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Notícias

24/04/2014

Presidente da Aprosoja defende ferrovia Sinop-Miritituba

​O presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira, defendeu a construção de ferrovia de Sinop a Miritituba (Pará), extensão aproximada de 900 km, para escoar parte da produção de soja, milho, algodão, carne e madeira do Médio Norte. "A construção de uma ferrovia hoje em discussão, me parece uma opção eficiente e de custo baixo. Os estudos apontam investimentos de R$ 6 bilhões e com o potencial de escoar 30 milhões de toneladas até 2020. Ou seja, não só reverteria o déficit de investimento, como absorveria o crescimento da produção da região. Discutir e tomar a decisão certa nesta hora de “como fazer” e “o que fazer” é essencial, pois com tal déficit não se pode errar. Precisamos ser eficientes", defendeu.

"Há investimentos prioritários, como a imediata liberação da Hidrovia do Rio Paraguai e do Rio das Mortes/Araguaia, que dariam resultado rápido. Outra obra fundamental é a conclusão da BR-163, faltando ser asfaltados 170 quilômetros para dar acesso ao Porto de Miritituba e, posteriormente, Santarém, ambos no Pará", declarou.

Glauber destacou, em artigo, que no relançamento da Frente de Logística da Câmara dos Deputados, a Frenlog, "o ministro dos Transportes, César Borges, afirmou que nossa logística requer, no mínimo, R$ 400 bilhões para se adequar, mas que o Brasil investe apenas R$ 15 bilhões por ano. Ou seja, neste ritmo, em 30 anos, teríamos uma logística minimamente adequada. É por isso que, na classificação do World Economic Forum, o Brasil está em 104.° lugar em qualidade geral de infraestrutura em 118.°; em qualidade de rodovias, e em 130.° na qualidade dos portos. O Brasil tem crescido baseado nas exportações, mas, segundo dados de 2012 do Ministério dos Transportes, ao contrário de outros países exportadores dos Brics, é o que menos investe no setor – apenas 0,42% do PIB, enquanto a China investe 10,6%; Índia 8% e Rússia 7%. Segundo estudo da E.C. Consultoria e Assessoria em Comércio Internacional, a ineficiência logística custa ao agronegócio brasileiro cerca de US$ 4 bilhões por ano. Outro estudo da Fiesp apontou que tal ineficiência impõe perdas de R$ 17 bilhões por ano à indústria. Estamos falando de dezenas de bilhões de reais de prejuízo!".

O presidente da Aprosoja acrescenta que o problema "é agravado pela nossa matriz de transporte, composta por 61% de rodovias, 21% de ferrovias e 14% de hidrovias, quando ao menos 60% dessa matriz deveria ser ancorada em ferrovias e hidrovias. Essa mudança ajudaria a cortar 41% do consumo de combustíveis fósseis. Hoje, se gastam 56 litros de combustível para transportar 1 tonelada de alimento por 1.000 quilômetros de distância em rodovias, ante 10 litros em ferrovias e apenas 5 litros em hidrovias. O resultado da ineficiência logística se refletiu diretamente na competitividade da agricultura, com um crescimento dos fretes da lavoura ao porto de 204% nos últimos dez anos. Saímos da média de US$ 28 para US$ 85/tonelada transportada a cada 1.000 km.

Nossos principais competidores, Estados Unidos e Argentina, exibem custo médio de US$ 22/tonelada. Isso tudo é agravado pelo abuso no frete ferroviário no Brasil. Enquanto mundialmente o custo é de US$ 30/tonelada por 1.000 quilômetros, no Brasil custa US$ 80/tonelada. Mas há outras causas que prejudicam a competitividade brasileira. Nos portos, um navio leva de 90 a 120 dias para ser carregado. Os problemas nós conhecemos, precisamos é buscar alternativas que amenizem os efeitos no curto prazo. Alguns investimentos dariam um fôlego para que o Brasil pudesse continuar a crescer. A produção do Centro-Oeste está pressionando o escoamento pelos portos do Sul e do Sudeste. Sendo assim, deveríamos imediatamente buscar soluções de logística tirando a pressão dessas regiões", avaliou.

Glauber analisa que "outras estradas federais, como 242, 158 e 080, garantiriam acesso aos portos do Norte que, em 2020, devem estar escoando 40 milhões de toneladas. Esses portos terão terminais de carga privados, o que acelera sua construção, mas precisam ter prioridade nas licenças ambientais. Como estamos falando de um déficit de R$ 400 bilhões, tudo é prioritário e, mesmo assim, quando o governo investir este recurso, já serão necessários outros R$ 400 bilhões. Por isso, incentivar o investimento privado é fundamental, desburocratizando processos e dando prioridade à concessão de licenças ambientais. Afinal, o que é prioritário para o Brasil não é para as ONGs, mas me parece que são elas é quem mandam no desenvolvimento do país".
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