Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Media Center / Notícias

Notícias

09/07/2014

Com soja na areia, Roraima elimina entressafra

A safra 2013/14 de verão não acabou no Brasil, embora as informações oficiais indiquem o contrário. Em Roraima, ainda há lavouras do grão – e em excelentes condições de desenvolvimento, diga-se de passagem –, conferiu a Expedição Safra Gazeta do Povo em viagem pelo extremo Norte do país na última semana.

Apesar do atraso de quase um mês nos trabalhos de plantio, o estado se prepara para colher mais de 50 mil toneladas da oleaginosa. O volume começa a chegar ao mercado em agosto, em plena entressafra brasileira e na mesma época em que os Estados Unidos iniciam a retirada dos grãos do campo.

As áreas de produção de Roraima estão localizadas acima da Linha do Equador, no entorno da capital Boa Vista, a única totalmente no Hemisfério Norte. Por isso, o calendário agrícola na região é o mesmo que o norte-americano. Ou seja, a janela de plantio se abre na primeira quinzena de abril e se encerra ao final de maio. Já o pico de colheita é previsto para setembro. “Nesse período [de cinco meses], chove entre 1,5 mil milímetros e 1,7 mil mm”, afirma Otoniel Ribeiro, chefe da Embrapa local.

Neste ano, contudo, houve um atraso de quase 30 dias na chegada das chuvas. “Comecei a plantar no dia 27 de maio e terminei em 4 de junho”, diz Afrânio Vebber, o “rei da soja” em Roraima, com 2 mil hectares cultivados. Apesar do atraso, ele acredita que vai conseguir média de produtividade acima das 53 sacas por hectare colhidas no ano passado.

Custo e prêmio

Plantar grãos em uma região isolada do país tem um preço elevado, mas também vantagens. Em Roraima, o desembolso para o cultivo da soja fica em torno de R$ 1,8 mil por hectare e o custo total em mais de R$ 2,3 mil por hectare. Os valores são comparados aos cotados para a safra 2014/15 em Mato Grosso, estado líder em produção no país e que tem uma agricultura mais onerosa por conta das distâncias que a safra precisa percorrer entre origem e portos. Mas o estado do Centro-Oeste não é o único prejudicado. “Quando olhamos para o custo, precisamos esquecer o custo da logística para trazer insumos e pensar no ganho com a comercialização”, avalia Vebber.

Por ter oferta disponível numa época em que o Brasil praticamente já exportou todo seu excedente, Roraima tem um mercado diferenciado. Os preços passam de R$ 70 por saca, perto de R$ 4 acima dos pagos em praças tradicionalmente valorizadas como Paranaguá (PR).

Por outro lado, os produtores não têm a opção de negociar antecipadamente a safra. “Nós aqui colhemos e vamos vendendo. Não precisamos guardar para vender na entressafra”, resume Vebber. Além disso, eles têm sempre de atravessar uma Amazônia seja para buscar fertilizantes ou transportar a produção até Itacoatiara (AM), alternativa mais próxima, que fica a pouco mais de 1 mil quilômetros do cinturão de produção.
Fonte: