Skip Ribbon Commands
Skip to main content
Navigate Up
Sign In

Desenvolvimento

A fase de Desenvolvimento deve considerar todas as práticas de manejo e cuidados a partir da germinação e emergência das plantas na lavoura, o que inclui as etapas de desenvolvimento vegetativo, florescimento até o enchimento de grãos.

A partir do estabelecimento da planta, é fundamental identificar os seus estádios de desenvolvimento e, dentro deles, verificar os mais importantes, e quais eventos ocorrem em cada um. Tendo estas informações em mãos, é importante levar sempre em consideração que nas fases mais críticas, a planta deverá estar livre de estresses.

Dentro das fases mais importantes, é fundamental adotar práticas de manejo adequadas. Fatores ambientais como água, radiação solar e temperatura, determinam o quanto a planta se desenvolverá e o quanto irá produzir (Hollinger, S. E. & Angel J. R. 2009). Em condições apropriadas, a planta de milho irá expressar todo o seu potencial produtivo e qualidade na silagem.

Para que a planta se desenvolva de maneira uniforme é preciso estar atento para a manutenção do estande de plantas emergidas. Entre as práticas relacionadas estão: o monitoramento e controle de pragas iniciais, como percevejos e lagartas, para evitar danos e perda de plantas; a adoção de um programa de controle de plantas daninhas, como forma de evitar problemas de fitotoxicidez de herbicidas; a adubação de cobertura para o fornecimento adequado de Nitrogênio e Potássio, nutrientes exportados em maior quantidade em lavouras de produção, principalmente de silagem de planta inteira e que contribuem excessivamente para a produção elevada de matéria seca; e o controle das doenças foliares, permitindo a manutenção da área foliar para que a planta use os recursos disponíveis para expressar um elevado potencial de produção.

Plantas bem desenvolvidas, bem nutridas e livres de doenças favorecem a manutenção das folhas no seu terço inferior, o que resulta no prolongamento da janela de corte, contribuindo para o planejamento da operação de colheita e também para a melhoria do valor nutricional da silagem.

Estabelecimento da Planta

O período crítico de estabelecimento da planta, que vai da germinação até V6, é também o momento crítico para o estabelecimento do sistema radicular (figura 1).

Plantas de milho de VE até V6.
Figura 1: Plantas de milho de Ve até V6 Fonte: Pioneer Hi-Bred

Na operação de semeadura, algumas sementes são perdidas no caminho e podem se tornar plantas produtivas, assim como plantas vencidas ou dominadas também podem produzir. A redução de população de plantas é uma das principais causas de rendimentos baixos de Matéria Verde (MV) e Matéria Seca (MS) por hectare, e também por silagens com baixos teores de amido.

Estádios de Desenvolvimento da Planta

Os estádios de desenvolvimento do milho são divididos em Vegetativos (V) e Reprodutivos (R). Cada estádio V ou R é definido quando 50% das plantas estão na mesma fase.

Figura 2: Estádios vegetativos e reprodutivos da planta de milho. Fonte: Iowa State University Extension e DuPont Pioneer

Os estádios de desenvolvimento da planta considerados mais críticos aos estresses são:

  1. Germinação – Emergência = Número potencial de espigas por hectare
  2. V6 – V7 = Número de fileiras por espiga
  3. V15 – VT = Número de grãos por fileira
  4. R1 – R2 = Polinização e número de grãos

Nestas fases, a planta de milho precisa estar, o máximo possível, livre de estresses.

Veja agora o detalhamento de cada um dos estádios e o que ocorre na planta em cada um deles, para que as práticas de manejo requeridas para cada fase sejam adotadas com precisão, minimizando prejuízos ao rendimento final e maximizando o valor nutricional da silagem.

Germinação

O local onde a semente será alojada deve estar apropriado para a germinação e emergência adequadas, o que inclui: umidade, temperatura e contato da semente com o solo. Uma vez no solo, a semente irá absorver até 30 a 35% de umidade na germinação, para então iniciar o seu crescimento. Este processo é conhecido como embebição e é o primeiro passo da germinação. A radícula, ou raízes primárias, se elongam a partir da semente, e em seguida, a partir do coleóptilo crescem na direção oposta (figura 3). Sob condições ideais, a elongação do coleóptilo ocorre após 1 dia da emergência da radícula, e então cresce, aproximadamente 2 cm, para a superfície do solo, onde ocorre a diferenciação do mesocótilo.

Figura 3: Processo de germinação. Início elongação da radícula. Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

Ve: Emergência

A planta passa para Ve quando o coleóptilo rompe a superfície do solo, antes da emergência da primeira lígula ou colar foliar (figura 4). O número de dias entre o plantio e a emergência varia de acordo com as condições ambientais, principalmente, a temperatura. A plântula irá emergir quando forem acumuladas de 99 a 120 unidades de calor (Soma Térmica) ou Graus-dia de Desenvolvimento (GDD) após o plantio.

O mesocótilo é o entrenó de tecido branco, localizado entre a semente e o nó coleoptilar, que se expande para mover o coleóptilo para a superfície do solo. O sistema radicular seminal é formado pela radícula e raízes seminais (figura 5).

Figura 4: Planta em Ve – Emergência Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development
Figura 5: Planta completa em Ve Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

V1: Estádio Vegetativo 1

Junto com a germinação, a emergência é o momento em que se inicia a “construção” de uma planta produtiva. Nesta fase devem ser evitados quaisquer fatores de estresse, uma vez que em V1 a planta é bastante suscetível à perdas em decorrência do ataque de pragas (lagarta rosca, larva-arame, Spodoptera e percevejos) e pode haver morte de plantas por residual de determinados herbicidas em áreas de produção de culturas Horti-Fruti granjeiras.

Plantas de milho com o primeiro colar foliar, ou lígula visível, são identificadas como plantas em V1. A extremidade da primeira folha é arredondada em contraste com todas as outras folhas que são pontiagudas (figura 6) e serve como um ponto de partida para a contagem das folhas seguintes. O método mais usado para a determinação dos estádios de desenvolvimento em milho, recomendado pela State University é o Leaf Collar Method.

Em V1, o ponto de crescimento está abaixo da superfície do solo, onde um ou dois nós – ou coroas – podem ser visualizados. O ponto de crescimento deverá permanecer abaixo da superfície do solo até V6.

Figura 6: Planta completa em V1 Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

V3: Estádio Vegetativo 3

Plantas em V3 apresentam 3 folhas completamente expandidas, ou seja, 3 folhas com os colares foliares visíveis (figura 7). Abaixo da superfície do solo, as raízes nodais e seminares apresentam aproximadamente o mesmo tamanho. Todas as folhas e primórdios, ou gemas de espigas, que a planta irá produzir se formam de V3 a V5.

Previamente, de V3 a V6, a planta se sustenta em pé porque ocorre a combinação das folhas que ainda estão encartuchadas entre si. Nos estádios vegetativos iniciais, a ocorrência de granizo, ventos fortes e geadas exercem poucos efeitos de dano no ponto de crescimento e no rendimento final, entretanto, o excesso de umidade e/ou solo encharcado pode matar a planta.

Figura 7: Planta completa em V3 Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

V6: Estádio Vegetativo 6

Neste estádio, as plantas estão com as seis primeiras folhas expandidas e com os colares foliares visíveis. Todas as folhas da planta são iniciadas neste estádio (figura 8). Cada folha é originada de um nó do colmo com um tecido internodal separando-os. O ponto de crescimento e o pendão já estão acima da superfície do solo e para visualizá-los é preciso fazer um corte transversal na planta. O sistema radicular nodal já é dominante, e as raízes nodais são emitidas a partir do 3º ou 4º nó do colmo. Além disso, neste estádio todas as gemas das espigas são iniciadas e a gema da espiga principal está localizada normalmente no 12º, 13º, ou 14º nó. Até aproximadamente V7, a definição do número final de fileiras de grãos estará concluída.

Figura 8: Planta completa em V6 Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

V15: Estádio Vegetativo 15

Plantas com a 15ª folha expandida são definidas como estádio V15, e a cada 1ou 2 dias uma nova folha é emitida (figura 9). Em V15, aproximadamente 25% do total de matéria seca da planta está acumulado. As gemas de espigas do terço superior da planta continuam a se desenvolver, enquanto que as espigas do terço inferior cessam o crescimento. As duas gemas superiores são similares em tamanho, mas a espiga superior recebe mais recursos dos fotoassimilados da planta e será o dreno final, se tornando a espiga dominante. O número total de grãos por fileira está próximo a ser determinado, e ocorrerá assim que a diferenciação de grãos for finalizada (uma semana antes da emergência do estilo-estigma, quando inicia o estádio R1). O estilo-estigma da espiga superior inicia sua elongação a partir dos grãos da base.

Figura 9: Planta completa em V15 Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

VT: Florescimento

No estádio VT as plantas apresentam todos os ramos do pendão floral completamente visíveis (figura 10). Este estádio pode iniciar 2 ou 3 dias antes da completa emergência do pendão, quando estiver próximo da altura máxima da planta (contribuição no volume de MS para silagem). Todos os ramos do pendão podem não estar completamente expandidos acima das folhas superiores quando as anteras do ramo principal iniciarem a liberação do pólen, que não necessariamente irão começar e terminar ao mesmo tempo, devido à variabilidade das plantas. As cores das anteras são diferentes de acordo com as características do híbrido (figura 11). A polinização pode ocorrer de 5 a 8 dias, e é um fator determinante para a fecundação dos estilo-estigmas e para a fertilização dos óvulos (número potencial de grãos). No pico da produção de pólen, a planta pode liberar uma quantidade maior ou igual a 500.000 grãos de pólen.

Figura 10: Pendão completamente visível Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development
Figura 11: Anteras Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

R1: Emissão do Estilo-Estigma

R1 é o primeiro estádio reprodutivo da planta e inicia quando os estilo-estigmas estiverem visíveis, fora da folha da espiga (figura 12). Os estilo-estigmas começam a elongar dos óvulos da base da espiga (figura 13). Cada estilo-estigma se conecta a um potencial grão. Durante este estádio o número final de grãos é determinado, mas pode ser reduzido com a ocorrência de estresse por umidade. Estiagens neste estádio podem dessecar o estilo-estigma e os grãos de pólen.

Figuras 12 e 13: Emissão do estilo-estigma Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

R2: Grão Bolha

O estádio R2 – também conhecido por grão bolha – ocorre aproximadamente de 10 a 14 dias após a emissão do estilo-estigma e os grãos são brancos com aspecto de bolha (figura 14). O enchimento do grão inicia após a fertilização e consiste em um rápido acúmulo de água (cerca de 85% de umidade no início deste estádio). Em R2 a espiga está em seu comprimento final e os cabelos começam a escurecer e secar.

O abortamento de grãos ocorre entre R2 e R3 (leitoso) e isto está relacionado ao fornecimento inadequado de carboidratos da planta. Os grãos que são fertilizados por último são os primeiros a serem abortados.

Figura 14: Formação de grão bolha Fonte: DuPont Pioneer Crop Growth and Development

Estádios Fenológicos e as Doenças Foliares

Conhecendo todos os estádios, é importante também saber quais são as principais doenças foliares que podem atacar a cultura, ameaçando o potencial produtivo e a qualidade da silagem. A figura 15 apresenta as principais doenças foliares e suas épocas de ocorrência dentro do desenvolvimento da planta.

Figura 15: Calendário de doenças do milho Fonte: DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula e José Carlos Madalóz

Crescimento e Desenvolvimento do Milho

No vocabulário do produtor de milho talvez os dois termos mais usados sejam “crescimento” e “desenvolvimento” (figura 16). Os dois termos são utilizados indistintamente quando, na verdade, possuem significados diferentes. “Crescimento” é simplesmente um aumento no tamanho e é potencializado por condições favoráveis, como umidade adequada, nutrientes, temperatura, etc., e reduzido por condições de estresse, como temperaturas anormais, falta de nutrientes, umidade, etc. Já “desenvolvimento”, é a progressão do estádio de uma planta para um estádio mais avançado ou maturidade.

Figura 16: Crescimento e Desenvolvimento da Planta. Fonte: DuPont Pioneer

Graus-dia de Desenvolvimento do Milho - Soma Térmica

Demonstrou-se que a quantidade de tempo necessário para que o milho passe de uma fase de desenvolvimento para outra depende da quantidade de calor acumulado (Gilmore & Rogers, 1958). Há vários métodos conhecidos para estimar o calor acumulado, sendo o método mais comum o Graus-dia de Desenvolvimento (GDDs), também conhecido como Unidades de Graus-dia (GDUs) ou Unidades de Calor (HUs). Esse método é baseado no uso de temperaturas mínimas e máximas para crescimento e desenvolvimento da planta. Para o milho, essas temperaturas são:

  • Mínima: 50° F (10° C)
  • Máxima: 86° F (30° C)

Haverá pouco ou nenhum crescimento abaixo da temperatura mínima de 50° F (10° C) ou acima da temperatura máxima de 86° F (30° C).

O conceito de graus-dia de desenvolvimento utiliza o cálculo a seguir:

GDD = (Tmín. + Tmáx.) / 2 - 50 (° F)

  • Tmín. é a temperatura diária mínima, ou 50° F (10° C) se a temperatura for inferior a 50° F (10° C)
  • Tmáx. é a temperatura diária máxima, ou 86° F (30° C) se a temperatura for superior a 86° F (30° C)
Fonte: DuPont Pioneer Corn Growth and Development

Exigência de Água para Milho em mm/dia

Para atingir boas produtividades, a cultura do milho exige um fornecimento total de água de 500 a 600 mm durante todo o seu ciclo (figura 17). É importante ressaltar que à medida que a planta se desenvolve e se aproxima do florescimento, a exigência em água aumenta, partindo de 3,5 a 5 mm/dia em V6, para 5 a 6 mm/dia em V9, e 8 a 9 mm/dia entre o florescimento e o início do enchimento de grãos. À medida que o enchimento de grãos avança, a exigência de água passa a diminuir.

Figura 17: Distribuição da exigência em água durante o desenvolvimento da planta de milho. Fonte: DuPont Pioneer Corn Growth and Development

Desenvolvimento Radicular e Tolerância à Seca

A umidade é uma das maiores fontes de variabilidade nutricional de um mesmo híbrido em diferentes anos, locais e adversidades climáticas, sendo mais frequentes as limitações de fornecimento de água.

Os mecanismos que comandam o desenvolvimento radicular das plantas ainda não são bem conhecidos, por isso, são necessárias práticas de manejo que contribuam para isto, como correção em sub-superfície e utilização de gesso agrícola. A figura 18 mostra que em torno de 70% da extração de água pela planta é realizada pelos primeiros 50 cm das raízes, a partir da superfície do solo. Os 30% restantes se complementam até 75 cm de profundidade. Então, quanto melhor forem as condições para o desenvolvimento radicular, melhor a planta poderá suportar o estresse de estiagem.

Figura 18: Esquema de desenvolvimento radicular e as porções responsáveis pela absorção de água. Fonte: University of Nebraska

Manejo Adequado de Nitrogênio e de Solo

A figura 19 mostra, em condição de lavoura, a importância do manejo adequado do solo e de Nitrogênio (N) para enfrentar as adversidades do clima, principalmente condições de estiagem no plantio de safrinha. O resultado de N bem fornecido e melhor aproveitado é a preservação das folhas do terço inferior, numa lavoura para silagem com mais de vinte dias de estiagem, no início do enchimento de grãos. A planta que suporta melhor o estresse apresentará maior produtividade de matéria seca, prolongará o enchimento de grãos, ampliará a janela de corte e, finalmente, conferirá um melhor valor nutricional para a silagem.

Figura 19: Manutenção do terço inferior da planta em situação de vinte dias de estiagem, como resultado de bom fornecimento de Nitrogênio e bom manejo de solo. Foto: Robson Fernando de Paula

Radiação Solar na Produção de Milho

A radiação solar é um insumo essencial para o crescimento e desenvolvimento da planta. As folhas da planta absorvem a luz solar e a utilizam como fonte de energia para a fotossíntese. A capacidade de uma cultura para interceptar a luz solar, é proporcional à sua superfície de área foliar pela unidade de área do solo ocupada – ou o seu Índice de Área Foliar (IAF). No desenvolvimento completo do dossel, o IAF de uma cultura e a capacidade para captar a luz solar disponível são maximizados.

A partir do desenvolvimento completo do dossel e ao longo do período reprodutivo, todo o encurtamento de luz solar está limitando potencialmente à produtividade do milho. A planta é capaz de absorver somente uma parte do espectro da radiação solar, conhecido como Radiação Fotossinteticamente Ativa (RFA), estimada entre 43% e 50% do total da radiação solar emitida (gráfico 1). A quantidade de RFA pode ser reduzida de acordo com a nebulosidade.

Gráfico 1: Redução da Radiação Fotossinteticamente Ativa (RFA) de acordo com as condições do tempo. Fonte: DuPont Pioneer Agronomy Sciences Solar Radiation on Corn Production

Quando há estresses, como limitação da fotossíntese por baixa luminosidade durante o enchimento da espiga, as plantas de milho transferem carboidratos do colmo para a espiga. Isso pode resultar em problemas na qualidade do colmo e acamamento na colheita. Os períodos sensíveis do desenvolvimento da cultura, como a floração e início do enchimento de grãos, são quando as plantas ficam mais suscetíveis ao estresse, incluindo redução nas quantidades de luz, água e/ou nutrientes (tabela 1).

Período de Sombra % Redução de Produção Alteração de Linha Núcleo/linha Alteração de Núcleo wt.
Vegetativo 12% -5% +1%
Floração 20% -21% +9%
Enchimento de grãos 19% -5% -13%
LSD (.05) 7% 4.5% 6%
Tabela 1: Efeito da nebulosidade na redução da radiação solar, no número de grãos por fileiras e no peso de grãos. Fonte: DuPont Pioneer Agronomy Sciences Solar Radiation on Corn Production

Produção de Matéria Seca da Planta

De acordo com Abendroth et. all (2011), a taxa de aumento e a quantidade de Matéria Seca (MS) acumulada durante a safra diferem entre os componentes da planta avaliados. Todos os componentes são somados juntos, o que geralmente segue a curva S de resposta (gráfico 2). Em termos gerais, mais de 22.400 kg/ha de MS, da parte aérea da planta, é produzida em lavouras com boas condições de fornecimento de luminosidade, água e nutrientes, sem competição de plantas daninhas e danos por pragas e doenças. O colmo e as nervuras centrais das folhas compreendem as maiores quantidades de MS entre os componentes vegetativos, com o máximo de peso alcançado em R2. Depois disso, a quantidade ou o volume de MS do colmo e nervuras centrais das folhas começa a declinar, devido à realocação de nutrientes do colmo para a espiga em desenvolvimento. As lâminas foliares atingem o máximo de MS em R2, permanecendo até R6, quando as folhas entram em senescência.

Gráfico 2: Curva S de acúmulo de Matéria Seca dos diferentes componentes da planta durante o seu desenvolvimento. Fonte: Iowa State University Extension, adaptado por Robson Fernando de Paula

A taxa de incremento de MS é, geralmente, consistente até R2 podendo chegar em R3. A quantidade de MS é um pouco menor em R2, o que é esperado devido à finalização do desenvolvimento vegetativo e a transição para o desenvolvimento dos grãos.

Índice de colheita

O índice de Colheita (IC) de uma cultura é determinado pela divisão do volume de MS dos grãos pelo total de MS da planta (MS da parte aérea, incluindo os grãos) na fase de maturação fisiológica. Os híbridos de milho produzidos atualmente apresentam um IC aproximado de 0,5 com algumas evidências de aumento devido aos esforços do melhoramento genético, quando comparados a híbridos mais antigos. Sem considerar o exato valor do IC, é claro que os produtores buscam pelo aumento da produtividade de grãos num determinado hectare, desta forma o aumento de MS da parte vegetativa da planta aumenta de forma similar ao incremento de grãos. A MS dos grãos cresce significativamente a partir de R2 podendo chegar até R5.75.

Composição da Matéria Seca da Planta

Conforme apresentado no gráfico 3, os grãos representam pelo menos 50% na composição da Matéria Seca da planta. Então, lavouras com alta produtividade de MS possuem elevada participação de grãos na massa ensilada. Estudos mostram que, quanto maior a composição de grãos na MS total da silagem, maior o valor nutricional. O gráfico 3 detalha, em termos gerais, a porcentagem de cada componente da planta na composição final da MS da silagem.

Gráfico 3: Participação dos componentes da planta na composição da matéria seca. Fonte: Steve Butzen, DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula

Monitoramento de Campo

Conhecendo os estágios de desenvolvimento da planta e as implicações dos fatores ambientais e agronômicos em cada fase, é importante lembrar o correto posicionamento do híbrido e estabelecer um calendário de monitoramento de acordo com cada estágio. Lembrando que cada estágio exige práticas de manejo específicas para que a planta atinja a produtividade desejada (figura 20).

Figura 20: Monitoramento da cultura do milho para manejo agronômico nas principais fases de desenvolvimento da planta. Fonte: DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula

Referências Bibliográficas

Hollinger, S. E. & Angel J. R. 2009. Illinois Agronomy Handbook, 24th Edition. University of Illinois, Champaign-Urbana. Illinois
Abendroth, L.J., R.W. Elmore, M.J. Boyer, and S.K. Marlay, 2011. Corn Growth and Development. PMR 1009. Iowa State University Extension, Ames, Iowa

​​​​​​