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19/09/2016

Início do plantio anima a "capital da soja"

As primeiras gotas de chuva que caíram há cerca de um mês em Sorriso eram o que faltava para restaurar a confiança no município. Mesmo abaixo do ideal, a umidade garantiu o início do plantio de soja no município do médio-norte de Mato Grosso na sexta-feira, como permitido por lei depois de cumprido o período de vazio sanitário, quando a semeadura é proibida para reduzir o risco de proliferação de pragas.

E a expectativa dos produtores sorrisenses é das melhores. Eles esperam colher cerca de 2,1 milhões de toneladas do grão nesta safra 2016/17, conforme estimativas do sindicato rural local baseadas nas primeiras previsões pluviométricas auferidas por institutos de meteorologia. Se o número for confirmado, a produção voltará ao patamar do ciclo 2014/15, já que na temporada passada estiagens de mais de 20 dias prejudicaram a produtividade em fazendas da região.

Diante dessa tendência de recuperação, Sorriso, figura fácil nos rankings dos maiores municípios produtores de soja do país e símbolo do agronegócio em Mato Grosso, faz jus ao nome. Os grãos que serão colhidos não só encherão as sacas que partirão para os armazéns mais próximos ou serão destinadas à exportação, principalmente para a China. Serão, como de costume, a moeda mais valiosa na região, usada para pagar desde uma consulta médica até um fogão novo.

"Na safra passada, ficou 30 dias sem chover na minha propriedade. Agora tenho que plantar e colher mais, sem ampliar a área plantada e com os pés no chão", diz o produtor Tiago Stefanello. Gaúcho de Ibirubá, ele é agrônomo de formação, e há oito anos decidiu assumir o ofício de agricultor, herdado do pai. "O produtor é otimista por natureza e eu não fujo à regra", admite.

Stefanello vai semear os mesmos 520 hectares do ciclo 2015/16, ainda que tenha tido de replantar 40% dessa área com a oleaginosa na temporada passada e de tenha amargado uma produtividade bem abaixo de sua média histórica. Às 5h30 da manhã da última sexta-feira, com a ajuda de pivôs de irrigação, suas plantadeiras já percorriam essa área jogando sementes de soja no solo. O produtor transbordava otimismo. Já resolveu inclusive investir em um galpão climatizado e na aquisição de mais uma plantadeira.

Ruy Baron/Valor - O produtor Tiago Stefanello, que vai manter área de 520 hectares na nova safra
Conhecida como a "capital do agronegócio", epíteto conferido pelo meio agrícola nacional, chancelado pelo Ministério da Agricultura e lembrado nas placas de trânsito espalhadas por ruas, avenidas e perimetrais, Sorriso vem de uma temporada agrícola marcada por um índice de chuvas nos meses de plantio - entre setembro a dezembro - equivalente à metade dos padrões registrados na região.

O município decretou situação de emergência, a partir de fevereiro, para áreas de soja, milho, algodão e feijão afetadas pela estiagem, e pediu prorrogação para agosto. O objetivo era facilitar a renegociação de dívidas dos agricultores com crédito rural nas instituições financeiras.

As chuvas irregulares na safra passada levaram a episódios curiosos no município. Segundo relatos de moradores, houve casos de fazendas divididas apenas pela BR-163, que ficaram em situações opostas: em uma choveu e na outra não.

"Houve uma retração na economia da cidade por conta do déficit hídrico que tivemos, mas não foi tão impactante como em outros Estados. Além do mais o produtor de Sorriso é muito capitalizado, e boa parte estava preparada para essa pancada de 2015/16", diz o secretário municipal de Agricultura, Afrânio Migliari, que já compôs o secretariado de Blairo Maggi, quando o hoje ministro da Agricultura foi governador do Estado.

"Isso fez com que a gente mantivesse o astral, mesmo depois do caos da seca", acrescenta o secretário. A prefeitura de Sorriso prevê que a arrecadação tributária do município em 2017 até cresça por volta de 14% para R$ 286 milhões, puxada pelos impostos territorial urbano (IPTU) e rural (ITR), e o sobre serviços (ISS).

O otimismo da prefeitura não é à toa. Os negócios já fluem melhor na cidade tomada por revendas de insumos agropecuários, concessionárias de máquinas e de veículos. Pedro de Morales Filho, dono da Safras, empresa que comercializa grãos, diz que a soja no mercado futuro já está sendo negociada a R$ 58 a saca para Sorriso, enquanto na mesma época do ano passado, estava em R$ 51.

Já o gerente de serviços da Amazônia, concessionária da New Holland, de máquinas agrícolas, Beto Picazevicz, afirma que mesmo depois de a inadimplência ter dobrado ao fim da safra passada, a expectativa é de vendas 10% maiores. Com base em pesquisas de intenção de compra com produtores, ele acredita que a tendência é de retomada das aquisições de colheitadeiras a partir de janeiro do ano que vem.

Há outro fator favorável aos produtores. Por conta da queda do dólar, o preço do fertilizante, insumo básico na atividade, recuou: de um equivalente a 28 sacas de soja por tonelada no ano passado para 18 sacas agora, se vendido a prazo. É o que diz Nelson Castro Junior, gerente comercial da Agroverde, revenda de agroquímicos de Sorriso.

O ânimo com a nova safra na região contagia desde o vendedor de máquinas agrícolas, passando pelo corretor de imóveis até o lojista do centro da cidade. Todos mostram entusiasmo quando o assunto são as expectativas para as vendas do comércio e do setor de serviços, reflexo de um cenário de otimismo em relação à agricultura local.

"Em janeiro, um fazendeiro entrou na minha loja para comprar lonas e ferramentas e fez uma aposta comigo de que ia demorar para voltar por conta da crise, mas em agosto já voltou. Ali, senti que as coisas vão melhorar", disse Dumontiê Diniz, gerente da Hiper Gotardo, especializada em ferramentas e implementos agrícolas e decoração para residências.

Atenta ao otimismo em relação ao setor agrícola em Sorriso, a Fix Urbanismo, incorporadora de Palmas, em Tocantins, resolveu retomar as obras de um grande loteamento destinado a um condomínio orçado em R$ 50 milhões, depois de ter segurado o empreendimento por um ano. Serão 1,6 mil lotes para construção de casas. "Estamos otimistas porque toda crise passa", afirma Adriano Mocelin, gerente administrativo da empresa.

Situação semelhante vive o comércio lojista. A Gazin, rede de eletrodomésticos paranaense com forte atuação em Mato Grosso, conseguiu bater suas metas de vendas por três meses seguidos depois de ter amargado quedas de 12% ao mês. "Nossa inadimplência já abaixou e acabamos de abrir nossa terceira loja na cidade", afirma José Roberto Corsine, gerente comercial de uma das lojas em Sorriso.

Apesar do ânimo com a economia de Sorriso, a Aprosoja do Mato Grosso, que representa os sojicultores do Estado, divulgou um alerta nos últimos dias recomendando cautela para o plantio nos primeiros dias que sucederam o vazio sanitário. A entidade avalia que as chuvas no início da semeadura ainda podem ser irregulares, embora mais constantes que no ciclo anterior.

Na mesma linha, o Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea) faz projeções mais conservadoras para a nova safra em Sorriso. O instituto estima que a produção de soja deve alcançar 1,628 milhão de toneladas, com média de 47,9 sacas por hectare, e a de milho, 1,9 milhão de toneladas, com uma produtividade de 81,5 sacas por hectare. Números inferiores aos estimados pelo sindicato rural.

Autor:
Cristiano Zaia

Fonte: