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Notícias

11/06/2014

Plantio de soja fica proibido na entressafra

Pelos próximos 90 dias, de 15 de junho a 15 de setembro, estará vetado em MT o cultivo da oleaginosa. Medida elimina a ‘ponte-verde’

A partir do próximo dia 15, estará proibido o plantio de soja em Mato Grosso, estado líder nacional na oferta do grão. De 15 de junho a 15 de setembro, ou seja, no período de 90 dias, estará em vigor o ‘Vazio Sanitário’, uma medida de defesa vegetal que visa evitar a disseminação da ferrugem asiática, doença fúngica que atinge a lavoura de soja e é disseminada a partir de plantas vivas. A existência de plantas neste período acabam servindo de alimento e de abrigo ao fungo, criando a chamada ‘ponte verde’, que carrega a doença de uma safra para a outra. 

Neste ano, para fazer valer o Vazio, a Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT) está conscientizando, além dos sojicultores, as prefeituras de municípios produtores do grão para o período proibitivo. “Além de estarem impedidos de plantar soja, os produtores devem eliminar a soja guaxa, aquela que nasce de forma voluntária, ao redor das propriedades e nas margens das rodovias e estradas por onde a produção é transportada”, explica o diretor técnico da Associação, Nery Ribas. De forma complementar, a Aprosoja/MT orienta as prefeituras de municípios produtores de soja sobre como proceder nos casos de surgimento de soja em margens de rodovias e no perímetro urbano, originadas de sementes caídas de caminhões, por exemplo. 

O impacto da doença, que limita a produtividade das lavouras e demanda altos investimentos para seu combate, não se limita á renda do agricultor. “Como a soja é a cultura de maior impacto econômico em Mato Grosso, a queda de produtividade pode significar menos impostos recolhidos e até uma redução na geração de renda nas cidades”, comenta o diretor técnico. No último ciclo, os prejuízos com a ferrugem asiática na região Centro-Oeste foram de US$ 1,9 bilhão em perdas diretas (produção) e US$ 600 milhões em aplicações extras de defensivos para controle da doença. 

AMEAÇA - Para o coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura no Estado (CDSV/Mapa), Wanderlei Dias Guerra, a atual situação é grave e indica muito trabalho para a fiscalização nos próximos meses e o pior, a existência de muitas plantas vivas pelo Estado só aumenta a pressão da doença para a safra 2014/15 que começa a ser cultivada logo após o fim do Vazio. “Às vésperas do início do Vazio Sanitário, quando já se esperava que todas as plantas guaxas e lavouras de safrinha tivessem sido eliminadas, colhidas ou não semeadas, ainda nos deparamos, infelizmente com essa realidade”. 

Como aponta Dias Guerra, “isso é o retrato da ação de produtores inconscientes e da ineficiência da comunicação ou da fiscalização, porque por onde se anda no interior encontramos verdadeiras lavouras de guaxas dentro de propriedades, lavouras comerciais e plantas guaxas por toda a parte, tudo tomado pela ferrugem. Pior saber que ali, nestas inocentes plantas, estão hospedados milhões de esporos, certamente ainda menos sensíveis aos fungicidas, do que estavam nas lavouras anteriores e, o que é certo, são eles que chegarão primeiro nas lavouras da região, cada ano mais cedo e causando ano após ano, prejuízos cada vez maiores”. 

Em Campos de Júlio (noroeste do Estado), município onde a ferrugem chegou primeiro em lavouras comercias na safra passada a situação é mais crítica, revela o coordenador. “A entrada da cidade está ‘enfeitada’ pelas guaxas. De Sapezal, a Campo Novo do Parecis até Diamantino, a situação não é diferente. Conclamo os secretários de Agricultura a, assim com ocorreu em Primavera do Leste e Lucas do Rio Verde, adotarem ações visando a erradicação das guaxas, pelo menos nos limites das cidades”. 

SANÇÕES - Produtores que descumprirem a medida são sujeitos à autuação e à cobrança de multas, 30 UPFs (Unidade Padrão Fiscal) mais 2 UPFs por cada hectare com planta viva não destruída. 
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