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25/11/2014

América do Sul busca sustentação fora do Mercosul

Com cinco países entre os dez maiores exportadores de soja do mundo e uma cadeia de carnes estruturada, que representa 15% da produção global, a América do Sul possui um mercado estabelecido no agronegócio. Apesar do cenário aparentemente confortável, a região precisa abrir novos mercados para garantir a expansão da atividade ligada ao campo. As oportunidades comerciais são um dos temas do 2.º Fórum de Agricultura da América do Sul (promovido pelo Agronegócio Gazeta do Povo, dias 27 e 28, em Foz do Iguaçu).
 
A necessidade de os países da região elaborarem ações conjuntas e assumirem maior influência no mercado internacional foi apontada como desafio central do bloco no Fórum de 2013. Quadro que se acentua num ano de produção maior que do consumo.
 
O crescimento dos estoques globais impõe a necessidade de uma revisão nas estratégias comerciais em nome da sustentabilidade ao agronegócio sul-americano. Entre as safras 2005/06 e 2012/13, a demanda pelas commodities agrícolas cresceu 2,43% diante dos 2,18% da produção. A inversão na safra passada, quando o consumo aumentou 4% e a produção mundial 5,9%, colocou o setor em alerta. De acordo com estimativas da Expedição Safra Gazeta do Povo, o cenário será semelhante na temporada 2014/15, com crescimento de 7,4% na produção e de 4,9% no consumo.
 
“A produção sul-americana de soja cresceu, de 2000 a 2013, duas vezes mais que a de outros cultivos. Assim, mais do que o ritmo do crescimento, precisamos discutir os impactos desse nível de especialização produtiva sobre as possibilidades de crescimento sustentável das economias dos países e a dinâmica socioeconômica dos seus territórios”, ressalta Monica Rodrigues, economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Ela participa da conferência “O papel do estado no desenvolvimento do agronegócio” (14h30, dia 27).
 
O principal desafio passa pela abertura de novos mercados fora do Mercosul, principalmente na Ásia e Europa. Para o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul, Marco Antonio Montoya, esse mecanismo deve ser capitaneado pelo bloco como uma celular única.
 
“O Mercosul é fundamental para o agronegócio da região. Mas como os países têm produções parecidas, o bloco precisa estar perfilado em fazer negócio com outros blocos”, aponta Montoya. “É uma estratégia a mais de avanço.”
 
 
Liderança
 
O processo de fortalecimento do Mercosul no agronegócio mundial é liderado por Brasil e Argentina. Juntos, os dois devem exportar 55 milhões de toneladas de soja em 2014/15, assume o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Isso é perto de 50% dos negócios globais envolvendo a commodity. “Quase 70% dos negócios do agro no Mercosul têm origem no Brasil. A Argentina, mesmo em crise, tem grande peso”, frisa o professor de UPF.
 
Paraguai, Uruguai e Bolívia são considerados peças chave nas mesas de negociação. Garantem a liderança da região nas exportações de soja e milho. “O aumento dos embarques tem sido muito mais intenso que o da produção. O consumo está cada vez mais internacionalizado”, observa Monica.
 
 
Entrevista
 
Informação promete mais intercâmbio e redução de custos
 
Uma das palestrantes do Fórum de Agricultura da América do Sul, a economista da Comissão Econômica para América Latina e Caribe Monica Rodrigues afirma que barreiras à circulação de informação são determinantes no Mercosul.
 
A América do Sul tem noção de sua influência no mercado global de commodities agrícolas?
 
Os países da América do Sul respondem por 7% da produção agropecuária mundial e 12% das exportações globais desses produtos. Na última década, a participação da região nas exportações mundiais agropecuárias cresceu significativamente mais que a participação de toda a região latino-americana, um resultado robusto de décadas de investimentos privados e políticas públicas.
 
Qual tem sido o papel do Mercosul nesse contexto?
 
As exportações de commodities agrícolas e de alimentos processados são fundamentais, em termos econômicos e fiscais, para os países do Mercosul. Não se trata apenas de homogeneizar as tarifas de importação e eliminar quotas e outras medidas restritivas e discriminatórias. Também é necessário atuar para tornar as barreiras não tarifárias mais transparentes e pertinentes, e para aumentar a cooperação tecnológica e institucional na aplicação dos acordos.
 
Qual o maior desafio para um avanço socioeconômico?
 
Desde o ponto de vista da organização das cadeias produtivas, as barreiras para a circulação de informação e a baixa confiança entre os atores aumentam os custos de transação e limitam os intercâmbios e os derrames tecnológicos. [Mudanças] seriam positivas não somente para os atores envolvidos como também para outros agentes operando no mesmo território ou área de negócio.
 
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