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Notícias

21/11/2013

Ex-ministro alerta que produção mundial de alimentos não acompanha a demanda

A fome é uma ameaça cada vez mais presente: a oferta de alimentos no mundo não tem acompanhado a demanda que resulta do crescimento da população e também do aumento do seu poder de compra. Há 12 anos, os estoques globais eram suficientes para alimentar o planeta por 107 dias. Hoje, os volumes disponíveis só garantem 65 dias, o que é preocupante sob o ponto de vista da segurança alimentar.
 
O alerta foi feito pelo ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues na noite de segunda-feira (18), em Maringá, no Paraná, durante o Fórum Nacional de Agronegócios promovido pela Rádio CBN. Realizado no recinto de leilões do Parque de Exposições da cidade, o evento contou com a participação de cerca de 400 convidados.
 
Segundo Rodrigues, que falou sobre o papel do cooperativismo no futuro do agronegócio, até 2020 o mundo terá que ampliar em 20% a produção de comida para dar conta da demanda que vem, em parte, do rápido processo de urbanização de nações muito populosas, como China e Índia. A evolução da renda per capita tem sido de 1,8% e 6% em média, respectivamente, nos países desenvolvidos e emergentes. Como consequência, o consumo cresce mais nesses últimos.
 
O ex-ministro, que foi nomeado em 2012 embaixador especial do cooperativismo mundial junto à FAO, disse que o Brasil poderá atender 40% dessa expansão. “Temos tecnologias prontas, produtores eficientes, terra e água”, assinalou, lembrando que em pouco mais de duas décadas, os produtores brasileiros ampliaram em 220% a produção de alimentos, para um aumento de apenas 40% em área cultivada. Em 1991, a safra nacional de grãos, colhida em 38 milhões de hectares, não passava de 58 milhões de toneladas. Na temporada 2013/14, com 53 milhões de hectares plantados, a projeção é colher 196 milhões de toneladas.
 
“Temos a agricultura mais eficiente do planeta”, pontuou Rodrigues, destacando que se o país mantivesse os mesmos níveis de produtividade de 1991, estaria cultivando atualmente mais de 120 milhões de hectares.
 
Na soma de todas as culturas, inclusive cana-de-açúcar, a agricultura brasileira ocupa atualmente 72 milhões de hectares, comentou o ex-ministro. “Parece muito? Essa área representa apenas 8,5% de todo o território nacional.”
 
Rodrigues defendeu que a sociedade brasileira conheça mais sobre a realidade do campo, de maneira a valorizar o trabalho dos produtores. “Falam muito em desmatamento, mas somos o país que mais preserva suas florestas”, acrescentou. Segundo ele, nada menos que 61% das reservas originais de vegetação estão intactas, enquanto na Europa elas não chegam a 1% do que já existiu.
 
No aspecto econômico, o agronegócio participa com 22,5% do Produto Interno Bruto (PIB), 37% dos empregos e por 36,9% das exportações. A balança comercial do setor exibe um saldo, até outubro, de US$ 85 bilhões, enquanto todos os demais segmentos totalizam não mais que US$ 2 bilhões. “Não dá para imaginar o que seria do Brasil sem a sua agropecuária”, disse.
 
Rodrigues exaltou o avanço do setor nos últimos anos, também, em áreas como geração de energia elétrica. “Um estudo aponta que a cana-de-açúcar vai responder, em dez anos, por 16% de toda a energia elétrica no Brasil.”
 
Sobre as novas fronteiras agrícolas brasileiras, ele afirmou há pelo menos 15 milhões de hectares que podem ser explorados com lavouras, ressaltando que grande parte dessas áreas estão ocupadas atualmente por pastos degradados.
 
O ex-ministro aproveitou para reclamar do tamanho dos desafios para o campo. Além dos conhecidos problemas de infraestrutura e logística, a política de crédito rural é arcaica e falta, ainda, um seguro da produção. Mesmo com seu grande potencial para exportar, o Brasil não conta com uma política comercial mais agressiva. Da mesma forma, segundo ele, é preciso valorizar mais os centros de pesquisa.
 
Sobre o cooperativismo, disse que embora seja uma doutrina ideal para países em desenvolvimento, é mais aplicada em nações desenvolvidas. “A cooperação não transforma os sistemas econômicos, mas minimiza as agressões que sofre.”
 
Cooperativas do PR devem faturar R$ 45 bi em 2013
 
Também palestrante no Fórum, o presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski, afirmou que a expectativa do segmento cooperativista paranaense é fechar 2013 com um faturamento entre R$ 43 e R$ 45 bilhões, contra os R$ 38,5 bilhões atingidos em 2012. Esse montante, acrescentou, é maior que o orçamento de 23 Estados, incluindo o Paraná. Parte é oriundo de exportações crescentes de mais de 50 produtos.
 
Koslovski citou que 56% de toda a produção agrícola do Paraná, segundo maior produtor nacional de grãos, passa pelas cooperativas, 17 das quais faturam mais de R$ 1 bilhão. “Os investimentos em 2013 chegam a R$ 2,3 bilhões, ou seja, R$ 1 bilhão a mais em comparação a 2012”, acrescentou, informando que 60% disso são direcionados para implantação ou ampliação de plantas industriais. “Estamos também ampliando de forma significativa as estruturas armazenadoras.”
 
O dirigente disse ainda que, na soma de todos os ramos, mais de um milhão de pessoas participam de cooperativas no Estado, organizações que “tem uma participação cada vez maior na economia”. Em 2012, 160 mil pessoas passaram por treinamentos realizados pelo Sescoop [Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo]. Por outro lado, a maior estrutura de assistência técnica e extensão rural, do Estado, é das cooperativas, com mais de 2 mil profissionais.
 
 
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