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22/10/2013

CIB denuncia “erro alarmista” da Revista Galileu contra transgênicos

O CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia) divulgou artigo denunciando o que qualifica como “conteúdos alarmistas sobre organismos geneticamente modificados (OGM) na internet”. “É o caso da matéria ‘Sete alimentos transgênicos que você deveria evitar’”, publicada pela Revista Galileu, da editora Globo, baseada em um texto originalmente publicado no Blog Care2. A reportagem, de acordo com os especialistas Adriana Brondani, Luciana Liboni e Marcelo Gravina, “comete erros” que precisam ser “elucidados”.

O primeiro ponto do artigo afirma que a “comunidade científica internacional reconhece biossegurança de transgênicos”. “Embora, de fato, haja desinformação a respeito dos OGM, a falta de conhecimento ocasiona o equívoco de considerar esses produtos inseguros, não o contrário. Nunca foi registrado impacto negativo na saúde humana ou animal nos mais de 15 anos em que os transgênicos são amplamente utilizados em, pelo menos, 50 países. Afirmação contrária a essa não encontra respaldo na literatura científica mundial”, sustentam.

O artigo cita um balanço da Comissão Europeia divulgado em 2010: “a principal conclusão é a de que “não há nenhuma evidência científica associando os OGM a maiores riscos que as suas variedades convencionais”. “Além da referência bibliográfica da Comissão Europeia, há diversos estudos científicos internacionais que ressaltam os benefícios para o meio ambiente oriundos do cultivo de transgênicos. Um exemplo é a pesquisa da Graham Brookes e Peter Barfoot (2011), segundo a qual houve redução no uso de inseticidas nas lavouras desde a adoção das culturas transgênicas em 1996. No Brasil, uma estimativa da consultoria Céleres para os próximos 10 anos indica que o Brasil pode economizar cerca de US$ 80 bilhões com a adoção da biotecnologia agrícola. O estudo prevê a redução do uso de 133,95 bilhões de litros de água (em virtude da diminuição de aplicação de defensivos químicos), volume suficiente para prover as cidades de Recife e Porto Alegre por um ano”.

Outro ponto contestado afirma que os transgênicos “não causam alergias nem são tóxicos para a saúde humana – Também é preciso esclarecer que alergenicidade é uma reação adversa que certos grupos de alimentos podem causar. Basicamente, onze grupos de alimentos provocam 90% das alergias. Entretanto, essas reações independem de o alimento ser transgênico ou não. Até hoje, não há estudos que comprovem a ocorrência de alergenicidade associada ao consumo/ingestão de OGM. Neste ponto, deve-se observar que os transgênicos também podem apresentar teores nutricionais mais elevados”.

Os especialistas ressaltam ainda que a biotecnologia tonou a produção de substâncias mais fácil e segura. “Para além da alimentação, hoje, graças às técnicas de biotecnologia moderna, é possível produzir por meio de microrganismos geneticamente modificados substâncias que antes eram obtidas via métodos menos estáveis e potencialmente mais inseguros. A insulina, por exemplo, até a década de 1980 era extraída de gado e de suínos e, frequentemente, causava alergias. De lá para cá, foi desenvolvida a técnica que permite que ela seja produzida por microrganismos transgênicos, o que a tornou mais segura e aumentou a eficiência dos tratamentos. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à produção do hormônio do crescimento (hGH), hoje feito de maneira segura a partir de técnicas da biotecnologia. Anteriormente, ele era extraído da hipófise de cadáveres e houve casos de pessoas que se contaminaram com doenças neurológicas”, exemplificam.

Por fim, eles lembram que a legislação sobre transgênicos no Brasil é reconhecida por seu rigor e estabilidade. “Os transgênicos disponíveis comercialmente são submetidos a rigorosas análises de biossegurança – avaliações pelas quais não passam os alimentos convencionais. Só depois disso são aprovados para cultivo e consumo. O País possui um sistema regulatório complexo, eficiente e respeitado mundialmente. A Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/05) exige que qualquer OGM passe pela avaliação criteriosa da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, a CTNBio, formada por 54 doutores em todas as áreas relacionadas à segurança dos transgênicos. A rotulagem dos produtos transgênicos nada tem a ver com questões de segurança do produto e não é um sinal de alerta para o consumo. Trata-se de respeitar o direito de informação do consumidor, que pode, assim, escolher o que deseja comer”, concluem.

Adriana Brondani é graduada em Ciências Biológicas, possui mestrado e doutorado em Bioquimica, todos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS). É diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Luciana Liboni é graduada em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), possui mestrado, doutorado e pós-doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos pelas instituições Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP) respectivamente. É conselheira do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Marcelo Gravina é graduado em Agronomia e possui mestrado em Microbiologia Agrícola e do Ambiente, ambos pela Universidade Federal do Rio grande do Sul (UFRGS), e doutorado em  Fitopatologia e Biologia Molecular pela University of Wisconsin. É professor associado da UFRGS e conselheiro Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

Autor:
Leonardo Gottems

Fonte: