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02/04/2014

Paraná amplia silos em 10% em dois anos

Para aproveitar a oferta de crédito barato com prazo dilatado, as cooperativas do Paraná antecipam investimentos em armazéns. Os projetos das empresas do setor mostram que o Paraná está ampliando sua capacidade de armazenagem em pelo menos 10% entre 2013 e 2015. Atualmente, há abrigo para 27,7 milhões de toneladas de grãos no estado, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento.

Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Or­­ganização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) explica que a criação do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns no último Plano Safra acionou uma demanda reprimida no setor. “O armazém fica pronto muito mais rápido do que uma rodovia ou uma ferrovia”, compara.

A linha de crédito conta com juros de 3,5% ao ano e tem prazo de 15 anos para pagamento. Juntas, as principais cooperativas do estado devem investir mais de R$ 1 bilhão até 2015, em um ritmo bem acima da média histórica do setor, aponta Turra.

No Norte do estado a Cocamar, de Maringá, contabiliza R$ 200 milhões em projetos de reforma ou ampliação das estruturas de recebimento e armazenamento de grãos. Duas unidades armazenadoras já foram construídas. A meta é ampliar em 27% a capacidade atual, chegando a 1,1 milhão de toneladas.

Conforme o vice-presidente de Negócios da Cocamar, José Cícero Aderaldo, foi antecipada parte dos planos de expansão da cooperativa. “O recurso veio em um momento importante. A forma de financiamento que existia até então limitava os investimentos.”

Em Cafelândia, no Oeste do estado, a Copacol vai investir R$ 170 milhões para elevar em 300 mil toneladas a capacidade de armazenagem, chegando a 900 mil toneladas em 2015.

Na mesma região, a C. Vale, de Palotina, calcula que serão investidos R$ 350 milhões para ampliar a capacidade de armazenamento, que hoje é de 1,7 milhão de toneladas. A Coopavel, de Cascavel, quer chegar a 950 mil toneladas de capacidade estática e para isso vai investir R$ 50 milhões neste ano. A expansão, nesses dois casos, é de 35% e de 10%, respectivamente.

Principal cooperativa do estado, a Coamo calcula que seu déficit de armazenagem atual é de 2,3 milhões de toneladas. Para compensar essa diferença, o plano é investir R$ 465 milhões até o final de 2015, acrescentando 500 mil toneladas à capacidade dos armazéns (11% sobre 4,58 milhões de toneladas para granéis).

Os investimentos tentam reduzir a diferença entre o volume colhido e a capacidade de armazenagem. Considerando as safras de verão e inverno, o Paraná deve colher 35,4 milhões de toneladas neste ano, calcula a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab). Ou seja, se toda a produção fosse guardada, faltaria lugar para 7,7 milhões de toneladas. As cooperativas detêm 55% dos armazéns no Paraná.

Demanda por financiamentos deve continuar aquecida

Os R$ 5 bilhões disponibilizados neste ano pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) fazem parte de um plano de investimentos do governo federal que planeja disponibilizar R$ 25 bilhões nos próximos 5 anos. Na avaliação do setor a demanda pelo recurso deve continuar intensa, mesmo com o aumento nos investimentos.

Para José Cícero Aderaldo, vice-presidente de Negócios da Cocamar, o setor ainda não conseguiu fazer nesta safra todos os ajustes na estrutura de armazenagem. “Não há como fazer uma readequação completa das estruturas de armazenagem somente em um ano”, aponta.

Orçamento

Dos R$ 5 bilhões disponibilizados neste ano, R$ 1 bilhão são direcionados aos cerealistas e R$ 3,5 bilhões para o Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que atende as cooperativas, além de R$ 500 milhões para a agricultura familiar. No último balanço divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), válido até o mês de fevereiro, R$ 2,3 bilhões já haviam sido captados pelo setor (IC).
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