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Notícias

22/10/2013

Monitoramento de pragas na lavoura reduz custos em MT

​Com a ameaça de novas pragas, muitos agricultores têm aumentado o número de aplicações de inseticidas nas lavouras de soja e milho. Na maioria das vezes, a aplicação é feita sem que haja real necessidade, o que resulta na elevação do custo da produção e em maiores danos ambientais.

Um trabalho desenvolvido há dois anos pela Embrapa Agrossilvipastoril, no município de Sorriso (503 quilômetros ao norte de Cuiabá), entretanto, vem mostrando que o monitoramento de pragas ajuda a reduzir a quantidade de aplicações e consequentemente o custo final para o produtor.

O trabalho de validação de tecnologia é desenvolvido por um grupo de pesquisadores em uma área de 50 hectares, em lavoura comercial, na Fazenda Leonel, do produtor Junior Ferla. Neste processo, a equipe da fazenda faz o monitoramento constante da incidência de pragas. Em metade da área é feito o manejo convencional, da mesma forma como é feito no restante da propriedade. Na outra metade as aplicações são recomendadas pelos pesquisadores de acordo com as espécies e a quantidade de indivíduos encontrados nos levantamentos, adotando como referência o número de insetos ou nível de dano.

Segundo o pesquisador da área de entomologia da Embrapa Agrossilvipastoril, Rafael Pitta, na safra 2011/2012 a fazenda fez quatro aplicações de inseticida na lavoura de soja, enquanto na área monitorada foi feita apenas uma. Na safrinha de milho, a fazenda fez duas aplicações, o dobro da necessária na área monitorada. Já na safra de soja 2012/2013, mesmo com a incidência da Helicoverpa, foram necessárias somente duas aplicações na área manejada seguindo as recomendações dos pesquisadores, enquanto no restante da propriedade foram quatro.

“Ferla é um produtor que faz pouca aplicação. A média da região é em torno de nove aplicações, enquanto ele faz cinco a seis. Mesmo assim foi possível reduzir a quantidade de aplicações de inseticidas”, afirma Rafael Pitta.

Mesmo com o menor número de aplicações de inseticidas, a produtividade da área de manejo foi a mesma obtida na área com o manejo convencional da propriedade. “Quando fazemos o manejo integrado não visamos o aumento da produtividade e sim a redução de custo de produção. O inseticida hoje já representa o segundo maior custo na cultura da soja. Assim, com o manejo, o produtor ganha na relação custo-benefício”, explica Rafael Pitta.

Para o produtor Junior Ferla, o trabalho tem servido como aprendizado e vira referência para o manejo feito no restante da propriedade. “Este trabalho vem mudando o manejo e a forma de pensar. Tira aquele pensamento de que fazer manejo de pragas é receita de bolo. Isso muda a cada ano, devido às condições climáticas e a maior ou menor incidência de determinada praga”, diz Ferla, que já passou a adotar o monitoramento em cerca de 60% de suas lavouras.

Segundo Ferla, além de sentir o impacto no bolso, com a redução dos custos de produção, o manejo de pragas também passa maior segurança para o produtor, uma vez que ele conhece melhor as pragas, acompanha mais de perto o que está acontecendo na lavoura e tem a certeza de fazer a aplicação certa, no momento correto, de modo a surtir efeito.

IMPACTO - A diminuição da quantidade de aplicações de inseticidas também contribui para a redução dos danos ambientais. Um dos efeitos imediatos é o aumento das populações dos inimigos naturais das principais pragas que atacam a lavoura.

Como o controle químico das pragas é feito somente quando a incidência atinge níveis altos, com potenciais de danos econômicos, alguns indivíduos permanecem na lavoura e servem como alimento para estes inimigos naturais, que acabam fazendo o controle biológico natural. Assim viabiliza-se uma técnica de controle alternativo e gratuito. Além disso, quando necessário o controle químico, ele é feito com produtos específicos para a praga que se deseja combater.
 
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