável – o clima – deixando para segundo plano o grupo de ações sobre o qual os produtores têm capacidade de agir e modificar através de um planejamento mais cuidadoso.

 

Aspectos sob domínio dos produtores e técnicos por ocasião do planejamento
Três são os aspectos sob influência direta do produtor e dos técnicos ou profissionais da área de assistência que, se bem planejados e executados, irão constituir uma estratégia de sucesso:

Seleção das variedades de soja
Consulte o artigo "Planejamento Técnico de Soja Precoce & Milho Safrinha".

Seleção dos híbridos de milho
Similar ao que acontece na soja, o ciclo não deveria ser a característica dominante na definição de quais híbridos e qual será a área ocupada por eles na lavoura após a colheita da soja. Quem quer estabilidade produtiva na safrinha, precisa de defensividade e, para isto, precisa entender que a volatilidade da produtividade está associada à irregularidade climática, à imprevisibilidade da ocorrência e da intensidade de doenças. Mais do que isto, entender que estes fatores interagem entre si, fazendo com que a opção que considera apenas como característica principal a superprecocidade do híbrido pode ser de alto risco, principalmente quando o mesmo não possui, por exemplo, defensividade ou resposta a uma condição climática melhor.

O gráfico apresenta as médias de produtividade das seis últimas safrinhas no oeste do Paraná e analisa, de forma mais detalhada, o desempenho produtivo de materiais registrados como superprecoces para este ambiente (Pioneer e concorrentes). 

 

Comparando com os resultados do Sistema de Combinação de Híbridos, onde preconizamos a estabilidade produtiva em primeiro lugar com base no perfil de defensividade, potencial produtivo e precocidade de cada híbrido, podemos verificar que em seis anos de avaliação, apenas em 2004, ano em que ocorreu uma situação de estiagem extrema na fase inicial da lavoura, os híbridos superprecoces tiveram um desempenho semelhante ao SCH proposto.

Neste mesmo ano, durante o período de florescimento e enchimento de grãos, ocorreram condições de alta umidade somadas a baixas temperaturas, o que contribuiu significativamente para o incremento na percentagem de grãos ardidos, em especial nos superprecoces, e isso não tem como prever. E, neste caso, a solução não está no ciclo, mas na seleção de um híbrido com maior tolerância aos fungos que apodrecem os grãos.

Exceção feita, o SCH foi superior em produtividade em percentagens que variaram de 5 a 12%, mesmo na safrinha de 2008, quando, com a ocorrência de geada, teoricamente o ciclo superprecoce levaria algum benefício.

De forma geral, entre as regiões de safrinha do Brasil, a data de 20 de fevereiro define um divisor de níveis de produtividade e, consequentemente, de investimento e é senso comum que os plantios até esta data, chamados de normal ou do cedo, tendem a ser mais responsivos em tecnologia em virtude da menor ocorrência histórica de doenças nesta época de semeadura.

Tecnicamente este fato pode ser explicado pela redução do acúmulo térmico e do número de horas-luz, que ocorre à medida que o plantio se afasta do dia mais longo do ano - 21 de dezembro - fazendo com que a maior área foliar da planta, fase do pendoamento, ocorra em condições de pouca luminosidade. Esta situação é predisponente de doenças foliares e exige em demasia do colmo das plantas, origem das reservas produzidas pela fotossíntese nas folhas (fonte), que irão encher os grãos da espiga (dreno).

Isto tem condicionado os produtores a realizar maiores investimentos e esperar melhores retornos nos plantios neste período, e tem sido o balizador utilizado pela Pioneer para realizar o posicionamento de híbridos para as diversas regiões. É justamente na tentativa de puxar o maior volume de plantio possível para esta data que preconizamos as ações na soja que antecede o milho.

Considerando estas duas épocas de plantio, o normal do cedo e o normal do tarde, teremos diferentes proporções entre as características de potencial produtivo, precocidade e defensividade, variando de acordo com a região e com a época de plantio.

Desta forma, o maior volume de determinado híbrido é definido pelo seu perfil agronômico frente às características que ele pode encontrar naquele ambiente e na referida época de plantio. Pequenos ajustes nos volumes dos híbridos podem ser realizados em função de condições microrregionais, através de consulta ao Departamento de Produto e Tecnologia ou ao Representante de Vendas da Pioneer.

Ampliação ou adequação da capacidade operacional de plantio
Nem sempre o planejamento da data para início de semeadura e/ou colheita se confirma e, na grande maioria das vezes, as condições climáticas é que geram os atrasos e é neste ponto que os produtores têm condições de agir.

Se, em função de chuvas, o plantio começar atrasado, o produtor deverá lançar mão de todos os recursos possíveis para que a data não seja ultrapassada.

Plantar mais rápido - acima de 6 km por hora - não é a saída mais inteligente, nem a mais econômica. O uso de plantadeiras extras - alugadas ou não -, turnos de 24 horas de trabalho ou ambos, podem parecer custos elevados em um primeiro momento, mas quanto menos o plantio avançar na data não preferencial, menor será a participação destas áreas na redução de produtividade nos dois cultivos, tanto soja verão quanto milho safrinha.

A realização planejada de adubações de sistema feita na soja ou imediatamente antes dela, quando a aplicação de fontes de fósforo e potássio para os dois cultivos é realizada, também amplia a eficiência por ocasião do plantio do milho, diminuindo as paradas para abastecimento das plantadeiras. Evidentemente, o uso deste sistema requer orientação adequada, uma vez que nem todas as áreas se prestam para tal.

No caso da colheita da soja e plantio do milho safrinha tanto a utilização de plantadeiras extras quanto a utilização de colheitadeiras e/ou caminhões alugados, auxiliam no ganho de eficiência da retirada de uma cultura e implantação da outra.

Logística para plantar e colher talvez seja a grande fonte de melhoria de resultados em curto prazo.

De qualquer forma, é interessante frisar, mais uma vez, que não se pode simplificar a agricultura ao ponto de imaginar que apenas um fator seja responsável pelo sucesso ou insucesso de um ano agrícola ou uma safra, mas sim um conjunto de fatores que apresentam maior ou menor importância na razão direta da nossa capacidade de tomar decisões e interferir sobre eles de forma planejada.​

Autor:
Itavor Nummer Filho
Gerente de Produtos e Tecnologia Região Sul
da Pioneer Sementes
Fonte: