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Notícias

20/03/2014

Setor produtivo defende hidrovias para viabilizar portos no Norte

Para debatedores, medida é importante para facilitar exportação de grãos produzidos no Centro-Oeste. Atualmente, escoamento é feito quase exclusivamente por meio de portos no Sudoeste.
 
Representantes do setor produtivo sustentaram, em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (19), que a utilização de hidrovias é fundamental para permitir a exportação por meio dos portos localizados no Norte do País. O debate foi realizado pela comissão especial criada para analisar o projeto que exige a inclusão de dispositivos de transposição de níveis (eclusas) em todas as construções de barragens para geração de energia elétrica (PL 5335/09). O objetivo da medida é exatamente viabilizar a navegação.
 
De acordo com o coordenador-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, somente a região Centro-Oeste, de onde sai grande parte da produção agropecuária voltada para exportação, conta com uma rede fluvial de 44 mil quilômetros. “Naturalmente navegáveis são 29 mil, e nós só utilizamos 13 mil”, acrescentou.
 
Para exemplificar a economia que a utilização de hidrovias no Norte poderia representar apenas para o setor agrícola do Centro-Oeste, o especialista ressaltou que o custo para levar uma tonelada de grãos de Sorriso (MT) a Santos (SP) é de R$ 291,58 por tonelada. Se o transporte fosse feito por meio de rios e rodovias de Sorriso para Santarém (PA), o preço cairia para R$ 92, segundo Ferreira. “Seriam mais R$ 4 bilhões por ano na economia”, calcula.
 
Cadeados
 
Também para o vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), José Ramos Torres de Melo, a construção de eclusas para permitir a navegação pelo Brasil é fundamental. Hoje, conforme disse, “as barragens são construídas com correntes e cadeados que fecham os rios para que a navegação deixe de acontecer”.
 
O representante do setor agrícola destacou que, de 2009 para 2013, as exportações brasileiras de milho e soja saltaram de 38 milhões de toneladas para 60,8 milhões. Embora a maior parte da produção ocorra no Centro-Oeste, o escoamento para o exterior continua a ocorrer quase exclusivamente por meio de portos no Sudeste. “Temos de reforçar os portos do Norte, aos quais podemos chegar por meio dos rios”, reivindicou.
 
Segundo Melo, transitar por hidrovias é essencial, pois trata-se de meio de transporte mais barato para cargas pesadas e grandes distâncias. De acordo com ele, de 2003 a 2011, houve elevação de 204% nos custos de produção no Brasil. “Isso representa quatro vezes mais que o custo que Argentina e EUA têm”, argumentou.
 
Construção
 
Edeon Ferreira propôs ainda que a construção do chamado barramento para a implementação das eclusas seja feita concomitantemente com a barragem. Segundo ele, nessa fase, o custo aproximado dos mecanismos de transposição corresponde a cerca de 7% do valor da obra da hidrelétrica. Depois da construção, esse custo sobe para 30%, informou.
 
A exigência defendida por Ferreira está prevista no PL 5335/09, em análise na comissão. Pelo texto, a implantação de diques, irrigações e eclusas – aqueles “elevadores” usados por embarcações para vencer desníveis no leito dos rios – poderá ser total ou parcial, como sugeriu o coordenador do Pró-Logística.
 
O relator da matéria, deputado Eduardo Sciarra (PSD-PR), pretende pôr seu parecer em votação em maio.
 
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