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Notícias

20/04/2016

Compra de fundos leva soja ao maior valor em oito meses em Chicago

​Embora o Brasil esteja caminhando para o fim da colheita de uma safra recorde de soja e a oferta global seja também recorde, os contratos de entrega futura do grão fecharam ontem no maior patamar em oito meses na bolsa de Chicago, refletindo um expressivo movimento de compra dos fundos especulativos.

Os papéis de segunda posição de entrega subiram 3,3% e fecharam a US$ 9,9475 o bushel, o maior valor desde 10 de agosto de 2015. Desde 1º de março, esses contratos já subiram 15,9%. O movimento foi visto, ainda que em menores proporções, em outras commodities agrícolas (como milho, trigo e algodão) e não agrícolas (petróleo, minério de ferro, ouro e prata).

De acordo com dados do CME Group, foram negociados 1.026.083 de contratos futuros de soja ontem. O volume de contratos em aberto bateu recorde, o que indica forte movimento dos fundos de investimento.

Para Pedro Dejneka, sócio-diretor da consultoria AGR Brasil, em Chicago, não há nenhum elemento relacionado ao cenário de oferta e demanda que justifique os preços da soja nos níveis atuais.

Desde fevereiro, os fundos vêm aumentando suas apostas nos mercados de commodities em geral depois que as matérias-primas ficaram "baratas demais".

Alguns traders têm citado como motivo para a alta recente da soja as chuvas na Argentina (terceiro maior produtor e exportador mundial do grão), que têm provocado alagamentos nas lavouras.

Circulam informações de que as perdas estariam na ordem de mais de 10 milhões de toneladas. Mas Dejneka avalia que a quebra não passará de 3 milhões a 5 milhões de toneladas - um volume ínfimo frente aos estoques globais de 79 milhões de toneladas que devem ficar no fim da safra atual.

Em contrapartida, o dólar tem perdido força no Brasil, reduzindo os ganhos que os produtores brasileiros podem ter ao vender a soja nos patamares atuais de preço internacional. Enquanto a soja subiu quase 16% em 34 dias, o dólar acumulou queda de 10,6% ante o real.

Ainda assim, a elevação da soja é uma oportunidade para os produtores do Brasil fecharem negócios, diz Dejneka. O preço atual está 4,5% acima da média prevista pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), de US$ 350 a tonelada nesta safra. Se as cotações seguirem em alta, a receita com as exportações de soja em grão nesta safra pode superar os US$ 19,355 bilhões previstos pela Abiove.​​

Autor:
Camila Souza Ramos

Fonte: