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Tamanho do Silo

 

A preocupação primeira deve ser com a quantidade de silagem a ser retirada diariamente. A partir daí faz-se o dimensionamento do silo, que deve levar em conta a retirada diária de todo o painel (frente) do silo numa profundidade superior a 25 cm, ou então, retirar metade do painel por dia em profundidade superior a 50 cm. As paredes laterais podem ter ângulo reto (900), o que facilita em muito os serviços de alvenaria. A largura mínima do silo deve ser 1,5 vezes a largura do rodado do trator. Sempre considere em torno de 20% a mais nas estimativas. Se o processo de ensilagem for bem conduzido o tipo de silo pode ter pouca interferência sobre a qualidade da silagem. Silos do tipo trincheira facilitam a compactação e, geralmente, possibilitam maiores quantidades de matéria verde/m3 que os silos de superfície. Contudo, os silos de superfície também permitem que se tenha silagens de boa qualidade. Nesse caso exige-se mais cuidado na compactação, principalmente no abaulamento final do silo.

 

Enchimento do Silo
O enchimento precisa ser feito rapidamente. O planejamento da operação começa na preparação da lavoura. Recomenda-se a combinação de híbridos, para explorar os ciclos diferentes, respeitando as indicações agronômicas de cada um. A divisão da área total da lavoura de silagem em dois ou mais talhões permite a colheita no ponto ideal e a otimização do uso das máquinas.

Silos menores são mais fáceis de compactar, permitindo melhor conservação da silagem. Ademais, as retiradas diárias podem ser mais profundas, o que preserva a qualidade diária do alimento.

A eficiência na retirada do ar é o segredo da boa silagem. É preciso interromper o processo de respiração, que eleva a temperatura e consome energia. Lavouras colhidas com teores de MS mais altos exigem mais cuidado na picagem, pois permitem a existência de maior quantidade de ar na massa ensilada.

Quanto maior for a compactação, maior será a densidade (em kg de MS/m3) no silo. Além do melhor aproveitamento da capacidade do silo, haverá significativa redução das perdas. A densidade ideal para a silagem de milho fica em torno de 550 kg/m3. Valores muito acima disso geralmente resultam de silagens com teores mais baixos de matéria seca, colhidas mais verdes, o que não se recomenda.

A boa compactação exige tratores pesados, quando disponível, mas principalmente, a distribuição em camadas mais finas e um tempo de compactação superior à soma tempo gasto no corte e na descarga. É preciso tirar o ar rapidamente, para inibir a respiração.

 

Fechamento do Silo
A partir do momento em que o silo é fechado com lona plástica, o processo de respiração da massa ensilada continua até que todo o oxigênio presente seja consumido. Depois disso, a temperatura diminui e se estabiliza e predomina o processo de fermentação. Durante o tempo de conservação não pode haver entrada de ar no silo.

As perdas que podem ocorrer depois do fechamento do silo são na camada superior, em contato com a lona, e decorrem da dificuldade de compactação no momento de arrematar o silo, sobretudo nos mais abaulados; da temperatura elevada (contato com a lona); e da condensação diária de vapor d’água.

Como recomendação para se reduzir as perdas deve-se buscar sempre alta densidade da silagem, resultado da boa compactação; lonas de maior espessura (200 micra ou mais); boa vedação nas laterais, evitando possíveis infiltrações; e boas cercas de proteção ao redor dos silos. A lona deve ser colocada de modo a deixar espaço para que o ar saia pela frente do silo, evitando que se formem bolsões de ar e, principalmente, que a colocação de pesos sobre a lona empurre esse ar dentro da massa ensilada, o que vai favorecer o aquecimento da forragem.

Quanto ao uso de peso sobre a lona não há uma regra geral. Se optar por lona preta o produtor deve colocar uma camada uniforme de terra para sua proteção. Nesse casso, arrematar o silo (quando do tipo trincheira) de forma menos abauladas e um pouco acima do solo, para que a distribuição de peso sobre a lona seja uniforme. No caso de se usar lonas dupla face (mínimo de 200 micras) a proteção pode ser dispensada. O uso de materiais orgânicos como capins cria um ambiente favorável a presença de roedores que podem resultar em consideráveis danos ao silo.

 

Processo de fermentação
A conservação da massa ensilada deve-se ao meio anaeróbico e a acidez produzida pela fermentação. A ausência de oxigênio impede o desenvolvimento de micro-organismos de atividade aeróbica.

Na presença de oxigênio as plantas, recém cortadas, continuam respirando, produzindo água, gás carbônico e calor, conforme representado pela equação abaixo:

  • C6H12O6 + 6 O2  →   6 CO2 + 6 H2O + Energia (Calor)

Considerações:
- Por isso o silo deve ser fechado o mais rápido possível e a silagem deve ser bem compactada. Se não tiver oxigênio o processo de respiração para e a silagem não aquece (não se perde mais energia).
- Esta energia gasta para produzir calor é a mesma energia que o animal utilizaria para produzir leite ou carne. Quanto menos a silagem aquecer mais energia sobra para o animal. 

Micro-organismos da silagem
As plantas forrageiras ao serem ensiladas já contêm uma série de micro-organismos, alguns aeróbicos (fungos e bactérias) e outros anaeróbicos. Esses micro-organismos fazem parte da microflora epifítica.

As bactérias pertencentes ao grupo dos Lactobacillus, Streptococcus, Leuconostoc e Pediococcus, são responsáveis pela produção de ácidos orgânicos, determinando o abaixamento do pH ao redor de 4,0, inibindo a ação dos Clostridium.

Os Clostridium são os micro-organismos indesejáveis, responsáveis pela produção de ácido butírico e pela deterioração da silagem. São capazes de converter o ácido lático em butirico, além de atacarem as proteínas.

O uso de aditivos microbiológicos, conhecidos como inoculantes, têm por finalidade, num primeiro momento, acelerar a redução do pH da silagem (devido principalmente a ação do ácido lático e, devido a ação de bactérias específicas),  promover também a produção de ácidos orgânicos, (principalmente o ácido propiônico) que auxiliarão a conservação da silagem após abertura do silo da ação de micro-organismos deletérios como fungos, leveduras e bactérias aeróbias.

 

Ácidos Orgânicos
Os ácidos orgânicos ou ácidos graxos voláteis são representados pelo ácido acético, lático, butírico e propiônico. Todos os ácidos orgânicos se combinam para dar acidez, entretanto, o ácido lático é o mais importante, pois é o ácido forte, responsável pelo abaixamento do pH para a faixa de 3,8 a 4,2.

Os parâmetros geralmente utilizados para avaliar a qualidade das silagens são os ácidos orgânicos, o pH e o nitrogênio amoniacal como porcentagem do nitrogênio total, para os seguintes valores:

pH........................................... 3,8 a 4,2
Ácido lático................................. 1,5 - 2,5%
Ácido acético............................... 0,5 - 0,8%
Ácido butírico............................... < 0,1%
NH3 - em % de N total não deve exceder 5 - 8%

Na figura 1 estão correlacionados os teores de MS e pH da silagem com a segurança na manutenção da sua qualidade. Nota-se que quando o corte ocorre com teores de MS mais elevados tem-se mais segurança na conservação do que em situações de corte mais cedo. No entanto, nas situações de ponto de corte mais adiantado, o corte adequado das partículas e a boa compactação são fundamentais.

 

 

Retirada da silagem
A retirada deve ser de 25 a 30 cm de todo o painel ou metade a cada dia em camadas mais profundas (maneira preferida por muitos). A finalidade é que se tenha menor desenvolvimento de fungos e leveduras na superfície da silagem, o que além de deteriorar o material pode produzir micotoxinas que causam sérios danos a saúde animal.

Na tabela 1 é apresentado um trabalho de pesquisa envolvendo 36 propriedades. Nas propriedades do grupo A notava-se a deterioração da silagem durante o inverno e o verão; nas do grupo B deterioração somente no verão e nas do grupo C não se verificava deterioração.

Constatou-se que as propriedades do grupo C tinham maior produtividade de leite que as do grupo B e que as do grupo A. Essas propriedades (grupo C) tinham maior número de silos (4 a 5); silagem melhor conservada (vide pH);  faziam maiores retiradas semanais nos silos (avanço) e suas vacas consumiam mais.