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Nutrição

Valor da Silagem na Alimentação

A silagem de milho é um dos componentes mais importantes na alimentação de bovinos, uma vez que a sua planta fornece um grande volume de alimento palatável, com alta digestibilidade e rico em energia, o que resulta em um excelente potencial para produzir leite e carne. Os grãos de milho na silagem correspondem a maior participação, com 65% de energia; os conteúdos celulares da planta com 10%; e a digestibilidade da fibra (FDN) com 25% (Mahanna, 2014). Então quanto maior a proporção de grãos, maior será o conteúdo de amido e, consequentemente, maior o valor nutricional da silagem.

Manejo da Retirada da Silagem

A abertura do silo deve ocorrer por volta de 21 a 30 dias após o seu fechamento. Neste período a silagem já deve estar estabilizada, se as práticas de ensilagem tiverem sido empregadas adequadamente (Oliveira, 2001). O manejo apropriado da retirada da silagem é essencial para manter a consistência e a alta qualidade da forragem. Pesquisas mostram que se o manejo da face ou painel do silo for inadequado, podem facilmente dobrar as perdas de matéria seca (encolhimento). Além da perda econômica com o encolhimento, a qualidade e a consistência podem variar drasticamente e contribuir para problemas de produção e saúde dos animais. A porosidade é um inimigo, desta forma, a umidade apropriada da planta no momento da colheita (para preencher os espaços de ar), o tamanho das partículas, os métodos de compactação (densidade) e a vedação são fatores fundamentais para manter as condições de anaerobiose. Além disso, é recomendável remover e descartar porções deterioradas por fungos dos lados e/ou da extremidade superior do silo.

Práticas adequadas de retirada da silagem são especialmente importantes em períodos quentes do ano, porque a atividade biológica das bactérias e leveduras é duplicada a cada 5,5ºC de aumento da temperatura. Por consequência destes aumentos de temperatura, evitar a ocorrência de instabilidades aeróbicas durante a primavera e verão é desafiador.

É comum ocorrerem problemas de preservação de silagem de lavoura que sofreu com chuvas antes da colheita e da ensilagem. A chuva pode “lavar” os açúcares da planta e espalhar bactérias e fungos do solo na lavoura, efetivamente “semeando” a silagem com organismos de deterioração que aguardarão a chance de se estabelecerem. Lavouras que sofreram estresse por seca, granizo ou insetos, geralmente terão elevados níveis de organismos, o que determinará a necessidade de um manejo ainda mais apropriado para ensilagem.

Para contribuir com a preservação do material ensilado, tem se adotado algumas tecnologias. Atualmente recomenda-se a utilização de um filme plástico para barrar a entrada do oxigênio, que em conjunto com a lona de vedação da silagem, ajudam a reduzir as perdas por encolhimento e asseguram a biossegurança da massa armazenada, prevenindo o crescimento de mofos no topo e lados do silo, onde a penetração de oxigênio é mais propensa a ocorrer (figura 1). O uso de inoculantes marca Pioneer® contendo estirpes de L. buchneri strains (11C33, 11B91, 11CFT) preservam o valor do alimento e a biossegurança na “face” da silagem.

Ilustração do uso de filme plástico para barrar a entrada de oxigênio na face superior da silagem, e uso de inoculante para preservação do valor nutricional.
Figura 1: Ilustração do uso de filme plástico para barrar a entrada de oxigênio na face superior da silagem, e uso de inoculante para preservação do valor nutricional. Fonte: Silage Zone DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula.

Retirada da Silagem

As silagens devem ser removidas da face do silo através da raspagem mecânica do seu painel, da extremidade superior para a inferior, retirando uma camada uniforme de, aproximadamente, 15 a 30 cm (figura 2). Para esta operação, existem opções de equipamentos no mercado que contribuem para a movimentação adequada da silagem (figura 3). Mesmo que a remoção desta camada de silagem seja realizada dentro do desejável, o oxigênio pode penetrar por vários centímetros na massa ensilada favorecendo o aquecimento provocado pela atividade de bactérias aeróbicas.

Raspagem da face do silo de maneira uniforme.
Figura 2: Raspagem da face do silo de maneira uniforme. Foto: Robson Fernando de Paula
Processo adequado de retirada da silagem da face do silo.
Figura 3: Processo adequado de retirada da silagem da face do silo. Foto: Robson Fernando de Paula

Amostragem da silagem para Análise Bromatológica

O monitoramento do valor nutricional da silagem é feito pelo nutricionista, que deve avaliá-la periodicamente para verificar a qualidade do alimento. Na tabela 1 estão apresentados os valores aceitáveis dos parâmetros mais comumente utilizados para monitorar a qualidade da silagem.

Parâmetro Descrição Referência
Matéria Seca (%MS) Material resultante após a remoção de 100% de água através da secagem da amostra 30% a 35%
Amido Pollisacarídeo formado por cadeias longas de unidades de glicose, principal fonte de energia na silagem 28% a 32%
Fibra em Detergente Neutro (%FDN) Conteúdo total de fibra de forragem e é composto por celulose, hemicelulose e lignina.
Alto teor de fibras preenche o estômago rapidamente, o animal come menos e aumenta a necessidade de suplementos na ração.
36% a 50%
Digestibilidade do FDN Medida da digestibilidade do FDN determinada por incubação (12h, 24h e 48h) in vitro com fluido ruminal 40% a 70%
Fibra em Detergente Ácido (%FDN) Conteúdo de lignina, celulose e pectina na fração de fibra da forragem após a fervura em detergente ácido. Alto teor de FDA afeta ingestão de matéria seca. 18% a 26%
Lignina Fibra indigestível da planta que não tem valor energético para o animal. 2% a 4%
Tabela 1: Resumo de parâmetros de qualidade de silagem e valores alvo. Fonte: Understanding Forage Analisys, Silage Zone Newsletter, DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula.

A figura 4 apresenta uma técnica simples de amostragem da silagem na face do silo. Ao coletar a amostra, é importante realizar a raspagem da face já seca pela exposição ao ar e ao sol e coletar sub-amostras nos mesmos padrões. Após a coleta de todas as sub-amostras, será preciso homogeneizar e formar uma amostra de, aproximadamente, 1 kg, embalar em saco plástico, firmando bem para eliminar o máximo de oxigênio e, então, enviar rapidamente ao laboratório.

Como retirar amostragem da silagem para análise
Figura 4: Amostragem da silagem para análise.

Gases da Silagem

Muito cuidado deve ser adotado ao redor de silagens, por volta de três semanas após a colheita, devido ao potencial letal do gás Óxido Nitroso do silo. Este gás, que tem aroma de água sanitária, é mais pesado que o ar, e está ao redor do silo, especialmente próximo ao solo, onde a movimentação de ar é mínima. Todos os tipos de silagem produzem gases, mas é mais comum em culturas como milho e sorgo que sofreram algum tipo de estresse, como estiagem, granizo, geada, dias nublados e desequilíbrio nutricional.

Os Nitratos se acumulam na porção inferior da planta, quando o rendimento da lavoura é menor e o fornecimento de Nitrogênio for alto. Os Nitratos são responsáveis pelo gás do silo quando combinados com ácidos orgânicos da silagem, formando o Óxido Nitroso. Este se decompõe em água e uma mistura de Óxidos Nitrogenados, incluindo Óxido de Nitrogênio (incolor), Dióxido de Nitrogênio (coloração marrom avermelhado) e Tetra-óxido de Nitrogênio (coloração amarelada). Essas formas de Nitrogênio são volatilizadas para a atmosfera como um gás amarronzado. Esse gás, mais pesado que o ar, é altamente letal para humanos e animais.

Nitratos na Silagem de Milho

Elevados níveis de Nitrato na silagem de milho podem ser tóxicos aos animais. Os Nitratos não são somente responsáveis pelo gás do silo, mas também, quando são fornecidos aos animais, induzem a problemas de respiração devido à interferência na habilidade do sangue em conduzir Oxigênio. Se a lavoura sofreu estresses e apresenta conteúdo de grão reduzido, é recomendada a análise de Nitrato na silagem.

A concentração de Nitratos nos tecidos da planta pode acarretar em grandes variações e é dependente de muitos fatores. Enzimas presentes nas folhas convertem Nitratos em proteínas. Quando a planta sofre estresses durante a fase de desenvolvimento, acumula concentrações de Nitrato tóxicos devido à redução de funções bioquímicas, impedindo que o Nitrogênio seja convertido em proteína bruta nos grãos.

Como recomendação geral, o programa de alimentação deve ser modificado se o alimento fermentado conter mais de 1.000 ppm de Nitratos. É preferível fornecer aos animais plantas que sofreram estresse na forma de silagem, do que cortada verde ou fresca, porque a fermentação reduz os níveis de Nitratos em 40% a 50%. Ao alimentar ruminantes com colmos secos e não fermentados – como maior parte da dieta de bovinos de corte, por exemplo – o produtor precisa monitorar os níveis de Nitrato.

Silagens feitas de lavouras secas ou estressadas que não foram inoculadas devem fermentar durante três semanas, pelo menos, antes de ser fornecida aos animais. Já se a silagem for inoculada com produtos de boa procedência, os níveis de Nitratos podem ser reduzidos em 40% a 50% em poucos dias.

Ruminantes podem ser nutridos com alimentos contendo altas concentrações de Nitratos se as bactérias do rumem tiverem tempo para se adaptar ao aumento gradual do volume de alimento com alta concentração de Nitrato na dieta. O problema também pode ser reduzido diluindo a silagem de plantas estressadas com outros alimentos e, assim, evitar o uso da fonte de Nitrogênio não proteico, como ureia ou amônia.

Uma recomendação comum é cortar a planta de milho numa altura de 30 cm quando a lavoura sofreu estresse por seca, para reduzir o acúmulo de Nitrato que se concentra no terço inferior do colmo. Entretanto, muitos produtores tem a necessidade de reserva de forragem durante períodos secos. Por isso, é aceitável que a colheita seja feita em torno de 15 cm da superfície do solo para aumentar a reserva de forragem. É necessário lembrar que o processo de fermentação degrada de 40% a 50% dos Nitratos.

É importante entender os fatores que afetam o acúmulo de Nitrato:

  • Disponibilidade de Nitrogênio (N). O conteúdo de Nitrato em milho é maior à medida que o fornecimento de Nitrogênio aumenta. Fontes de Nitrogênio incluem fertilizantes, plantas leguminosas, estercos e elevado aporte de matéria orgânica do solo;
  • Estiagem. Períodos curtos e intensos de estiagem provocam acúmulo de Nitratos. O acúmulo de Nitrato é maior após uma chuva que ocorreu seguida de um período de seca. Depois dessa chuva, é preciso esperar pelo menos três dias para colher a lavoura destinada à silagem, pois à medida que a planta se recupera do estresse, o Nitrato é convertido em formas não tóxicas;
  • Tempo nublado. Dias nublados frequentemente provocam elevados níveis de Nitrato, porque as enzimas que convertem Nitratos em proteínas são menos ativas;
  • População de plantas extremamente alta. Elevada densidade de plantas pode gerar colmos muito finos, o que limita o movimento de foto-assimilados para os grãos, acumulando Nitrato no colmo e nas folhas;
  • Deficiências nutricionais. Fornecimento inadequado de nutrientes, como Fósforo, Potássio, Molibdênio e Manganês, aumentam as concentrações de Nitrato. A absorção de Nitrato pelas raízes é continua, mas o crescimento da planta é limitado, o que causa acúmulo de Nitrato na mesma;
  • Idade e parte da planta. Os Nitratos se acumulam nas partes mais velhas e inferiores da planta. O colmo e as raízes apresentam maiores concentrações do que as folhas e as espigas.

Conforme mencionado, o processo de fermentação no silo reduz os níveis de Nitrato e, somado a isso, existe uma série de opções de manejo para diminuir ou prevenir altos níveis de Nitrato na silagem, como:

  • Aplicar Nitrogênio (N) em doses recomendadas, considerando o nível de N residual no solo e as aplicações de esterco na quantidade total a ser empregado na lavoura;
  • Estabelecer estratégias para minimizar condições de estresse nas plantas, como desequilíbrio nutricional, doenças, pragas, plantas daninhas e seca;
  • Sempre que possível, colher a lavoura para silagem em dias ensolarados e com alta luminosidade.

Fungos de Campo e Micotoxinas

Os esporos de fungos estão em todos os lugares na lavoura e facilmente sobrevivem no solo e em restos culturais. As formas mais comuns de infecção do fungo no milho são: através das raízes, durante o período de emergência; do estilo-estigma durante a polinização; e via lesões na planta, provocadas por injúrias por insetos ou granizo. Fungos comuns de campo, como Aspergillus e Fusarium spp. produzem conhecidas micotoxinas como aflatoxina, vomitoxina, DON, fumonisina, zearalonone e T-2. Estas micotoxinas são produzidas por doenças de grãos e podem ser prejudiciais aos bovinos.

A predisposição às doenças fungicas e outras fontes de estresses podem prejudicar a saúde da planta, além de favorecer condições de ocorrência de fungos de espigas e o desenvolvimento de suas micotoxinas. Estima-se que 70% a 90% de todas as micotoxinas já estão na planta antes da colheita e ensilagem. Entretanto, a presença de fungos nas espigas não está completamente relacionada com a contaminação por micotoxinas. É importante ressaltar que nenhum ácido presente na silagem ou produto inoculante é capaz de degradar estas toxinas formadas previamente no campo.

Referências Bibliográficas

Oliveira J. S 2001 Cap XIX Manejo de Silo e Utilização da Silagem de Milho e Sorgo. In Produção e Utilização de Silagem de Milho e Sorgo. Embrapa de Milho e Sorgo
Mahanna, B., B. Seglar, F. Owens, S. Dennis, and R. Newell. 2014. Silage Zone Manual. DuPont Pioneer, Johnston, IA.
Mahanna, B., B. Seglar, F. Owens, S. Dennis, and Wiersmma, D. 2017. Silage Zone Manual 2nd Edition. DuPont Pioneer, Johnston, IA.
Roth, G & Undersander. 1995. Corn Silage production, management and feeding. American Society of Agronomy Inc, Crop Science Society of America inc and Soil Science Society of America
Understanding a Forage Analysis, Silage Zone Newsletter, www.pioneer.com/silagezone

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