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Notícias

06/04/2015

Genética encurta ciclo da carne vermelha


Com o aumento da demanda por proteína vermelha nos mercados interno e externo, a pecuária de corte brasileira passa por uma transformação iniciada em laboratório. Há cerca de uma década, o setor investe pesado no melhoramento genético dos animais. A medida vem ao encontro a uma demanda comum às duas pontas da cadeia, produção e consumo: gado mais gordo, com carne de melhor qualidade, no menor tempo possível.

O melhoramento genético ocorre na base dos planteis de seleção, tanto nos machos como nas fêmeas. Por meio da inseminação artificial, os touros melhoradores acumulam material de “elite”. Já nas vacas, a evolução genética propicia fêmeas sexualmente precoces, ou seja, cada vez mais produtivas, e com habilidade maternal melhor – quanto mais amamentar, o bezerro desmama mais pesado. Posteriormente, os planteis de seleção são transferidos para os rebanhos comerciais.

Apesar de ainda ter um ciclo longo quando comparado a outras cadeias como a avicultura, a bovinocultura de corte contabiliza ganhos significativos. Há 10 anos, o processo completo, do nascimento ao abate, demorava 48 meses. Hoje, a média nacional está em 36 meses. A intenção é alcançar 24 meses na próxima década.

“Nós estamos no limiar para uma transformação [do setor] com as novas aquisições da ciência e as formas diferentes de selecionar os animais. Nos próximos anos, teremos uma segmentação muito forte em função do sistema de produção”, contextualiza Luiz Antonio Josahkian, professor de melhoramento genético das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), em Minas Gerais, e superintendente técnico da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ).


Produtividade e qualidade postas à prova

Paralelo ao trabalho de redução do ciclo, a seleção genética busca obter um rebanho com maior facilidade de converter ração em carne. E de qualidade. Animais mais pesados significam ganhos financeiros em diversas fases da cadeia, seja com a economia na alimentação ou a abertura de novos mercados.

“Hoje existe premiação para os criadores interessados em produzir um boi com melhor acabamento. Por conta da exigência do consumidor, que quer um produto macio, os mercados nacional e internacional pagam bônus por carne de qualidade”, conta Gilson Katayama, criador da Katayama Pecuária, com sede em Guararapes, no estado de São Paulo. A empresa produz cerca de mil touros anualmente.

O avanço genético também contribui para a formação estrutural do animal. Hoje, o rebanho brasileiro possui uma arcada mais baixa, fazendo com que a carcaça seja mais volumosa, principalmente na parte posterior, onde está localizada a carne nobre. Além disso, aumentou as áreas com gordura subcutânea, importantes após o abate, pois funcionam como isolante térmico durante o processo de resfriamento, evitando o endurecimento, a queda de peso e o escurecimento da carne.

“No Brasil, frigoríficos pagam mais por animais jovens, com bom acabamento, rastreados para mercado europeu e que atinjam a cota Hilton [determinada quantidade de carne bovina fresca ou resfriada, sem osso e com alto padrão de qualidade]”, comemora Katayama, que há anos aposta no setor.

36 meses é quanto dura hoje, na média, o ciclo da pecuária de corte, do nascimento ao abate. Apesar de ainda ser longo quando comparado a outras cadeias como a avicultura, setor contabiliza ganhos significativos. Há 10 anos, o processo completo demorava 48 meses. Meta é reduzir ciclo a 24 meses na próxima década.

 

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