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Notícias

12/09/2016

Inoculação de cobertura aumenta produtividade da soja

A soja é conhecida por seu alto potencial de fixar nitrogênio biologicamente. Por meio da simbiose com bactérias do gênero Bradyrhizobium se formam em suas raízes pequenos nódulos onde ocorre a transformação do N2 atmosférico em compostos assimiláveis pela planta.

“Acontece que, falando de uma cultivar de ciclo médio, por exemplo, depois de 70 dias esse número de nódulos vai caindo. Então, quisemos testar uma estratégia para manter ou até aumentar essa quantidade”, afirma Luiz Gustavo Moretti, mestre em Agronomia pela Unesp Ilha Solteira, SP.

Em parceria com a Embrapa Soja e com fomento da Agrisus, ele mostrou ser viável, por meio de inoculações de cobertura, influenciar na formação dos nódulos, aumentando a fixação de nitrogênio na fase de enchimento de grãos da soja – que é quando a planta mais demanda esse nutriente. Hoje, tradicionalmente, a inoculação ocorre apenas via semente para viabilizar as bactérias no solo e permitir que elas colonizem a raiz da planta.

Em regiões do Mato Grosso do Sul e Goiás, Moretti teve contato com produtores que faziam a inoculação de cobertura em caráter corretivo. “Em função de algum contratempo na inoculação no plantio, eles tentavam compensar falhas no processo com a aplicação de nitrogênio em cobertura”, explica. Sua pesquisa de mestrado mostrou que a inoculação no plantio é indispensável, sendo o suplemento em cobertura um adicional que pode aumentar a produtividade na lavoura.

Durante a safra 2015/2016, na Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão da Unesp, no município de Selvíria, MS, nos talhões onde foi feita a inoculação via semente associada a inoculações de cobertura a produtividade média da soja foi de 4.300 a 4.500 kg. Já no tratamento padrão, só com inoculação via semente, a colheita não ultrapassou os 3.600 kg de grãos/ha. “Considerando os resultados, estamos falando de até 900 quilos a mais”, diz o pesquisador.

Palhadas

Nos experimentos conduzidos em Selvíria também foi analisada a eficiência do inoculante em cobertura para condições de sequeiro e irrigado com três palhadas diferentes – braquiária, crotalária e milho – em sistema de plantio direto (SPD). De acordo com Moretti, tendo umidade, a inoculação de cobertura é eficiente em todos eles.

O que muda é a qualidade para desenvolvimento das bactérias. Nesse quesito, a braquiária sai na frente, seguida pela crotalária e o milho. Confira:

Braquiária: “A vantagem da ruziziensis é sua uniformidade e quantidade, que criam um bom microclima para a bactéria”, explica o pesquisador. Como a palhada da braquiária é bastante densa, especialmente com ela, a irrigação e condições de pluviosidade foram importantes para lixiviar os microrganismos pela palhada e fazê-los atingir os primeiros centímetros de solo, facilitando a chegada até a raiz.

Crotalária: “Enquanto isso, nas condições de Cerrado, a crotalária é tida como um dos melhores adubos verdes que existem”, argumenta Moretti. Segundo ele, por ser uma leguminosa, ela apresenta decomposição muito rápida, o que significa que em 30, 40 dias, deixa pouca palha sobre o solo.

“Se isso é negativo por um lado, já que a área fica desprotegida, para uma pulverização em cobertura é bom, porque você não vai ter palhada em cima e fica mais fácil o contato da bactéria com solo e raiz”, diz. A rápida ciclagem de nutrientes ainda favorece a ação dos microrganismos.

Milho: Quanto ao milho, a palhada desuniforme, com muito colmo e pouca folha, não gera um ambiente exatamente favorável ao desenvolvimento das bactérias. “Mas ao mesmo tempo estamos falando da principal cultura de segunda safra, que com inoculações em condições úmidas também traz resultados positivos”, completa o pesquisador.

A hora certa de fazer a inoculação de cobertura

Respeitada a necessidade de ter um ambiente úmido, seja graças à irrigação ou condições de precipitação, é preciso acompanhar os estádios de desenvolvimento da soja para obter os melhores resultados.

Pulverizando três doses de inoculante, o produtor pode escolher os melhores momentos entre as seguintes opções: V1, V3, V6, R1 ou R3. De acordo com Moretti, entre V3 e V6 (25 e 50 dias) estão os estádios mais propícios, uma vez que os nódulos estarão ativos no enchimento de grãos. “A partir de R1, a lavoura costuma estar mais fechada, o que dificulta, na prática, esse tipo de pulverização”.

As três doses de inoculante em cobertura somadas devem ter um total de 3,6 milhões de células da bactéria. A dose total administrada corresponde a 300 ml (inoculante) diluídos em 150 L de água por hectare com jato dirigido no solo.

Demanda de nitrogênio da soja

A soja é uma cultura que demanda altos volumes de nitrogênio para se desenvolver. Para cada tonelada são necessários 80 kg N. Como a produtividade média brasileira é de 3 ton/ha, seriam necessários, portanto, 240 kg de N/ha. Diante desse cenário, a fixação biológica é a forma mais barata de suprir a necessidade da planta.

“Hoje, se quiser fazer a adubação de 100 kg de N em cobertura na lavoura, o produtor gasta de R$ 250 a R$ 300/ha com ureia. Enquanto isso, três aplicações de inoculante custam entre R$ 30 e R$ 45”, afirma Moretti. Em ambos os casos, os custos operacionais não foram computados.

Além da vantagem de aumentar a produtividade quanto feita corretamente e ter um custo muito menor do que qualquer adubação, a suplementação de cobertura lida com um problema que só a inoculação no plantio não consegue evitar. “Trata-se da questão da estirpe (cepa) estar no solo de forma latente, o que significa que ela está ali, mas não totalmente ativa. Agora, quando a gente faz uma inoculação suplementar a bactéria está ativa, então, você sabe que aquela quantidade que você está jogando, aquilo vai formar colônias na raiz”.

Autor:
Marina Salles

Fonte: