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Notícias

22/11/2013

Manejo correto evita perdas

Boas práticas de manejo para lidar com o mofo branco podem evitar perdas significativas da produção. A doença é séria e, se não for bem controlada, pode causar quebras na produtividade da soja de até 70%. Segundo Maurício Conrado Meyer, pesquisador da Embrapa Soja (GO), em torno de 25% da área cultivada de soja no Brasil pode estar infestada com o mofo branco, doença que ataca principalmente as hastes da soja e é causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum.

Nas últimas cinco safras, houve um aumento da ocorrência do mofo branco na soja. No Brasil, de acordo com Fernanda Cristina Juliatti, pesquisadora do Departamento Técnico da IHARA, alguns Estados apresentaram ao redor de 30% de área plantada com soja contaminada pelo mofo branco na safra 2009/2010. “Já na safra 2011/2012, algumas áreas registraram cerca de 20% de perdas na produção devido à doença”, afirma.

Para o pesquisador da Embrapa, o aumento da incidência de mofo branco na soja provavelmente teve como principais fatores o cultivo continuado de culturas suscetíveis (monocultura ou cultivo sucessivo de culturas hospedeiras), transporte de escleródios via máquinas, equipamentos e caminhões contaminados, uso de sementes piratas (com presença de escleródios) e condições de clima favorável.

Para evitar perdas significativas com a doença, Meyer explica que a principal recomendação é o manejo correto com a adoção de medidas integradas de controle. Entre elas estão a formação de cobertura de solo, controle químico e biológico, sementes sadias, tratamento de sementes com fungicidas adequados, escolha de cultivares com arquitetura de plantas e período de florescimento desfavoráveis à doença, estabelecimento de população adequada de plantas (evitando adensamento) e limpeza de máquinas, equipamentos e veículos para evitar a dispersão de escleródios (estruturas de resistência do fungo) para outras áreas.

Um exemplo de manejo correto é mostrado pela Fazenda Panorama, em Correntina (BA), propriedade da empresa SLC Agrícola - detentora de 14 fazendas no Brasil. Com um total de 21,8 mil hectares, a terra está em sua quinta safra de soja e registrou maior ocorrência da doença no ano passado. “Nós conseguimos controlar bem o fungo e, nesta safra, a quebra foi mínima. Quem não encontra a forma correta de aplicação dos defensivos e de manejo chega a ter perdas mínimas de 30%”, diz Josué Grah, coordenador de produção da Fazenda Panorama – que planta algodão, soja e milho.

Além das aplicações de fungicidas, foram realizadas a rotação de cultura (a doença não desenvolve em gramíneas como o milho), controle biológico, uso de sementes adequadas e o plantio da soja com o espaçamento maior – normalmente, a distância é de 50 centímetros e, na fazenda, a técnica foi de plantar a 76 centímetros. “Esse tipo de manejo permite maior aeração do solo e incide maior luz solar, que mata o fungo. O custo é muito alto e, para ter eficiência, é preciso aplicar na hora certa”, explica Grah.

A erradicação da doença é algo muito difícil, já que ela se encontra no solo. “Por isso, é muito importante saber qual é o histórico da propriedade para poder agir com o manejo correto e evitar quebras significativas na produção”, afirma Fernanda. Acredita-se que a transmissão por meio de sementes contaminadas seja o principal veículo de disseminação da doença. Desta forma, é recomendada a utilização de produtos com registro para Mofo branco para tratamento de sementes da soja e feijão, como o produto Certeza. Outra forma encontrada é por meio das fezes de animais alimentados com resíduos de beneficiamento de sementes contaminadas com escleródio da doença. Nestes dois casos, a disseminação na área é homogênea, causando um grande impacto de perdas logo no primeiro ano de cultivo.

“Não há variedades conhecidas que sejam resistentes ou tolerantes à Sclerotinia sclerotiorum. É difícil mudar a época de plantio ou fazer rotação de cultura. Podem ser usadas variedades cuja estrutura da planta seja mais aberta e dificulte o progresso da epidemia. Mas o mais comum e prático é o uso de fungicidas, como o Frowncide (fluazinam) e marcas comerciais de carbendazim”, afirma Sérgio Paiva, gerente de produtos da Syngenta.
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