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Notícias

27/09/2013

Cresce aposta na produção de etanol de milho

​Depois de muito realçar as vantagens econômicas e ambientais do etanol de cana-de-açúcar em relação ao de milho, produzido em larga escala nos Estados Unidos, o Brasil pode estar em vias de replicar - ao menos em parte - o modelo americano.
 
Diante da enorme dificuldade para digerir o vertiginoso crescimento da produção de milho de Mato Grosso nos últimos anos, empresários fazem contas para tirar do papel usinas capazes de transformar o grão em biocombustível.
 
Se bem-sucedida, a estratégia pode significar uma alternativa energética para o Centro-Norte do Brasil, onde os preços dos combustíveis líquidos são os mais altos de todo o país - e uma forma de viabilizar ao menos parte do ainda gigantesco potencial de expansão da produção de milho em Mato Grosso.
 
A Fiagril, uma esmagadora de soja de capital nacional, baseada em Lucas do Rio Verde, prevê investir US$ 100 milhões (R$ 230 milhões) para produzir etanol de milho a partir de 2015.
 
A companhia planeja construir uma usina com capacidade para esmagar 500 mil toneladas do grão por ano, volume suficiente para produzir até 200 milhões de litros do biocombustível.
 
Se concretizada, será a primeira usina de etanol do país concebida para esmagar exclusivamente milho. Atualmente, duas usinas de cana-de-açúcar no Estado - Usimat e Libra Etanol - estão adaptadas para processar o grão. Outras estudam fazer a conversão.
 
A intenção da Fiagril é financiar até 80% do investimento com recursos do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO).
 
Segundo o sócio-fundador da Fiagril, Marino Franz, as linhas já foram asseguradas e os contratos devem ser assinados com o Banco do Brasil ainda neste ano. A expectativa, afirma, é iniciar a construção da planta até abril de 2014 e concluí-la em 18 meses.
 
A tecnologia de processamento a ser adotada na planta pertence à ICM, uma fabricante de equipamentos do Kansas, nos EUA, que fornece para ao menos uma centena de usinas no Meio-Oeste americano.
 
Atualmente, Mato Grosso produz pouco menos de 1 bilhão de litros de etanol de cana. Franz afirma que o biocombustível de milho é competitivo com o da cana. "Com o preço do milho a R$ 13 por saca [preço mínimo de garantia no Estado], temos uma margem de até 20% em relação ao etanol de cana vendido no Estado". Em Sorriso, a cotação do milho caiu abaixo de R$ 8 na semana passada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea)
 
A conta, pondera, leva em consideração a renda gerada por um subproduto de alto valor agregado - o DDGS (sigla em inglês para Resíduos Secos de Destilaria Contendo Solúveis) -, que pode ser usado como substituto do farelo de soja. Cada tonelada de milho pode ser transformada em até 400 litros de etanol e 330 quilos de DDGS.
 
A Amaggi, empresa controlada pela família do senador Blairo Maggi, também faz planos para construir uma usina, embora ainda não tenha concluído os estudos de viabilidade econômica.
 
Conforme Maggi, a incerteza reside no custo da energia necessária para alimentar a planta. "Esse é o nosso principal ponto de interrogação. Falta a conta do balanço energético". Maggi lembra que as usinas de cana-de-açúcar geram sua própria energia por meio da queima do bagaço. As usinas de milho, em contrapartida, dependem de outras fontes de biomassa, como o carvão vegetal e o capim.
 
"Este é um problema que cada usina terá de resolver. A Amaggi possui 5 mil hectares plantados com eucaliptos, que poderiam ser usados para abastecer a nossa usina pelo menos até termos o gás de xisto, o que deve acontecer em um prazo de até dez anos", explica o senador, referindo-se às reservas de gás do Estado.
 
A Fiagril afirma que vai fomentar o plantio de 5 mil hectares de eucalipto e capim, por meio de contratos de longo prazo com produtores rurais, para alimentar a sua usina. A ideia é incentivar esses cultivos em regiões mais arenosas, impróprias para o plantio de grãos.
 
O financiamento a projetos de etanol de milho já foi objeto de sondagem de algumas empresas junto ao BNDES, de acordo com informações do chefe do Departamento de Biocombustíveis do banco estatal de fomento, Carlos Eduardo Cavalcanti.
 
O executivo afirma que o assunto está sendo discutido internamente, mas, embora a instituição avalie que faz sentido esse tipo de negócio diante da necessidade de maior suprimento de combustíveis líquidos no país, foi solicitado às empresas uma apresentação mais bem fundamentada sobre as condições econômicas dos projetos.
 
Para os agricultores, que mais do que triplicaram a colheita de milho nas últimas três safras - de 6,9 milhões para 21,9 milhões de toneladas - e hoje dependem de subsídios para escoar essa produção, o etanol é visto como um caminho para dar sustentação ao aumento da produção - ainda pequena em relação ao potencial do Estado.
 
Só em 2013/14, o governo federal deve gastar mais de R$ 1 bilhão para apoiar a comercialização do grão no Estado, por meio de compras diretas e subvenções. "Mato Grosso só não planta mais milho porque não tem como escoar e para quem vender, mas perdemos muito em não plantar milho porque é preciso fazer a rotação com a soja e o algodão", afirma Maggi.
 
O senador defende ainda que o custo de amortização do investimento em etanol de milho pode ser inferior ao da cana, uma vez que as usinas se integrariam ao atual sistema de produção agrícola no Estado. "Os americanos foram muito inteligentes em implantar as usinas nas áreas de grãos. Diferentemente da cana-de-açúcar, que exige toda uma infraestrutura nova, no milho só é preciso fazer a usina".
 
Em menos de uma década, os Estados Unidos aumentaram em mais de 100 milhões de toneladas a sua produção de milho apenas para atender as ambiciosas metas de mistura de etanol à gasolina. Contudo, o programa americano foi amparado em um mandato que, na prática, criou uma reserva de mercado para o biocombustível.
 
Sem um incentivo semelhante, as perspectivas para o etanol de Mato Grosso são, de longe, mais modestas. A princípio, afirma Franz, o etanol de milho seria competitivo em mercados como os dos Estados de Mato Grosso, Pará, Acre e Amazonas.
 
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), esses Estados consumiram no ano passado cerca de 2,2 bilhões de litros de gasolina e aproximadamente 1,1 bilhão de litros de etanol (entre o anidro, misturado à gasolina, e o hidratado, vendido ao consumidor na bomba). Trata-se, portanto, de um mercado pequeno em relação ao nacional, da ordem de 20 bilhões de litros, em grande parte abastecido pelas usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul.
 
 
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