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Colheita

O corte ou colheita da lavoura de milho para silagem de planta inteira, quando na maturação adequada da planta, assegura o fornecimento de açúcares fermentáveis para as bactérias que atuam na fermentação da silagem, além de maximizar o valor nutricional do alimento que será ser fornecido aos animais.

O momento ideal de corte do milho para silagem de planta inteira, para obter uma qualidade nutricional melhor, é quando a lavoura atinge entre 30% e 35% de Matéria Seca (MS). Era considerado o ponto ideal de corte para silagem, quando os grãos apresentavam metade da linha do leite, o que ocorre a partir estádio fenológico R5.5. Porém, somente a visualização da metade da linha do leite a campo pode não ser o método mais confiável e, por isso, foram relacionados alguns aspectos importantes a respeito do ponto de vista da planta, no que se refere à formação e enchimento dos grãos, planejamento, operação e fatores que contribuem para maior assertividade no momento do corte.

De acordo com estudos realizados por Lauer (2012), os fatores de maior impacto na produtividade e qualidade da silagem são: o ponto de corte, o híbrido e a época de plantio. Na tabela 1 podemos observar que o ponto de corte em R5.5 comparado com R3 apresentou um ganho de 40% em produtividade, 15% de ganho em libras de leite/ton de MS e 38% de ganho em libras de leite por acre. Isto é reflexo do maior acúmulo de amido atingido a partir da fase de R5.5 dos grãos de milho na lavoura.

O ponto de corte é um dos fatores de maior impacto na qualidade e produtividade da silagem de milho, portanto, o planejamento e a programação da operação de corte devem atender requisitos relacionados à planta na fase ideal de colheita. A operação de corte deve ocorrer quando a espiga exibir 2/3 da linha do leite, ou seja, quando os grãos do terço médio da espiga apresentarem, aproximadamente, 70% do amido acumulado. Em condições de campo temos observado que neste ponto a planta deverá estar com, no mínimo, 30% de MS. Dependendo do híbrido, condições climáticas e práticas de manejo, a partir de 30 a 45 dias após o florescimento, a planta deverá estar se aproximando do ponto adequado de corte.

Alcance e Impacto Relativo (%) das Decisões de Gestão sobre Rendimento e Qualidade da Silagem

Fator N Ensaios Produção T/A Leite por Tonelada
Lb leite/T
Leite por Acre
Lb leite/A
Híbrido
Parte super v. Entrada Inferior
204 3.1 (39%) 477 (14%) 11.500 (43%)
Densidade da planta
22K v. 40K
31 1.2 (14%) -130 (-4%) 2900 (10%)
Data de plantio
24 de abril v. 16 de junho
28 2.2 (27%) 110 (3%) 7800 (30%)
Espaçamento entre linhas
30" w. 15"
13 0 (0%) 8 (0%) 70 (0%)
Rotação
CC v. CS v. CSW
-- ? ? ?
Fertilidade do solo
160 v. 0 lb N/A
-- Mudança de 20 a 50%
Controle de pragas
Pobre v. Bom
-- "Faça para ensilagem o que você faz para ganhar." Os limiares ecônomicos tendem a ser mais baixos.
Tempo de Colheita
Molhado v. Seco
5 4.4 (40%) 490 (15%) 12.000 (38%)

Lauer, 1995-2007 (inédito)

Tabela 1: Alcance e Impacto Relativo das Decisões de Gestão sobre Rendimento e Qualidade da Silagem. Fonte: Dr. Joe Lauer, UW State Corn Extension Specialist, Pioneer Corn Silage presentation, January 31, 2012, Johnston, Iowa.

Janela de Corte de Milho Para Silagem

Com avanços no melhoramento genético, melhoria das práticas de manejo e, principalmente, com o uso de fungicidas foliares, temos observado, em muitas situações, que lavouras com grãos que apresentam metade da linha do leite, ainda não atingiram 30% de matéria seca. Isto ocorre porque lavouras bem conduzidas tem mantido as plantas com as folhas ainda verdes na fase de enchimento de grãos. Cortes antecipados ou quando a planta ainda está abaixo do teor de 30% de MS reduzem significativamente o conteúdo de amido da silagem. À medida que o desenvolvimento do grão avança dentro das subfases do estádio R5, o conteúdo de amido vai aumentando nos grãos. Estudos recentes, conduzidos por Seglar et al. (2014) e citado por Mahanna (2015), mostraram que silagens colhidas entre o estádio R5.5 (ou metade da linha do leite) até R5.75 (ou ¾ da linha do leite), apresentaram 24% do peso de grãos e 27% em ganho de amido.

No gráfico 1, há a representação da janela de corte de uma lavoura de milho para silagem, mostrando que se o momento de corte avançar de 1/3 para 2/3 da linha do leite, o resultado será um ganho no rendimento de grãos e um consequente aumento dos teores de amido na silagem.

Incremento significativo de amido com avanço da maturação de 1/3 da linha do leite para camada preta.
Gráfico 1: Incremento significativo de amido com avanço da maturação de 1/3 da linha do leite para camada preta. Fonte: DuPont Pioneer Australia

Entendendo a Fase de R5 – Janela de corte

O entendimento de como ocorre o processo do acúmulo de matéria seca na planta e no amido, bem como a deposição deste último, maturação do grão e a perda de umidade, pode auxiliar técnicos e produtores no planejamento da operação de corte, a fim de levar ao silo, a planta com o máximo de qualidade nutricional. Quanto melhor for o estado nutricional e fitossanitário da lavoura, mais ampla será a janela de corte, o que contribuirá com o planejamento deste momento e com o incremento do teor de amido. A figura 1 ilustra bem a progressão da linha do leite.

Progressão da Linha do Leite em espigas de milho
Figura 1: Progressão da linha do leite. Fonte: DuPont Pioneer Milho Crescimento e Desenvolvimento

R5: Formação do Dente e da Linha do Leite

No estádio R5, acontece a formação do dente (figura 2), com 35-45 dias após o florescimento. Neste estádio, todos ou quase todos os grãos apresentam a formação do “dente”, que nada mais é do que uma depressão na extremidade superior do grão, indicando que o acúmulo de amido já iniciou, caracterizando o estádio de R5 (figura 3).

Exemplo de Milho em estádio R5
Figura 2: Estádio R5. Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development
Visualização da formação do dente na extremidade do grão.
Figura 3: Visualização da formação do dente na extremidade do grão, indicando que está em R5 Foto: Robson Fernando de Paula

Os grãos apresentam aproximadamente 60% de umidade no início de R5. A linha do leite é a zona de separação entre a porção branca e pastosa próxima ao sabugo e a porção sólida do amido na extremidade do grão. Os grãos estarão “secando” da extremidade para a base em direção ao sabugo, onde uma pequena e dura camada de amido estará se formando. A camada de amido aparece logo após a formação do dente, como uma linha de divisão na parte posterior. O amido acumulado é rígido acima da linha, mas ainda macio ou pastoso na parte inferior da linha do leite. Com a maturação, a camada endurecida de amido avança em direção do sabugo. Estresses ambientais durante este estágio reduzem peso de grãos devido a redução de carboidratos fornecidos pela planta.

Monitoramento do Teor de Matéria Seca e da Linha do Leite

Existem alguns métodos e/ou equipamentos bastante conhecidos para verificar a MS da planta, e indicar a correta tomada de decisão de iniciar o corte. Entre os métodos mais conhecidos estão a determinação da MS em micro-ondas e o método de Koster. Sempre que possível, o produtor deve solicitar a seu técnico a determinação exata do conteúdo de MS de sua lavoura para cortar a planta no ponto mais correto possível. Porém, na grande maioria das situações, o produtor não dispõe destas ferramentas na propriedade, então, como medida prática de determinação do ponto de corte e visualização da formação da linha do leite, o produtor deve escolher algumas espigas representativas na lavoura, quebrá-las no meio e verificar a porção posterior do grão ou contrária ao embrião, observando a formação da linha do leite ou da camada dura de amido (figura 4).

Como sugestão prática para visualizar o avanço do acúmulo do amido nos grãos de milho no campo, será preciso cortar a parte posterior do grão e da extremidade para a base. Assim, será possível verificar quanto a porção mais dura representa na composição do grão e, se 2/3 já estiverem com amido acumulado, este é o momento correto de colher a lavoura (figura 5). Na figura 6, temos uma situação prática de campo que ocorreu em uma lavoura muito bem conduzida com o híbrido P3456H, na safra de verão 2015/16, onde a tomada de decisão para a colheita das plantas para silagem foi baseada no método prático de visualização da linha do leite. No momento da amostragem, as espigas apresentavam os grãos com aproximadamente 2/3 da linha do leite e, em análise de laboratório, foi verificado que a lavoura estava com 36% de MS. Nesta fase, as plantas apresentam a palha da espiga já seca, enquanto que as folhas ainda estão verdes, e este também é um bom indicativo de que o ponto de colheita está próximo ou no momento certo de realizá-lo. É importante ressaltar, que isto pode variar entre híbridos, condições ambientais e estado fitossanitário e nutricional das plantas na lavoura. Outro indicativo prático de que a planta está se aproximando do ponto de colheita, é quando as espigas apresentam folhas verde-pálido e as bordas marrom claro (figura 7).

Visualização da Linha do Leite.
Figura 4: Visualização da linha do leite Foto: Robson Fernando de Paula
Método prático de visualização da linha do leite a campo.
Figura 5: Método prático de visualização da linha do leite a campo Foto: Robson Fernando de Paula
Híbrido P3456H com grãos, apresentando aproximadamente 2/3 da linha do leite.
Figura 6: Híbrido P3456H com grãos, apresentando aproximadamente 2/3 da linha do leite Foto: Robson Fernando de Paula

Folhas da espiga em coloração marrom claro, como indicativo de proximidade do ponto de corte.
Figura 7: Folhas da espiga em coloração marrom claro como indicativo de proximidade do ponto de corte. Foto: Robson Fernando de Paula

Determinação da Matéria Seca em Forno Micro-ondas

Uma maneira prática e mais precisa de se estimar o teor de MS da planta de milho pode ser obtida com a utilização de um forno micro-ondas. Para isso são necessários:

  1. Um forno micro-ondas;
  2. Uma balança graduada em gramas (mínimo de 5 g de precisão);
  3. Pratos de papelão grandes e um copo de vidro (250 ml);
  4. Cinco plantas da lavoura bem-picadas ou trituradas.

A metodologia para este processo é a seguinte:

  1. Pesar o prato de papelão e anotar o valor;
  2. Colocar cerca de 300g de amostra da planta picada;
  3. Colocar um copo com ¾ de água no fundo do forno micro-ondas para evitar danos durante o uso do aparelho;
  4. Programar o tempo do forno micro-ondas para 5 minutos em potência máxima (100%) do aparelho;
  5. Após 5 minutos, retirar o prato, pesar novamente e anotar o valor. Revirar o material do prato tomando o cuidado para não perder nada da amostra;
  6. Ajustar o tempo para mais 3 minutos na mesma potência. Retirar, pesar e anotar novamente;
  7. Continuar com intervalos de 1 minuto de secagem, sempre revirando a amostra até que o peso seja constante.

É importante cuidar para não queimar o material (deixar passar do ponto de secagem), evitando que a água do copo evapore totalmente. O ideal é que a água seja trocada a cada nova sequência para evitar que ferva e espirre na amostra, alterando sua umidade e aumentando o tempo de secagem.

  1. Quando o peso se mantiver constante (não se alterar), a secagem poderá ser interrompida;
  2. Calcula-se, então, a porcentagem (%) de umidade da amostra:
    • Peso da amostra úmida (PU) = (Peso do prato (g) + Peso da amostra (g) - Peso do prato (g);
    • Peso da amostra seca (PS) = (Peso do prato (g) + Peso da amostra seca (g) - Peso do prato (g);
    • % de umidade = (PU - PS) / PU x 100;
  3. Depois de calculado o valor da umidade, determina-se a matéria seca:
    • % de Matéria Seca = 100 - % de umidade.

Sugere-se fazer três amostras de cada vez, alternando-as nas etapas de secagem. Numere os pratos e anote os pesos corretamente. O resultado será obtido pela média das três determinações.

Operação de Colheita e Processo de Corte em Ensiladeiras Automotrizes

Em função do corte estar sendo feito por máquinas automotrizes e pelo aumento do uso de ensiladeiras no mercado, gostaríamos de chamar a atenção de produtores e técnicos sobre algumas questões importantes nos ajustes e regulagens que devem ser adotadas para que o corte seja realizado com sucesso.

As plantas são cortadas entre 20 e 30 centímetros de altura pela plataforma de corte, e caminham deitadas em direção aos rolos alimentadores que são responsáveis por comprimir o material e direcioná-lo ao cilindro, com velocidade proporcional ao tamanho de picado desejado. Atravessando cilindro de corte, o milho picado passa pelo processador de grãos ou cracker. O processador de grãos é responsável por quebrar e/ou romper o tegumento do grão, para que este possa ser fermentado juntamente com a massa de MS.

Outra grande responsabilidade do processador de grãos é a manutenção da integridade da fibra da planta, fundamental para uma boa digestibilidade animal. Passando pelo processador de grãos, o material é direcionado ao impulsor que, por sua vez, direciona a calha e então descarrega o material processado para o caminhão. Quando se fala em forrageiras autopropelidas, o ponto principal é a possibilidade de se cortar o milho com teor de matéria seca mais elevado (entre 38% – 42%) justamente para ter maior proveito da energia e nutrientes contidos no grão. Outro ponto muito importante é a alta capacidade operacional de uma forrageira autopropelida, a qual garante o corte do milho nesse ponto ideal, conforme informações cedidas pelo Engenheiro Agrônomo, João Freitas, da John Deere (figuras 8 e 9).

Sistema de processamento de uma máquina forrageira John Deere série 8000
Figura 8: Sistema de processamento de uma máquina forrageira John Deere série 8000. Fonte: Imagem gentilmente cedida pela John Deere)
Detalha o fluxo ou caminhamento das plantas durante o processamento na operação de colheita.
Figura 9: Detalha o fluxo ou caminhamento das plantas durante o processamento na operação de colheita. Fonte: Imagem gentilmente cedida pela John Deere

O tamanho da partícula e o adequado processamento de grãos são absolutamente essenciais para a silagem de milho. O processamento de grãos impacta na porcentagem de digestão do amido, enquanto que o tamanho da partícula impacta na ruminação apropriada.

No planejamento da colheita, é importante estabelecer um check-list para a ensiladeira, a fim de assegurar que a silagem será bem processada. A certeza de um bom processamento de grãos começa várias semanas antes da colheita. Deve-se verificar se toda a ensiladeira está em boas condições, especialmente as facas e o rolo processador, ou cracker. Facas gastas e barra de corte desgastada devem ser repostas para prevenir cortes irregulares no tamanho das partículas. O cracker deve ser checado em toda a sua extensão com o objetivo de verificar o desgaste dos dentes. O desgaste irregular pode ser evitado, diminuindo o espaço entre os rolos. Elevadas horas de operação favorecem que as bordas externas dos rolos encostem, o que deixará um espaço indesejável no meio.

Certificando-se que a Colhedora de Forragem está Pronta

A integridade das peças em funcionamento e as horas de uso efetivo dependem do tipo de solo e outros fatores ambientais. Lavouras de milho produzidas em solo arenoso, com baixa altura de corte ou muito próximo da superfície do solo resultam em maior desgaste, o que pode reduzir a vida útil dos rolos do cracker. Outros fatores incluem o tamanho do rolo e o número de dentes por polegada. Opções de velocidades diferenciadas, mais agressivas, também podem afetar a vida útil dos rolos. Os rolos devem ser substituídos se estes mostrarem sinais de desgaste. Os rolos do cracker devem ser inspecionados a cada 400 - 600 horas de uso.

A velocidade do rolo determina o tamanho teórico da partícula. Menores velocidades produzem tamanhos menores de partículas porque menos forragem é empurrada através do tambor ou cilindro de corte em determinado tempo. Isto resulta na capacidade de colheita de poucas toneladas por hora, o que requer maior tempo de colheita e processamento adequado da cultura. Entretanto, este tempo extra de processamento será compensador, uma vez que o produtor estará fornecendo uma silagem bem processada e de alta qualidade, que contribuirá para a produção de leite e aumento da rentabilidade.

Regulagens das Ensiladeiras

Depois de inspecionar a plataforma de corte, é importante verificar a distância dos rolos do cracker, que deve ser de 1 a 2 mm para assegurar a quebra de todos os grãos. Se o espaço entre os rolos exceder a espessura de uma moeda de cinco centavos (1,2 mm) deve-se ajustar o espaço. Para ensiladeiras montadas, deve-se atentar para a afiação das facas e a regulagem das contra-facas, que devem ter de 0,2 mm a 0,5 mm de distância entre elas (figura 10).

Sistema de processamentod e uma ensiladeira
Figura 10: Sistema de processamento de uma ensiladeira. Fonte: EdCentaurus

O tamanho recomendado das partículas da planta, dever ser de 1 a 3 cm, ou então, estar de acordo com os parâmetros da metodologia padrão de avaliação da Penn State Box (figura 11).

Separadores Penn State Box para avaliação do processamento das partículas
Figura 11: Separadores Penn State Box para avaliação do processamento das partículas. Fonte: http://extension.psu.edu/animals/dairy/nutrition/forages/forage-quality-physical/separator

Todas as forrageiras autopropelidas disponíveis no mercado contam com um sistema que permite variar o tamanho das partículas com um simples ajuste feito a partir da cabine. Por exemplo, nas forrageiras da marca John Deere, o cilindro de corte é equipado com 48 facas, e é possível variar o seu comprimento de corte de 6 a 22 mm.

Variáveis que Impactam o Processamento da Silagem de Milho

Todas as marcas de ensiladeiras automotrizes (dotadas de processadores) em boas condições de trabalho podem entregar uma silagem de milho bem processada, desde que o produtor, ou prestador do serviço de colheita, atente para a condição da lavoura a ser colhida. Uma boa planta cortada ou colhida no momento correto, bem como o tamanho de partículas e processamento de grãos adequados, são absolutamente fundamentais para a obtenção de uma silagem de elevado valor nutricional.

A relação grão-palha, ou grão-parte aérea da planta da lavoura, impacta no volume de grãos que irá passar pelos rolos do cracker. Quanto mais elevado o conteúdo de grãos na massa a ser processada, maior será a necessidade de um processamento mais agressivo. Algumas vezes isto significa reduzir o tamanho da partícula para atingir o melhor processamento de grãos numa silagem com alto conteúdo de amido.

A umidade da planta no momento de colheita também impacta o processamento de grãos. Plantas com baixo teor de umidade, ou alto teor de matéria seca, terão maior conteúdo de amido. À medida que colhemos “mais seca”, podemos diminuir o tamanho de corte. Isto pode reduzir fibra efetiva, mas assegurará a compactação adequada da forragem mais seca no silo. Se os ajustes ou regulagens no cilindro de corte e do cracker não estão produzindo o resultado esperado em termos de processamento de grãos, será preciso inspecionar a velocidade diferencial dos rolos do cracker. O rolo superior deve girar mais rápido do que o rolo inferior. Diferenças de 10 a 15% são comuns.

Se o processamento de grãos não está atendendo suas expectativas, tente instalar uma engrenagem pequena no rolo superior. Isto resulta numa velocidade diferencial que excede 20%. Alguns fabricantes têm projetado crackers com rolos que comportam velocidades diferenciais de 30 a 50%. É importante ressaltar que devem ser seguidas as recomendações de ajustes específicos do fabricante da máquina.

Monitoramento do Processamento da Silagem de Milho

Alguns laboratórios oferecem avaliações utilizando metodologias cientificamente comprovadas através de uma sequência de nove peneiras de diferentes malhas, como Ro-Tap System, para quantificar o processamento da silagem de milho (figura 12). O Ro-Tap System é um sistema de agitação das peneiras, que produz uma nota que se refere ao grau de processamento da silagem – em inglês, Kernel Processing Score. Esse procedimento que determina o escore de processamento de grãos onde os valores são dados para porcentagem de amido que passa através da peneira de 4,75 mm. Vejamos as diretrizes de interpretação do KPS (Kernel Processing Score), proposto por Mertens (2005), usado para mensurar o grau de fracionamento do grão na silagem de milho:

  • Menos de 50% = inadequado
  • 50% a 70% = normal
  • 70% = ótimo
Ro-Tap System - Conjunto de Peneiras para avaliação de qualidade do processamento de grãos.
Figura 12: Ro-Tap System - Conjunto de peneiras para avaliação da qualidade do processamento de grãos. Foto: Bill Mahanna, DuPont Pioneer Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o Dairyland Laboratories, Inc. sumarizou os valores de amostras de 2009 a 2014 e dividiu os níveis de amido encontrados em baixo, médio e alto. Silagens com baixos teores de amido apresentam maiores porcentagens de valores inadequados de KPS. Estas diferenças nos valores de KPS provavelmente existem porque à medida que a maturação da planta avança e com o declínio dos teores de umidade, a deposição de amido aumenta. Isto resulta num grão mais seco que será mais bem fraturado pelo cracker em pequenas partículas. Em altos níveis de umidade, com menos amido e mais palha, uma alta porcentagem de grãos podem ser protegidos do quebramento pela palha, resultando em um grau de processamento de grãos abaixo do ideal.

Produtores e prestadores de serviços que colhem milho para silagem antecipadamente, podem não atentar para o processamento ideal de grãos, e abrir os rolos do cracker, o que resultará em um KPS menos agressivo. Embora muitos produtores tenham conseguido atingir níveis de KPS satisfatórios, existe um espaço de melhoria nas regulagens ou ajustes dos rolos do cracker para atingir o processamento de grãos adequado.

Enquanto o KPS é um excelente teste, a apuração do momento de colheita não permite determinações que sejam pontuais, assegurando que a cultura colhida esteja sendo processada adequadamente em termos de KPS e tamanho de partículas. Por isso se faz necessário um sistema de monitoramento para usar durante a colheita e, então, determinar o grau de processamento de grãos.

Os produtores podem inspecionar o quebramento de grãos durante o descarregamento da massa verde no silo, e notificar o operador da máquina se houver necessidade de fazer alguns ajustes para melhorar o processamento de grãos. A efetividade do processamento pode mudar de lavoura para lavoura e de um dia para outro, desta forma, é importante monitorar o processamento de grãos durante toda a colheita. Amostras devem ser conferidas pelo menos uma vez por dia e também quando a máquina colher uma lavoura de outra área. Em alguns casos, o produtor precisa inspecionar todo o descarregamento da massa verde no silo.

O Copo de Monitoramento de Processamento de Grãos em Silagem de Milho é uma rápida e simples técnica de campo para monitorar o grau de processamento (figura 13). Especialistas em silagem da DuPont Pioneer ao redor do mundo têm usado este método para coletar amostras de massa fresca processada com o copo no volume de um litro. Após coletar a amostra, espalham-na em numa superfície plana e limpa para, manualmente, escolher, separar e contar todos os grãos maiores que uma metade de grão. Com esta técnica, é preciso estar atento sempre para o adequado processamento de grãos, pois somente trincar ou amassar os grãos não é suficiente. É fundamental que em torno de 95% dos grãos sejam quebrados e que 70% dos grãos sejam fracionados em partículas menores que ¼ do tamanho dos grãos, ou em partículas menores de 4,75 mm. O padrão de quebramento ideal é não mais que dois inteiros ou metades de grãos por amostra.

Embora o produtor e o prestador de serviços possam acordar em outros graus de processamento, a contagem nunca deverá exceder quatro grãos inteiros ou metades. O copo de monitoramento não foi desenvolvido para quantificar o grau de processamento dos grãos de maneira tão precisa como o sistema de laboratório Ro-Tap. Entretanto, pode ajudar os produtores de silagem a monitorar e adotar o processamento de grãos mais adequado.

Muitas propriedades que produzem silagem, principalmente leiteiras, têm atentado para decisões de gerenciamento do negócio que propiciem a produção de leite de maneira mais eficiente e com maior nível de rentabilidade. Obter uma silagem de milho bem processada e com elevado teor de amido é a chave para um alimento de alta qualidade, podendo reduzir os níveis suplementares de grãos na dieta e diminuir custos de alimentação. Portanto, faz todo sentido na gestão do negócio, inspecionar o processamento de grãos e as regulagens da máquina forrageira antes da colheita para assegurar uma silagem de milho que contribuirá com a máxima produção de leite.

Copo de Monitoramento de Processamento de Grãos em Silagem de Milho
Figura 13: Copo de Monitoramento de Processamento de Grãos em Silagem de Milho

Referências Bibliográficas

Dr. Joe Lauer, UW State Corn Extension Specialist, Pioneer Corn Silage presentation January 31, 2012, Johnston, Iowa.
Endicott, S. 2014 DuPont Pioneer Milho Crescimento e Desenvolvimento, Johnston, IA.

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