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14/01/2014

“Nosso principal cliente é o Paraná”

Entrevista com Luiz Henrique Dividino, superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa)

Depois de ter sido ultrapassado pelo porto de Rio Grande (RS) nos embarques de soja no ano passado, o Porto de Paranaguá corre em 2014 para recuperar sua posição de segundo maior exportador do produto no Brasil, abaixo de Santos (SP). O corredor de exportação paranaense tem a missão de elevar sua movimentação de cargas, diminuir os custos gerados pela fila de navios em alto mar e agilizar os embarques na Baía de Paranaguá. As obras estruturais não são muitas. A principal aposta do porto está na gestão. Em entrevista ao Agronegócio Gazeta do Povo, o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino, fala sobre os desafios para este ano e qual será o foco de trabalho do porto, que precisa fazer “troca de pneus com o carro andando” e ainda contar com a ajuda de São Pedro para ganhar produtividade. Confira os principais trechos da entrevista.

Qual a meta para movimentação deste ano?

A nossa movimentação estimada fica ao redor de 48 milhões a 49 milhões de toneladas [em 2013, foram 46,1 milhões de t]. Obviamente estamos observando agora a colheita. Temos previsão que por enquanto dá sinais positivos. Os embarques de açúcar, em função do acidente do terminal em Santos, devem crescer, mas nós queremos mantê-los nos berços 201 e 204 para que isso não venha prejudicar de nenhuma forma o produtor paranaense. Esperamos que São Pedro ajude e não chova tanto para que nós consigamos fazer uma movimentação maior.

Esse acidente em Santos já elevou os embarques de açúcar em Paranaguá?

Sim. Na verdade, está elevando gradualmente porque não conseguimos virar a operação tão rapidamente como eles gostariam. Até porque nós já tínhamos contratos todos já estabelecidos até o final do ano [2013]. Esse acidente de Santos deixa uma lição muito importante, que é a fragilidade do sistema. Basta sair um terminal do ar lá em Santos para provocar um efeito devastador no interior de São Paulo, para quem estava produzindo, para os contratos e para os portos vizinhos, que não tinham aquela movimentação, mas vão ter de se esforçar para fazer.

Em quanto Paranaguá ainda pode ajudar Santos?

Da demanda que eles tinham programado, acredito que 1 milhão de toneladas ou um pouco mais a gente consegue encaixar aqui. Pode parecer pouco, mas é muito.

O que muda na estrutura do Porto de Paranaguá em 2014?

Pela primeira vez na história vamos entrar [com o Canal da Galheta] 100% dragado como ele deveria ser, de acordo com o projeto geométrico. Vamos instalar o primeiro shiploader [carregador] novo no primeiro semestre, dando nova potência ao sistema, trocando balanças, reformando portarias, reformando os pavimentos, que estão arrebentados hoje. Estamos concluindo o projeto que vai ampliar o pátio de triagem. Mas o maior deles é a forma como estamos tratando o ‘problema’ da safra de 200 milhões de toneladas junto com os operadores. Nós temos reuniões diárias para minimizar as perdas, no sentido de fazer o melhor para o produtor. Acho que nunca houve tanta sinergia nesse sentido. E esse vai ser o grande desafio de 2014.

Os portos no Arco-Norte podem desviar o olhar do governo federal do Sul?

Acredito que não. Esses portos quando estiverem funcionando, e isso deve demorar um pouco, porque precisa se terminar estrada e ferrovias, vão atender o segmento do Norte de Mato Grosso e as novas fronteiras, no Pará, Maranhão, e a região do Mapito [Maranhão, Piauí e Tocantins]. A nossa ideia é melhorar o nível de serviço aqui, de atendimento, para que o cliente possa reputar um preço maior no seu produto, ou seja, vamos nos preocupar com a entrega do produto. Eles lá vão trabalhar no conjunto de commodities. Nosso mercado é cativo, nosso principal cliente é o Paraná e continuará sendo, pelas condições e características. E como o porto é nacional, nós atenderemos os demais também. Não acredito de nenhuma forma que seremos prejudicados por A, B ou C.

E como fica Antonina?

O terminal privado está fazendo grandes investimentos em armazenagem. Em função do aumento, estamos conseguindo reativar o terminal Barão de Tefé, que sempre foi um sonho. Toda vez que aquilo começava a funcionar, dois meses depois parava. Agora, com essa movimentação já estamos fazendo o primeiro armazém. Arrumamos a sede, porque as pessoas não tinham onde ficar, não havia um banheiro para os motoristas. Antonina se posicionou na importação de cloreto de potássio, que é muito importante para Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e deve ter um destaque especial para isso, porque é uma plataforma de descarga que vai baratear o custo no final da ponta, que é o cooperado, o produtor rural.
Autor:
Cassiano Ribeiro

Fonte: