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29/06/2016

Dólar cai e menor preço de insumo estimula compras; mercado em MT é analisado

A desvalorização do dólar nos últimos meses resultou em queda nos preços dos fertilizantes no mercado interno. Esse cenário, por sua vez, elevou o ritmo de aquisição de insumos, que estava enfraquecido desde o ano passado. De acordo com dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em abril/16, as entregas de fertilizantes cresceram 13% frente ao verificado em abril/15.

Esse cenário sinaliza uma retomada das entregas, após um período de poucas negociações no final do ano passado. Conforme os relatos de colaboradores do Cepea, o dólar elevado em 2015 impulsionou as cotações dos fertilizantes, especialmente a partir do primeiro trimestre daquele ano. Além disso, houve dificuldade no acesso ao crédito. Com isso, produtores diminuíram o apetite pela compra dos insumos para a safra seguinte. Essa estratégia de redução no uso de fertilizantes para “driblar” os elevados custos não se mantém em longo prazo, já que os nutrientes do solo precisam ser repostos.

Dessa forma, foi possível verificar, por meio do acompanhamento dos custos de produção realizado pelo Cepea, que a participação dos fertilizantes no Custo Operacional Efetivo (COE) da soja e do milho verão tem diminuído gradativamente nestes últimos meses, tanto nas praças acompanhadas na região Sul, quanto nas do Cerrado. Para a simulação realizada pelo Cepea, foram considerados os coeficientes da safra 2014/15 e a série de custo de produção do Cepea para os meses de jan/16 a abr/16.

Apenas em Primavera do Leste e em Uberaba (MG) que os fertilizantes representaram parcela maior do COE em abril/16 frente ao verificado em janeiro/16. Já as maiores quedas foram registradas para Rio Verde (GO), com diminuição de 8,9 pontos percentuais frente ao observado em janeiro. Em Campo Novo do Parecis, a queda foi de 5,3 pontos percentuais na mesma comparação. Em média, os fertilizantes perderam 2,3 pontos percentuais de sua representatividade no COE nas praças do Cerrado e 1,7 ponto percentual nas do Sul.

Com relação à simulação do COE para o milho verão, os fertilizantes também têm se tornado mais baratos. Em janeiro/16, nas praças acompanhadas no Sul, os gastos com fertilizantes representavam, em média, 33,5% do COE, reduzindo para 29,4% em abril/16. Já no Cerrado, o percentual foi de 37,7% na média em janeiro/16 para 34,8% em abril/16. Neste movimento, os maiores destaques ficam com as praças de Chapecó (SC) e Carazinho (RS), cuja representatividade dos gastos com fertilizantes no COE caíram 9,8 pontos percentuais e 4,1 pontos percentuais, respectivamente, de janeiro para abril.

Outros fatores que podem influenciar nas compras de insumos são os preços dos grãos nos próximos meses. Na primeira quinzena de maio, o milho já tem registrado forte valorização, atingindo patamares recordes, em meio a um cenário interno de demanda aquecida, baixos estoques e quebras de produtividade no Centro-Oeste. O preço da soja também está em alta, influenciado pela firme demanda pelo grão e por farelo, enquanto dados sobre produção brasileira da safra 2015/16 são reajustados para baixo.

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