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Ensilagem

Ensilagem é o processo de enchimento, compactação e vedação do silo. A fase da ensilagem é um dos momentos mais críticos de todo o processo de confecção da silagem, pois se refere às boas práticas de acondicionamento, armazenagem e vedação do silo para garantir a fermentação adequada, a conservação e a manutenção da qualidade da biomassa trazida da lavoura. O silo deve ser preenchido o mais rápido possível, pois é nesta fase que o potencial de qualidade da silagem proveniente de boas lavouras pode ser perdido em decorrência de erros no processo.

Transporte do Material Colhido

A massa verde e fresca que está sendo colhida e processada deve ser levada ao silo imediatamente, e o transporte deve atender a capacidade de compactação para evitar que se deixe material esperando, pois neste momento já inicia a fase aeróbica da fermentação. O ideal é não superestimar a capacidade de transporte em detrimento da capacidade de compactação.

Enchimento do Silo

O enchimento do silo deve ser rápido e progressivo, depositando a massa verde e processada em rampas e em camadas de, no máximo, 15 cm de altura para facilitar o processo de compactação (figura 1).

Esquema de enchimento do silo em rampas e em camadas.
Figura 1: Esquema de enchimento do silo em rampas e em camadas. Fonte: Silage Zone DuPont Pioneer

A figura 2 mostra uma situação real, considerada ideal no processo de enchimento e compactação de um silo trincheira.

Processo de enchimento e compactação de um silo trincheira.
Figura 2: Processo de enchimento e compactação de um silo trincheira. Foto: Robson Fernando de Paula

Compactação

A compactação adequada é fundamental para a qualidade da silagem e visa eliminar a porosidade na massa ensilada (figura 3). O material estará bem compactado quando atingir o volume de 240 kg de matéria seca de silagem por metro cúbico. Para que se empregue o peso adequado para atingir o nível de compactação recomendada, deve-se multiplicar a quantidade de toneladas descarregadas por hora no silo, por 800. Por exemplo: se estão sendo descarregadas 200 ton/h, são necessárias 1.600 toneladas de trator para compactar a massa verde que está sendo ensilada.

Comparação entre diferentes níveis de compactação
Figura 3: Comparação entre dois níveis de compactação. Fonte: Silage Zone DuPont Pioneer

Cobertura e Vedação do Silo

Após compactado, o silo deve ser coberto e bem vedado para evitar os efeitos negativos da entrada de ar na massa já armazenada (figura 4).

Efeitos negativos da entrada de ar no silo
Figura 4: Efeitos negativos da entrada de ar no silo. Fonte: Silage Zone DuPont Pioneer

Coberturas do Silo

A cobertura mais usada no Brasil ainda é a lona dupla face de 200 micras e com deposição de uma camada de terra sobre a lona. Estudos realizados pela Fundação ABC, em Castro-PR, indicam que a camada de terra é a forma mais eficiente e barata para proteger a lona (figura 5) de danos (furos) causados por animais. Estes furos, por sua vez, são portas de entrada de ar e umidade e podem implicar na deterioração da silagem.

Cobertura de silo com lona dupla-face e cobertura de terra.
Figura 5: Cobertura de silo com lona dupla-face e cobertura de terra. Fonte: Fundação ABC

Existem outras tecnologias e tipos de coberturas mais modernas, como o uso de filme plástico, que atua como uma barreira que impede a entrada de oxigênio. Este filme plástico é colocado em cima da massa armazenada antes da colocação da lona dupla face. Além das tecnologias citadas, também estão disponíveis mantas confeccionadas com materiais bem resistentes para cobertura que podem ser usadas por bastante tempo.

Fases da Fermentação da Silagem

O processo de fermentação pode ser simplificado em três fases: aeróbica (presença de oxigênio), que ocorre durante a colheita e enchimento do silo; em seguida passa para a fase anaeróbica (ausência de oxigênio), condição que permite o crescimento de bactérias láticas e redução de pH; e, finalmente, retorna para a aeróbica com a abertura do silo e retirada ou movimentação da silagem.

A figura 6 apresenta um aumento esperado de temperatura durante o início da fase aeróbica, o que pode se repetir durante a retirada e movimentação da silagem quando o oxigênio penetra na massa ensilada, estimulando o crescimento de leveduras e outros organismos aeróbicos. Vale lembrar que organismos aeróbicos que provocam a deterioração da silagem, são como humanos, que à medida que consomem nutrientes valiosos, produzem calor, umidade e dióxido de carbono.

A silagem de milho alcança o pH final muito rapidamente dentro de poucos dias, com ou sem inoculação. Entretanto, a inoculação permite a redução eficiente de pH, requerendo menos açúcares e deixando-os disponíveis para os animais. A inoculação de produtos como o 11C33 da marca Pioneer®, contém estirpes de buchneri, e também podem aumentar o tempo de armazenamento e a digestibilidade da fibra, neste caso, com o aditivo 11CFT.

As três fases da fermentação da silagem.
Figura 6: As três fases da fermentação da silagem. Fonte: Silage Zone DuPont Pioneer traduzido e adaptado por Robson Fernando de Paula

Fontes de perda de Dióxido de Carbono (CO2): Perda de Matéria Seca ou Encolhimento da Silagem?

Enquanto o Oxigênio está presente na massa da silagem, a produção de Dióxido de Carbono é continuada pela respiração celular da planta e pelo metabolismo dos organismos aeróbicos. A umidade de colheita (para preencher os espaços de ar) e a compactação da silagem (redução da porosidade da silagem) são pontos chave na redução da fase aeróbica. O Dióxido de Carbono, como resultado do metabolismo aeróbico, estará novamente presente com a retirada e movimentação da silagem, permitindo a penetração excessiva de quantidades de Oxigênio na sua superfície. Esta produção de Dióxido de Carbono

Fontes de perdas de CO2 na silagem.
Figura 7: Fontes de perda de CO2. Fonte: Silage Zone DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula

Quando o oxigênio é esgotado, é estabelecida a fase anaeróbica, que é favorável ao domínio de bactérias láticas homofermentativas e heterofermentativas. Não haveria redução da matéria seca nesta fase se somente as bactérias láticas homofermentativas fossem ativas porque elas não produzem CO2. Entretanto, a maioria dos organismos epifíticos, ou naturalmente encontrados em culturas verdes, não são bactérias láticas e nem homofermentativas. Como podemos observar na figura 6, a rota homofermentativa não produz CO2. A maioria das bactérias que produzem ácido lático na fermentação são estirpes heterofermentativas e produzem CO2, contribuindo para maior perda de matéria seca.

Os inoculantes da DuPont Pioneer contêm elevada concentração de estirpes homofermentativas, desenvolvidas para controlar e direcionar a fermentação por curvas de crescimento que se sobrepõem ao epifitismo natural. Estirpes de Lactobacillus buchneri, são encontradas em muitos inoculantes heterofermentativos, mas o fato é que eles produzem um incomparável espectro de ácidos graxos voláteis que contribuem significativamente para a redução total de perdas líquidas pela inibição de leveduras durante a retirada da silagem. As leveduras são especialmente predominantes em plantas de milho, e também, em culturas em situação de estresse. Leveduras são indesejáveis por desencadearem uma série de eventos que terminam no aquecimento da silagem e reduzem a palatabilidade porque consomem ácido lático como fonte de nutriente, aumentando o pH da silagem e outros organismos aeróbicos que a deterioram quando se tornam ativos.

Anteriormente, acreditava-se que a maioria das perdas de matéria seca ocorriam durante as fases aeróbicas, e uma vez que a fermentação da massa ensilada passava para a fase anaeróbica e o pH final era estabelecido, as perdas eram mínimas. Entretanto, à medida que o negócio de exploração animal foi crescendo e o tamanho dos silos ficou maior, maiores faces foram expostas ao oxigênio. Pesquisas mais recentes indicam que mais da metade das perdas de matéria seca ou encolhimento da silagem em silos grandes ocorrem durante a fase de retirada da silagem. O uso de inoculantes marca Pioneer® contendo estirpes de L. buchneri (como 11CFT, 11C33, 11B91) inibem o crescimento de leveduras, contribuindo na redução de perdas aeróbicas na face do silo durante a retirada, mesmo em situações de grandes silos trincheiras ou de superfície.

Deve-se observar que somada à perda de nutrientes numa situação de manejo inadequado da fase aeróbica, há também a produção de umidade durante a fermentação, e é por isso que a silagem é sempre retirada com mais umidade do que foi inicialmente armazenada. A forma adequada de avaliar o encolhimento da silagem é medir a matéria seca antes da ensilagem e após a abertura e retirada.

Leveduras Afetam a Redução de Matéria Seca e o Aquecimento da silagem

O tipo de levedura que domina durante a fase de retirada da silagem é diferente daquelas presentes durante a colheita da lavoura. Isto ocorre porque o processo de fermentação cria condições onde somente certos tipos de leveduras podem sobreviver. As leveduras presentes na massa verde competem com as bactérias láticas pelos açúcares disponíveis, se tornam dominantes durante a fase aeróbica, no início do processo de ensilagem, e condições de anaerobiose, durante o armazenamento. Estas leveduras produzem calor, CO2 e ácido acético em condições aeróbicas. O calor pode afetar a palatabilidade, enquanto o CO2 contribui para a perda da matéria seca da silagem. Já as leveduras presentes na retirada da silagem podem metabolizar o ácido lático responsável pela conservação da mesma.

O processo de desensilagem provoca uma pressão de seleção para mais de 90% de dominância das leveduras na presença de oxigênio durante a retirada. Somente em condições aeróbicas estas leveduras podem metabolizar o ácido lático. As leveduras são responsáveis pelo aumento de pH da silagem, criando condições favoráveis ao crescimento de mofos e outros organismos que a deterioram durante a retirada. Um bom manejo da “face” ou “painel” do silo para prevenir a entrada de oxigênio é através do uso de inoculantes com L. buchneri, que são as melhores defesas contra as leveduras e o aumento de pH da silagem.

Tipos de Aquecimento da Silagem

O aumento da temperatura da silagem normalmente é esperado durante o início da fase aeróbica e ocorre provocado por dois processos, sendo o primeiro denominado como fisiológico e o segundo como microbiano. O fisiológico é quando o calor é produzido pela respiração da planta, durante o processo de ensilagem, que então é capturado e retido na massa ensilada. É normal a silagem apresentar aquecimento de 9 a 12oC acima da temperatura ambiente no momento de corte e ensilagem. Já no processo microbiano, o calor é produzido pelas leveduras, mofos e bactérias aeróbicas quando a silagem é exposta ao ar. A silagem é considerada “quente” quando o painel está pronto, e continua a aquecer depois de misturada na dieta total.

Visualização das Perdas pelo Processo de Aquecimento

A DuPont Pioneer nos Estados Unidos, há mais de quinze anos, trouxe para o mercado o uso da Termografia por Infravermelho para visualizar e demonstrar aos produtores a extensão e os efeitos das perdas pelo aquecimento na silagem. A figura 8 mostra a diferença de temperatura entre a porção esquerda da face do silo, que foi movimentada no dia anterior, em relação à porção direita, recém exposta. A parte esquerda, como estava exposta ao ar, mostrava aquecimento, enquanto que na face direita, a temperatura se apresentava mais amena.

Visualização térmica de um silo trincheira bem manejado
Figura 8: Visualização térmica de um silo trincheira bem manejado. Foto: Robson Fernando de Paula

Referências Bibliográficas

Mahanna, B., B. Seglar, F. Owens, S. Dennis, and R. Newell. 2014. Silage Zone Manual. DuPont Pioneer, Johnston, IA.