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Notícias

29/10/2014

Domínio da cadeia favorece avicultura nas cooperativas

Se dois anos atrás a avicultura era pressionada pela alta nos preços da soja e do milho, o quadro agora está invertido. Com a acomodação nos preços dos grãos, que representam mais de 90% da ração animal, a atividade nas granjas ganha rentabilidade e abre margem para novos projetos de expansão. Dominando todos os elos da cadeia produtiva, dos insumos à logística, as cooperativas saem na frente nesse processo, e tentam garantir um crescimento sustentado na atividade em polos como o Oeste paranaense. A região foi o destino da Expedição Avicultura 2014 na última semana, em um roteiro de 1,9 mil quilômetros.

Para o presidente da Coopavel, de Cascavel, Dilvo Grolli, as granjas são aliadas da agricultura, ao garantir demanda e preço para as commodities dos associados. Em outra ponta, em ano de resultado positivo, a pecuária avícola incrementa a renda dos agricultores na distribuição de sobras (lucros) da cooperativa. Agricultura e avicultura saem beneficiadas, salienta Reni Girardi, gerente industrial da C. Vale, de Palotina. “Estar próximo dos polos de produção de grãos barateia a logística e nos permite reter um bom volume armazenado para a produção de ração animal”, detalha.

O aumento nas margens da avicultura não tem efeito imediato sobre a renda do produtor. “O preço [dos insumos para a ração] muda lá [na indústria] mas não afeta aqui. Mas pode aparecer na forma de sobras para o produtor ou com benefícios indiretos, como a modernização da indústria”, afirma o avicultor Leomar Casarolli, que possui quatro granjas em Cascavel e não esconde a vontade de ampliar a estrutura, conduzida na propriedade paralelamente com a agricultura.

A avaliação é alinhada com o discurso das cooperativas, que estão tirando do papel projetos de expansão. O desafio das empresas é ampliar a oferta com garantia de mercado – o setor estima que a produção deve crescer entre 3% e 5% ao ano até 2020. “A pressão para aumento no abate vem do próprio produtor. Hoje temos uma fila de espera de associados querendo ingressar na atividade”, pontua Girardi.

Abates

A expansão é esperada no curto prazo. A Coopavel planeja abrir um turno extra no frigorífico para elevar o abate em 50% até 2016, chegando a 300 mil aves processadas por dia. A 60 quilômetros de distância, em Cafelândia, a Copacol planeja elevar o abate de 490 mil aves dia para 700 mil aves/dia até 2017. A primeira etapa do projeto começou a ser executada na ponta da cadeia, com a construção de um incubatório para 14 milhões de ovos por mês, ao custo total de R$ 70 milhões. Já em Medianeira, a Lar planeja elevar o abate de 290 mil a 550 mil aves/dia em 2018, com um investimento total de R$ 200 milhões. A C. Vale, que abate 400 mil aves/dia, prevê alcançar 600 mil em 2017.

Os projetos prometem elevar a participação das cooperativas na avicultura. Grolli, da Coopavel, estima que atualmente 40% do mercado nacional estão nas mãos de grandes grupos, enquanto 15% da produção concentram-se nas cooperativas. “Temos uma vocação natural de crescimento porque possuímos grãos e produtores que pode ingressar na atividade”, aponta.

"Braço” logístico ferroviário faz a diferença para escoar a produção

Além da presença na cadeia de grãos, que garante fornecimento de insumos para a ração animal, parte das cooperativas do Oeste que atuam na avicultura também consolida vantagem na logística de exportação. O quarteto formado pela Coopavel (Cascavel), Copacol (Cafelândia), Lar (Medianeira) e C. Vale (Palotina) utiliza a estrutura da Cotriguaçu para escoar parte da produção avícola com o uso do trem, enquanto a maioria das empresas usam basicamente caminhões.

Inaugurado em 2013, o terminal movimenta cerca de 800 contêineres frigorificados por mês e a meta é chegar a 2 mil contêineres/mês até 2020, calcula o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli. Uma das principais vantagens é a economia, argumenta. “Cada tonelada de carne transportada por caminhão custa em média R$3,8 mil, enquanto no trem o custo por tonelada é de R$2,4 mil”, compara. Cada composição leva 35 contêineres, em um trajeto de sete dias até o Porto de Paranaguá.

A estrutura garante vantagem em relação a regiões produtoras como o Norte paranaense, que também podem utilizar o trem mas ainda preferem os caminhões. “Temos lutado para aumentar a exportação no trajeto Cambé-Paranaguá, mas ainda há pouca diferença de custos”, pontua revela Edemir Junior, gerente de exportação da GT Foods, de Maringá. “A operação rodoviária acaba sendo mais ágil e com um custo semelhante”, complementa Sidnei Botazzari, sócio-proprietário da Jaguafrangos, de Jaguapitã.

Atividade oferece “poupança” a produtores

Mesmo nas cooperativas com vocação agrícola a avicultura se consolida como atividade lucrativa, sobretudo em pequenas propriedades. Em Palotina, a família Benetti tem nas duas granjas a principal fonte de renda na área de 24 hectares, que também divide espaço com os grãos, entregues para a cooperativa C. Vale.

“Se a safra for boa a avicultura responde por 50% da renda da propriedade. Mas esse valor pode aumentar em um ano de colheita ruim. Em 17 anos as granjas nunca deram prejuízo”, comenta Andrei, que cuida da fazenda junto com os pais Ari e Vivina. O fato de a atividade gerar renda bimestral está entre as principais vantagens ante a agricultura, complementa.

No caso do produtor Ari Hansen, de Marechal Cândido Rondon, o otimismo fez com que ele abrisse mão do cultivo de grãos e da pecuária de leite para ficar apenas com duas granjas. “Um aviário completo se paga em aproximadamente oito anos. No caso dos grãos, sem escala a atividade é inviável no longo prazo. E o risco é maior devido ao clima”, revela. Associado da Copagril, ele entrou na atividade há sete anos, mas até pouco tempo atrás tinha um dos piores desempenhos da cooperativa na engorda das aves. “Investi em mão de obra, fiz cursos, conversei com os técnicos e hoje estou entre os dez melhores”, exalta. Com isso, ele fatura 8 centavos alpem da média por frango.


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