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Notícias

27/09/2013

Cereal e cana partilham usinas em MT e GO

​O uso do milho para produzir etanol já existe no país, em operação compartilhada com a cana-de-açúcar. Mato Grosso é sede da 1ª usina de cana a agregar uma planta de moagem de milho - a Usimat -, mas a partir de fevereiro deverá entrar em operação a primeira unidade com o mesmo formato em Goiás.
 
A planta será acoplada à Usina Rio Verde, localizada no município goiano de mesmo nome. Terá, inicialmente, capacidade para processar 50 mil toneladas durante a entressafra, e já há condições para duplicá-la, segundo Cassio Bellintane Iplinsky, diretor da usina.
 
O executivo não divulga o valor do investimento, mas afirma que o aporte é marginal. O Banco do Brasil é um dos financiadores. "A partir da fermentação, os dois processos se integram", afirma Iplinsky.
 
Tanto a Usina Rio Verde quanto a Usimat seguem o mesmo modelo de produção. De abril a novembro, moem a cana, e nos meses seguintes operam com milho - ou sorgo granífero.
 
Esse modelo traz duas vantagens para cada uma das matérias-primas. De um lado, o bagaço da cana é transformado em eletricidade e "sustenta" a demanda por energia da operação de etanol de milho. Sem ela, os custos poderiam não fechar, diz Sérgio Barbieri, diretor da Usimat.
 
Mas o milho também traz ganhos à operação canavieira. A Usimat estima que seus custos diminuíram pelo menos 15% com a chegada do milho. Ocorre que uma planta que antes operava em 210 dias por ano passa a funcionar por mais 110 a 120 dias, o que significa, nas contas da Usina Rio Verde, custos cerca de 35% menores.
 
Outra vantagem é que o processamento do milho gera o DDGS (Resíduos Secos de Destilaria Contendo Solúveis), uma proteína concentrada usada para elaborar ração animal e que, sozinha, tem uma margem líquida de 40%, segundo Barbieri. "O que eu poderia dizer é que, em termos de resultado líquido, o etanol é um produto secundário. A maior margem vem da proteína", afirma o diretor da Usimat.
 
Enquanto produzia só etanol a partir de cana-de-açúcar, a usina tinha uma margem líquida próxima de 5%. Quando passou a operar também com milho, essa margem subiu para 15%, puxada pela produção adicional de milho e pela proteína.
 
A viabilidade de usar milho na entressafra da cana está diretamente ligada aos preços do grão no mercado, explica Iplinsky. "A nossa conta é que a matéria-prima, etanol ou cana, tem que representar, no máximo, 62% do custo do etanol. Esse é o ponto de corte", afirma o diretor da Usina Rio Verde. Nos últimos cinco anos, conta ele, essa relação na região goiana ficou em 57%. Atualmente, segundo Iplinsky, está ao redor de 56%.
 
Nas contas da Usimat, na região de Campos de Júlio, em Mato Grosso, passa a não ser viável produzir etanol de milho quando o preço do grão supera R$ 17. Atualmente, esse valor varia entre R$ 11 e R$ 11,50.
 
Apesar do bom negócio que se tornou consorciar a cana com o milho para produzir o biocombustível, a Usimat tem restrições para crescer e ela está toda concentrada na limitação energética. "Sem a energia gerada pelo bagaço da cana não sei se conseguiríamos viabilidade. E, hoje, estamos usando a capacidade máxima instalada", diz.
 
O secretário adjunto de Indústria e Comércio de Mato Grosso, Valério Golveia, as dez plantas de etanol de cana do Estado planejam adaptar-se para usar o milho na produção de etanol. "Há uma restrição ao plantio de cana na área da amazônia legal. O milho seria uma alternativa de crescimento".
 
 
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