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01/09/2015

Em período de entressafra, colheita de milho será recorde no Paraná


A proximidade do encerramento da colheita da segunda safra de milho elevou ainda mais a projeção de safra recorde de grãos para este ano no Paraná, para 38,5 milhões de toneladas. A segunda safra de milho está com bom desempenho de produção, apesar do elevado índice de chuvas ocorrido na primeira quinzena de julho, e pode resultar num volume recorde de 11,2 milhões de toneladas, que será 8% maior do que igual período do ano passado.

As chuvas de julho, no entanto, podem ter afetado o desempenho de parte da cultura do trigo que está em estágio inicial de desenvolvimento.

A informação consta do relatório do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, correspondente ao mês de agosto. Neste início de semana, cerca de 95% da área plantada com milho, que foi de 1,9 milhão de hectares, já está colhida, sendo que em setembro encerra o ciclo da cultura da safra 2014/15.

O resultado recorde da segunda safra de milho evidencia a consolidação do cultivo do grão no período de entressafra no Paraná. Os produtores paranaenses começaram a cultivar o milho safrinha no final da década de 90. Segundo o Deral, em 1998 havia um plantio de 772 mil hectares com a cultura. De lá para cá, o crescimento em área foi de 147%.

Junto com a área, a produtividade da segunda safra de milho também cresceu, graças à tecnologia que vem sendo incorporada pelos produtores desde o início. Ela avançou de uma média de 3.285 quilos por hectare, em 1998, para 5.840 quilos por hectare na safra 2015.

“O que surgiu como alternativa para ser a segunda safra, hoje é a safra principal”, disse o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni. Segundo ele, mesmo com a queda na produção de milho da primeira safra, graças ao milho segunda safra, o Paraná continua sendo um grande produtor com um volume total de produção de 15,8 milhões de toneladas, que correspondem a 19,7% da safra nacional do grão.

Cerca de 70% da safra de milho no Paraná abastece o mercado interno do Estado, constituído por integradoras de avicultura, suinocultura, agroindústria e bovinocultura de leite.

O avanço da colheita do milho, este ano, revelou o aumento da produtividade da cultura, que este ano cresceu 7%, passando de uma média estadual de 5.480 quilos por hectare no ano passado para 5.840 quilos por hectare, neste ano.

Ocorre que as chuvas, embora excessivas na primeira quinzena de julho, até beneficiaram a produção de milho, disse o técnico Edmar Gervário. Segundo ele, a qualidade do milho, foi afetada, mas não de forma excessiva que prejudicasse toda a safra cultivada no Estado. “As perdas em qualidade foram localizadas e estavam dentro do padrão aceitável”, informou.

Segundo Gervásio, o milho da segunda safra foi beneficiado pelas chuvas porque foi plantado mais tarde, em função de ocorrências climáticas anteriores. Quando as chuvas em julho atingiram a cultura, em pleno desenvolvimento, acabou impulsionando o aumento da produtividade, explicou o técnico.

A região que mais produz milho da segunda safra no Paraná é a Oeste, de Cascavel a Toledo, correspondendo a 38% da produção estadual. As produtividades alcançadas estão acima da média estadual, com 6.500 quilos por hectare, em função do padrão tecnológico utilizado pelos produtores.

Cerca de 40,1% dessa segunda safra já foi vendida por R$ 21,00 a R$ 22,00 a saca, em média, o que representa um preço atrativo aos produtores. O ritmo de vendas este ano está 57% à frente do que em igual período do ano passado.

Trigo

O trigo já foi plantado no Estado e a ocorrência de chuvas excessivas na primeira quinzena de julho, seguidas de veranico em agosto, influenciou o desempenho da cultura nesse estágio inicial de desenvolvimento.

A estimativa de área plantada foi reduzida em 4%, passando de 1,34 milhão de hectares plantados no ano passado para 1,33 milhão de hectares plantados este ano. A projeção de produção está mantida em 3,93 milhões de toneladas, que aponta para uma safra 3% maior em relação ao ano passado. A manutenção dessas condições daqui para frente, porém, está atrelada ao desempenho do clima.

Segundo o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho, a semeadura começou atrasada, mas depois foi acelerada em função do veranico, o que antecipou o ciclo da cultura. As chuvas de julho prejudicaram a qualidade da cultura no campo, fazendo com que o índice de lavouras em boas condições caísse de 96%, no início de julho, para 77% depois em agosto.

Como o plantio de trigo é sequencial, em quase todas as áreas do Estado, enquanto ele está sendo finalizado na região Centro-Sul, começa a ser colhido na região Norte, a primeira que planta o grão durante o inverno. Cerca de 4% da área plantada já foi colhida, revelando a influência do clima sobre a qualidade do grão. Tem lavouras na região Norte com alta incidência de doenças.

Godinho esclarece que ainda é cedo para avaliação do resultado final. O Simepar mantém a previsão de temperaturas e precipitações acima da média em setembro, devido à intensificação da corrente El Niño, que aumenta o risco de perdas por chuvas na colheita.

Já o risco de perdas expressivas por geadas foi reduzido com a proximidade do período final do inverno. “Mais da metade da área plantada com trigo no Paraná está ou estará em fases suscetíveis às geadas nos próximos dias”, avisou.

Até o momento cerca de 5% da safra de trigo 2015 foi comercializada e os preços, em torno de R$ 33,50 a saca, estão abaixo do mínimo, fixado em R$ 35,00 a saca. Mas ainda assim os produtores estão recebendo cerca de 2% mais do que receberam em igual período do ano passado. Porém, a margem de lucro dos produtores está mais estreita este ano.

 

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