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Notícias

02/06/2014

Plantio vira pauta da AL

A polêmica sobre o plantio da soja como opção de segunda safra, em Mato Grosso, vai deixar a esfera do campo, para ser debatida junto com a sociedade. Ainda neste mês, a Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura em Mato Grosso (CDSV/MT) quer realizar uma audiência pública na Assembleia Legislativa para fazer o assunto ecoar para além do segmento. A intenção é juntar ao debate opiniões contra a prática, exposta por especialistas renomados no país, bem como, abrir espaço para argumentos favoráveis à manutenção do cultivo no estado. 

Como explica o coordenador da CDSV/MT, Wanderlei Dias Guerra, o assunto é complexo e esbarra em um grande argumento dos próprios produtores que justificam a adesão à sojinha – como também é chamada a segunda safra – como alternativa econômica entre as safras principais. O debate dentro do segmento agrícola está dividindo opiniões. Conforme Dias, a audiência ainda não tem data para ser realizada, está a cargo do deputado estadual Zé Domingos Fraga (PSD/MT), que fará a convocação. “Este assunto, a soja safrinha, por sua importância, será colocado em pauta, brevemente, na Assembleia Legislativa e, lá, após ouvirem os especialistas - Daniel Cassetari Neto, Fabiano Siqueri, Valtemir Carlin, Cláudia Godoy e José Tadashi, que vou sugerir para que sejam convidados, bem como, membros da Aprosoja/MT - não tenho dúvidas de que o assunto terá outro tratamento. Os deputados irão entender a gravidade da situação”. 

No mês passado, Dias anunciou que a Comissão está estudando proibir o plantio de soja a partir de 31 de dezembro, no Estado, conforme antecipou o Diário. Como explicou, a intenção é colocar fim à soja sobre soja. O principal argumento para a restrição é a segurança fitossanitária local, ou seja, evitar que as plantas vivas se transformem em abrigo e alimento por longo período de fungos e insetos, como o causador da ferrugem asiática e a lagarta Helicoverpa armigera, respectivamente, como também evitar a multiplicação dos nematóides. 

“Não queremos cercear direitos de ninguém, se houver a proibição do plantio para além de 31 de dezembro, haverá exceções, como por exemplo, dos produtores de sementes. O que não é uma coisa legal do ponto de vista das leis, seja ao mesmo tempo correta, já a pressão sobre essa safrinha é muito maior do que o lucro que pode vir a gerar. Rodei o Estado, o Paraná, tá tudo cheio de ferrugem nas guaxas. A minha grande preocupação essa sucessão multiplica por quase três vezes a necessidade do uso de fungicidas. De vinte registros de moléculas, cerca de seis ainda funcionam e vão deixar de funcionar com um uso tão intensivo assim”. Ele explica ainda que os esporos da ferrugem ficam nas plantas e que essas plantas vão hospedar um fungo mais resistente e que vão direto para a nova safra. “A ferrugem será uma doença cada vez mais difícil de se combater”. 

CONTEXTO - Neste ano, em função de um cenário sem indicações ao milho no segundo semestre do ano passado quando a decisão do que plantar nesta safra era tomada, muitos produtores optaram pela sojinha no lugar do cereal, já que para cultivar algodão é preciso toda uma estrutura específica prévia. A sojinha também se mostrou rentável dentro das projeções do mercado futuro. Com todo esse contexto, estima-se que nesta safra cerca de 120 mil hectares – recorde histórico – estejam neste momento abrigando a oleaginosa que se desenvolve em todas as regiões do estado. 

A Aprosoja/MT espera por embasamentos técnicos para se posicionar, pois a entidade tem a missão de resguardar direitos dos associados, mas não foge da defesa de um plantio sustentável. 

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