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02/06/2015

Produtores de leite aumentam produção em até 500% em Mato Grosso do Sul


Aumento da produção diária de 100 para 600 litros de leite, no período de um ano, mantendo o mesmo rebanho. O resultado obtido por Juraci Ferro, que há 15 anos trabalha na bovinocultura de leite em Glória de Dourados, apareceu depois que o produtor recebeu e implantou novas diretrizes de produção repassadas pelo SENAR/MS – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.

A trajetória de Ferro começou quando participou de um seminário realizado para um grupo de produtores atendidos pela Agraer - Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural em 2010. Com apoio do Sindicato Rural de Glória de Dourados, um grupo de 12 produtores começou a receber assistência técnica do programa ATER Mais Leite. “O instrutor do SENAR mostrou que mudanças básicas no manejo seriam suficientes para mudar a minha produção diária. A primeira ação foi passar a ordenhar as vacas duas vezes ao dia, investir no plantio de pastagens e equilibrar a quantidade de ração oferecida. Com isso comprovei a diferença na produção e agora pretendo chegar a 670 litros diários”, acrescenta.

Localizado na região Sul do Estado, o município de Glória de Dourados é responsável por 1,2% da produção total de leite de Mato Grosso do Sul, segundo dados divulgados pela Produção Agrícola Municipal do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2013, com mais de 11 milhões de litros produzidos anualmente. O presidente do Sindicato Rural, Edgar Yamato, reforça que o município é referência na bacia leiteira com uma produção que chega a um milhão de litros/mensal, destinados a laticínios no estado do Paraná. “Glória de Dourados tem um histórico de pequenas propriedades que investiram na produção leiteira e hoje vendem o produto para laticínios locais e de outros Estados. Ainda assim, como em qualquer atividade, apresentava gargalos e por isso decidimos acionar o SENAR/MS”, explica.

Yamato avalia que o programa de ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural do SENAR já modificou a realidade de vários produtores, principalmente os que têm poucas condições de investir em aquisição de matrizes ou contratar funcionários. “A maioria trabalha com a família para ter condições de obter mais lucro. A maior transformação verificada sentida foi na gestão da propriedade, eles começaram a contabilizar e controlar os gastos com a produção, por isso, estão muito animados”, finaliza.

Para Valdir José da Silva, proprietário de uma área de 15 hectares e vizinho de Ferro, a mudança também foi positiva. Ele conta que os conhecimentos recebidos nas visitas do instrutor impactaram na produção, que passou de 300 para quase 500 litros. “Os cursos do SENAR foram importantes para que eu entendesse detalhes que muitas vezes deixava de lado. Participei de cursos, modifiquei o manejo diário e hoje produzo mais com a mesma quantidade de animais”, comemora.

Questionado sobre os planos para o futuro, Silva confidencia que pretende investir na compra de mais animais. “Estou adotando as orientações e percebi que para crescer é preciso também se dedicar e falo isso para meus amigos: temos que sair do comodismo e aprender mais. Meu próximo objetivo é investir em melhoramento genético”, afirma o produtor.

De acordo com médico veterinário e instrutor do SENAR/MS, Marcelo Ito, uma das vantagens dos produtores de Glória de Dourados é que os primeiros animais adquiridos chegaram do Uruguai e Argentina, países que possuem vacas especializadas na produção de leite. “A principal atividade econômica do município sempre foi a bovinocultura de leite, tanto que temos uma associação de produtores que funciona desde a década de 70 e os primeiros animais foram importados. O trabalho do ATER Mais Leite é esclarecer os pecuaristas sobre medidas básicas de controle sanitário, suplementação de inverno e controle da alimentação”, enumera.

No entanto, Ito, lembra que é preciso dedicação e comprometimento dos participantes para que os resultados sejam alcançados. “Se estes produtores hoje comemoram o aumento da produtividade, foi porque se dedicaram e aceitaram nossa assistência. Eles já conheciam muito do manejo, mas, tem que estar flexíveis a novos conhecimentos e mudar uma prática, quando se percebe que não dá resultado”, conclui.

O produtor Juracir Ferro conta que o filho de 20 anos é seu braço direito e também já participou dos cursos, enquanto a esposa fica responsável pela ordenha. “Mudei alguns hábitos que trouxe do meu pai e estou colhendo os lucros. O que eu vejo é que as pessoas querem ganhar mais sem investir ou trabalhar e deste jeito não dá mesmo”, opina.

O programa Mais Leite iniciou as atividades em Mato Grosso do Sul em 2014 e atendeu 516 produtores de leite. O programa é baseado na meritocracia, de forma que as consultorias mensais estão condicionadas à participação do produtor e capacitações realizadas bimestralmente.

 

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