Comando para Ignorar Faixa de Opções
Ir para o conteúdo principal
Navegar para Cima
Logon
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Blog / ViewPost

Soluções de controle para nematoides

29
mai
2019
Soja, Microrganismo

Todas as espécies de plantas cultivadas podem ser atacadas por fitonematoides, cuja presença nos solos passa, na maioria das vezes, despercebida pelos agricultores devido ao tamanho reduzido que eles possuem e por, geralmente, não apresentarem sintomas muito visíveis nas plantas.

O deslocamento de nematoides no solo é bastante limitado, portanto, sua disseminação é altamente dependente do homem, podendo ocorrer por meio de mudas contaminadas, deslocamento de máquinas de áreas contaminadas para áreas sadias, e por meio de irrigação e/ou água das chuvas.

Geralmente os sintomas da presença de nematoides ocorrem em reboleiras facilmente identificáveis no campo (imagens 1 e 2).

http://www.pioneersementes.com.br/blog/PublishingImages/20160712-Solucoes-De-Controle-Para-Nematoides-Sintomas-De-Pratylenchus-Brachyurus-Em-Lavoura-De-Soja.jpg Imagem 1. Sintomas de Pratylenchus brachyurus em lavoura de soja

Imagem 2. Lavoura de soja com plantas atacadas por Pratylenchus brachyurus

As perdas devidas ao ataque de fitonematoides na agricultura mundial estão estimadas em, aproximadamente, US$100 bilhões/ano. No Brasil, a quantificação de perdas não é precisa, devido principalmente às interações com danos provocados por pragas e outras doenças.

O clima predominantemente tropical do nosso país propicia o encontro de condições de umidade com temperatura ideais para reprodução e alimentação dos nematoides. Estes fatores, associados a uma agricultura intensiva (cultivos sucessivos) e manejos inadequados, constituem pontos-chave para uma explosão populacional destes fitonematoides e, consequentemente, perdas significativas de produtividade.

Em agosto de 2015, o Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União a lista de pragas que apresentam os maiores riscos sanitário e fitossanitário para as principais culturas do país nas próximas safras. Estão entre elas:

Nematoides de galhas (imagem 3): As espécies mais comuns são Meloidogyne inconita e Meloidogyne javanica. Apesar da grande severidade, estão menos disseminadas em relação aos outros dois tipos.

Nematoides das lesões radiculares (imagens 4 e 5): É o mais presente nas regiões de cultivo, principalmente no Cerrado. é uma espécie polífaga (presente em várias culturas) e de grande complexidade para resistência genética. Uma das melhores alternativas de manejo é a sucessão com híbridos com baixo fator de reprodução (FR).

Nematoides de cisto da soja (NCS): Espécie com ampla variedade de raças, o que dificulta ainda mais seu manejo. Sua eliminação é quase que impossível.  

Os três tipos de nematoides citados, estão entre os maiores inimigos do Agronegócio Brasileiro, tendo causado danos e perdas muito significativas nos últimos anos e constituindo motivos de preocupação em termos de manejo para as próximas safras.

Imagem 3. Sistema radicular atacado por Meloidogyne spp.

Imagem 4. Raízes de soja atacadas por Pratylenchus brachyurus

Imagem 5. Sistema radicular atacado por Pratylenchus brachyurus

O controle de fitonematoides é bastante complexo, assim, a combinação de diferentes medidas de controle favorece o manejo mais eficiente da população do patógeno. O agricultor deve ter a consciência de que a erradicação dos nematoides é praticamente impossível, porém, a adoção de práticas associadas pode reduzir populações do patógeno e danos por ele causados.

Controle de nematoides

1. Identificação

O primeiro passo para a realização de um programa de controle eficaz é identificar qual é a espécie predominante na área afetada através de uma amostragem de solo que deverá ser enviada a um laboratório de análises nematológicas qualificado.

Além de se conhecer qual é a espécie, uma amostragem bem feita poderá também informar a quantidade de inóculo presente no local, permitindo assim a criação de um programa de controle de acordo com a necessidade da área.

A melhor época para se amostrar o solo é em torno de 45-50 dias após o plantio, quando a cultura já está estabelecida e os nematoides já completaram seu primeiro ciclo de vida (imagem 6) nas raízes das plantas.

é importante salientar que, amostras de raízes também deverão ser enviadas junto ao solo para o laboratório.

 

Imagem 6. Ciclo de vida de Meloidogyne spp.

Monitoramento de áreas contaminadas

A infestação de nematoides reflete no desenvolvimento da lavoura, por isso é importante direcionar seu monitoramento. Na imagem 7 vemos alguns exemplos de como o monitoramento pode ser feito utilizando o WDRVI do Granular Insights, produto da Granular, subsidiária independente da Corteva Agriscience™ responsável pela plataforma de agricultura digital.

Imagem 7. Cultura de soja no estado da Bahia, em 07 de janeiro de 2019.

Neste talhão, ao lado esquerdo, temos uma variedade de soja com resistência aos nematoides de Cisto (raças 1, 3, 6 e 10), emergida em 07/11/18. Já ao lado direito, uma variedade com resistência ao nematoide de Galha M. Javanica e resistência moderada ao nematoide de Galha M. Incognita, emergida em 01/11/18. Vide a legenda da imagem 7, as áreas em amarelo refletem um menor desenvolvimento de plantas, neste caso - após monitoramento direcionado - causado principalmente pela infestação de nematoides.

Granular Insights é um aplicativo fácil de testar, usar e comprar, focado no agricultor. Com funcionamento offline, funcionamento para diversas culturas e um ambiente colaborativo, tem por objetivo aumentar a eficiência e segurança ao direcionar o monitoramento do produtor. Ele utiliza WDRVI (índice de Vegetação de Banda Larga e Dinâmica), que pode ser até 3x mais preciso que NDVI para avaliação da quantidade de clorofila presente e ativa da planta, a partir de imagens de alta resolução e frequência. Para saber mais, acesse br.granular.ag.

2. Resistência genética de plantas

A resistência genética de plantas aos nematoides é um dos métodos mais eficientes e econômicos de se evitar as perdas ocasionadas por estes microrganismos (Roberts, 2002).

A partir do conhecimento prévio da população de nematoides presente na área de cultivo, o agricultor deve escolher e realizar o plantio de genótipos resistentes.

é importante lembrar que apenas a utilização de cultivares e híbridos com baixo fator de reprodução (FR) de nematoides não é suficiente para assegurar resultados satisfatórios da lavoura. A esta prática devem ser adotadas medidas complementares.

No entanto, antes de posicionar uma cultivar com baixo FR, é importante identificar qual a espécie predominante na área. Isto porque, na maioria das vezes, temos cultivares com FR específicos para cada espécie de nematoides, assim, caso seja plantada uma cultivar com resistência a cisto em uma área com galha, o problema irá permanecer, podendo até se agravar.

3. Medidas fitossanitárias

A prevenção constitui o princípio mais importante e a melhor linha de defesa para o controle de fitonematoides. Significa impedir a disseminação de campo para campo, de fazenda para fazenda ou de um país para outro.

Neste sentido, a limpeza de equipamentos é de suma importância. Máquinas, implementos e ferramentas devem ser limpos cuidadosamente, depois de serem utilizados em áreas infestadas.

O agricultor consciente deve utilizar suas máquinas e implementos primeiramente em áreas não infestadas para depois utilizá-las em áreas conhecidamente infestadas.

No entanto, devido a grande intensidade das atividades dentro de uma propriedade, essas medidas acabam não sendo realizadas, o que contribui ainda mais para a disseminação das pragas.

4. Rotação de culturas

A rotação de culturas é um dos métodos mais recomendados para o manejo de nematoides em culturas anuais ou perenes de ciclo curto.

Se em determinada área é plantada a mesma cultura suscetível ciclo após ciclo, as populações de nematoides que se desenvolvem nesta área tendem a aumentar.

A rotação com plantas não-hospedeiras restringe a multiplicação dos nematoides e, aliada aos fatores naturais de mortalidade, favorece a redução da população do patógeno.

Ao planejar cuidadosamente a sequência de plantas a serem utilizadas em rotação numa área, é possível reduzir a densidade populacional do patógeno abaixo do nível de danos na cultura comercial de maior valor e não promover o aumento da população de outras espécies de nematoides.

5. Plantas antagonistas

O uso de plantas antagonistas é um dos métodos culturais mais estudados para o controle de fitonematoides, podendo ser utilizado em sistemas de rotação de culturas em programas de controle de nematoides.

São consideradas plantas antagonistas aquelas que afetam negativamente a população de nematoides, a exemplo de:

  • plantas armadilhas - o nematoide consegue penetrar o sistema radicular, porém, não é capaz de completar seu ciclo de desenvolvimento;

  • hospedeiras desfavoráveis - há penetração do sistema radicular, porém, poucos nematoides se desenvolvem;

  • e aquelas que contêm compostos nematicidas/nematostáticos em seus tecidos.

Os benefícios do uso dessas plantas podem ser variados, como não prejudicar os inimigos naturais dos nematoides, favorecendo o aumento de agentes de controle biológico, como por exemplo, a Mucuna deeringiana, o Ricinus communis (mamona), Canavalia ensiformes (feijão de porco) e Secale cereale (centeio).

Algumas espécies utilizadas são capazes de fixar nitrogênio da atmosfera e fornecer ao solo expressivos volumes de matéria orgânica, como é o caso da mucuna-preta, que pode fixar de 120 a 180 kg/ha de nitrogênio da atmosfera.

Espécies de Crotalaria são importantes antagonistas de nematoides, com destaque para a C. spectabilis, que por não ser hospedeira, não permite a multiplicação dos nematoides em esquemas de rotação de culturas.

As gramíneas, utilizadas como forrageiras também podem ser viáveis, pelo fato da pecuária ser uma atividade comum em diversas regiões do Brasil, principalmente no Cerrado.

As gramíneas de maior demanda e mais promissoras para rotação na região do Cerrado, principalmente com leguminosas, são Brachiaria spp., Panicum maximum, Paspalum spp. e Andropogon guayanus. Em diversos experimentos essas espécies demonstraram pronunciado efeito antagonista:

  • inibem a eclosão de juvenis de nematoides;

  • comportamento não-hospedeiro;

  • ação como planta armadilha;

  • não permite que as populações completem seu ciclo de desenvolvimento.

6. Adição de matéria orgânica ao solo

A incorporação de matéria orgânica ao solo permite melhorar a estrutura e a fertilidade do solo. Além disso, a adição de determinados materiais ao solo auxilia na redução da população de fitonematoides.

As principais fontes de matéria orgânica utilizadas no manejo de nematoides são:

  • tortas de sementes de oleaginosas - mamona, nim, amendoim, mostarda, algodão, soja, linho e outros;

  • biomassa vegetal - mucuna, repolho, folhas de nim, alfafa, crotalária;

  • resíduos agroindustriais - resíduos da industrialização de chás, algodão, mandioca, bagaço de cana-de-açúcar, palha de café e de arroz;

  • resíduos de animais - esterco de frango e bovino, rejeitos de limpeza de peixes, farinha de ossos e quitina;

  • e lixo urbano - detritos e resíduos de tratamento de esgotos.

As populações de fitonematoides podem ser afetadas pelos seguintes mecanismos:

  • liberação de compostos nematicidas preexistentes nos materiais orgânicos;

  • produção de compostos nematicidas, como amônia e ácidos graxos, durante a degradação;

  • introdução e/ou incremento de microrganismos antagonistas;

  • aumento da tolerância e resistência das plantas ao ataque de patógenos;

  • alterações nas propriedades físicas do solo, que são detrimentais ao comportamento do nematoide.

Provavelmente, a sinergia entre esses mecanismos seja responsável pela ação supressora sobre o patógeno, mais do que o efeito isolado de apenas um deles.

7. Controle químico

Os nematicidas químicos apresentavam-se, no passado, como altamente tóxicos, podendo contaminar lençóis freáticos e reduzindo a microbiota antagonista do solo aos nematoides, e por isso foram retirados do mercado.

Atualmente, grandes investimentos têm sido realizados para o desenvolvimento de produtos eficazes e seguros ao meio ambiente. Estes produtos, aplicados em tratamento de sementes ou no sulco de plantio, atuam aumentando o vigor das plantas e auxiliando no desenvolvimento de raízes secundárias, conferindo à planta maior tolerância ao ataque do patógeno e sanidade tanto do sistema radicular quanto da parte aérea.

Alguns produtos, com efeito de contato, atuam ainda diretamente sobre os nematoides, interrompendo sua movimentação e, consequentemente, causando sua morte por inanição, já que estes não conseguem penetrar as raízes para dar início ao processo de alimentação.

8. Controle biológico

Vários organismos são considerados inimigos naturais de fitonematoides, como os nematoides predadores, vírus, ácaros, fungos e bactérias.

Para que um microrganismo seja considerado um bom agente de controle biológico ele deve possuir vários atributos, como por exemplo:

  • não ser patogênico às plantas e aos seres humanos;

  • ser eficiente em reduzir ou suprimir a população de nematoides;

  • ser facilmente e economicamente produzido em massa;

  • permanecer infectivo após longo tempo de armazenamento, etc.

Atualmente, os produtos mais pesquisados e utilizados como bionematicidas são à base de fungos parasitas de ovos e fêmeas, como Paelomyces lilacinus, que é um fungo primariamente saprófita, crescendo em vários substratos presentes no solo. O fungo dissemina-se rapidamente em solos agricultáveis, colonizando os ovos de nematoides após o crescimento micelial na massa de ovos.

A bactéria Pasteuria penetrans, endoparasita, também é utilizada como controle biológico por ser capaz de formar esporos de resistência no solo. Esta bactéria apresenta várias características que a colocam no patamar de agente bacteriano de maior potencial de controle biológico de nematoides, como por exemplo: sobrevivência por longos períodos no solo, resistência ao calor e à dessecação, elevado potencial reprodutivo, inocuidade ao homem e a outros animais, compatibilidade com inúmeros pesticidas e fertilizantes, não é afetada por práticas culturais e não apresenta nenhum inimigo natural descrito até o momento.

A multiplicação desse patógeno ocorre in vivo, ou seja, plantas são inoculadas com juvenis de nematoides contendo seus endósporos aderidos, em caso de vegetação. Essa produção é lenta e laboriosa, porém, sabe-se que mesmo densidades baixas de endósporos no solo podem aumentar em condições ideais, ao ponto de tornarem o solo supressivo aos nematoides.

Outras práticas

A todas as práticas citadas podemos ainda adicionar:

  • a eliminação de camadas compactadas de solo;

  • melhoria do equilíbrio do pH;

  • e a manutenção de bons níveis de potássio.

Importante salientar que a adoção dessas práticas deverá ser realizada de acordo com a necessidade de cada área, da espécie de fitonematoide presente e do seu nível populacional.

Para maiores informações e a criação de um programa de controle de nematoides eficaz, consulte um engenheiro agrônomo de sua confiança.

Dúvidas sobre controle de nematoides em soja? Deixe suas perguntas, compartilhe as suas experiências e as soluções encontradas no espaço de comentários, logo abaixo.

Por Renata Souza

Agrônoma formada pela Universidade Federal de Uberlândia, MSC em Fitopatologia - Nematologia pela mesma universidade, com MBA em Agricultural Business Operations (ESALQ-USP), atua há mais de 10 anos como fitopatologista no Programa de Melhoramento Genético de Soja. Possui larga experiência na caracterização fenotípica de linhagens a doenças e suporte ao desenvolvimento de marcadores moleculares. Atualmente é Pesquisadora na Corteva Agriscience™, Divisão Agrícola da DowDuPont.

Publicado em: 12/07/2016
Atualizado em: 29/05/2019

Referências:
BARKER, K.R.; HUSSEY, L.R.; KRUSBERG, L.R.; BIRD, G.W.; DUNN, R.A.; FERRIS, H.; FERRIS, V.R.; FRECKMAN, D.W.; GABRIEL, C.J.; GREWAL, A.E.; McGUIDWIN, A.E.; RIDDLE, D.L.; ROBERTS, P.A.; SCHIMITT, D.P. ; Plant and soil nematodes: societal impact and focus for the future. Journal of Nematology, Lakeland, v.26, p.127-137, 1994.
FERRAZ, S.; VALLE, L. A. C. Controle de fitonematoides por plantas antagônicas. Viçosa, MG: Editora UFV, 1997. 73 p. (Cadernos Didáticos).
FERRAZ, S.; VALLE, L. A. C.; DIAS, C. R. Utilização de plantas antagônicas no controle do nematoide de cistos da soja (Heterodera glycines Ichinohe). In: Sociedade Brasileira de Nematologia (ED). O nematoide de cisto de soja: a experiência brasileira. Jaboticabal, SP: Artsigner Editores, 1999. P. 25-53.
FERRAZ, S.; FREITAS, L. G. de.; LOPES, E. A.; DIAS-ARIEIRA, C. R.; Manejo sustentável de fitonematoides. Viçosa, MG, Ed. UFV, 2010. 306 p.
FREITAS, L. G.; CARNEIRO, R. M. D. G. Controle biológico de nematoides por Pasteuria spp. In: MELO, I. S. de (Org). Controle Biológico. Jaguariuna, SP: EMBRAPA, 2000. p. 197-216.
HALBRENDT, J. M.; LAMONDIA, J. A. Crop rotation and other cultural practices. In: CHEN, Z.; CHEN, S.; DICKSON, D. W. Nematology - advances and perspectives. V. II: Management and utilization. Beinjing: Tsinghua University Press; Wallingford: CABI Publishing, 2004. P.909-930.
Ritzinger, C. H. S. P.; Costa, D. C.; Nematoides e alternativas de manejo. Livro Banana, capítulo x, p. 183-184.
ROBERTS, P. A. Concepts and consequences of resistance. In: STARR, J. L.; COOK, R.; BRIDGE, J. (Eds.). Plant resistance to parasitic nematodes. Wallingford: CAB International, 2002. P. 23-41.
SPAIN, J. M.; AYARZA, M. A.; VILELA, L. Crop pasture rotations in the Brazilian Cerrados. In: SIMPóSIO SOBRE O CERRADO, 8., 1996, Brasília. Anais…Brasília: EMBRAPA/CPAC, 1996. P. 39-45.
STIRLING, G. R. Biological Control of plant parasitic nematodes: progress, problems and perspects. Wallingford: CAB International, 1991, 282 p.
TIHOHOD, D. Nematologia agrícola aplicada. Jaboticabal: FUNEP, 372 p. 2000.

94694 visualizações
 

 Comente

 
Nome  *
E-mail  *
Estado  *
Cidade  *
Código de segurança  *

Comentário  *
* Campos Obrigatórios
Atenção:

• Todos os comentários feitos neste Blog passam pela moderação de administradores e assim que possível serão publicados.

• Lembramos que os comentários postados são de responsabilidade do usuário e não representam necessariamente a posição da DuPont Pioneer sobre o assunto em discussão.

  • Comentários (18)

Murilo Geller

18/6/2020 19:06:54
Qual a diferença no manejo em terras extremamente arenosas e terras argilosas?
Blog Pioneer
9/11/2020 11:56:17
Caro Sr. Murilo, tudo bem? Sabemos que o controle de fitonematoides em solos arenosos costuma ser mais difícil, comparando-se à solos argilosos, pois, quanto menos argila o solo possuir, maior será a multiplicação da população de nematoides, e, igualmente a perda na produção. Os métodos de controle são basicamente os mesmos para ambos os tipos de solos (arenosos e argilosos), porém, com intensidades e combinações diferentes, de acordo com a necessidade do local. Primeiramente, recomendaria à você realizar uma amostragem para verificar qual (is) espécie (s) existe na área e também realizar sua quantificação (nematoides/cm3 de solo). Em uma área de solo arenoso, com alta população de Meloidogyne spp., por exemplo, somente o uso de cultivares resistentes teria pouca eficácia, assim, o mais correto seria fazer uma combinação de diferentes métodos, como utilizar cultivares resistentes associada ao uso de adubos verdes no período de entressafra, que é sempre uma boa opção, pois costumam produzir bem, mesmo em solos arenosos. Dessa forma, a grande diferença está na combinação de métodos utilizados, bem como sua intensidade para o controle de nematoides em solos arenosos. Abraço! Renata Souza

Claudineia favarin

8/12/2019 16:57:49
Tratamento na semente ajuda a combater o nematoides
Renata
16/12/2019 18:33:08
Cara Claudineia, após a germinação, as plântulas começam a liberar exsudatos radiculares que irão atrair os fitonematoides, iniciando então o processo de infecção. O objetivo do tratamento de sementes é proteger as plântulas nesse estágio inicial, evitando a infecção tão cedo e permitindo que estas venham a ter um arranque. É importante observar o residual desses produtos junto ao fabricante, se um produto tem residual de 30 dias, as plantas estarão protegidas durante esse período. Logo após, os nematoides darão inicio à penetração nas raízes. A vantagem é que as plantinhas já estarão maiores e com melhores chances de se desenvolverem sem sentir tanto o ataque. Lembre-se de que apenas o tratamento de sementes não é suficiente para garantir a produtividade, se sua área tem infestação conhecida, colete amostras e envie para laboratórios de confiança que possam fazer a identificação das espécies presentes. Utilize cultivares/híbridos que ofereçam resistência genética à tais espécies e faça essa associação com o TS e/ou outros métodos que auxiliem a redução dessas populações. Grata, Renata

marcos moreira

23/9/2019 14:43:49
Prezada pesquisadora; Parabéns pelo seu oportuno e esclarecedor texto e pelas recomendações para o controle integrado de fitonematóides. A minha dúvida é saber se há possibilidade de contaminação e ou disseminação de fitonematóides por intermédio da adubação com esterco de gado ou esterco bovino. Um produtor me garantiu que contaminou a sua área devido a adubação com esterco. Agradeço pela sua atenção e aguardo seu retorno. Att. marcos moreira
Carlos Rosa
26/9/2019 11:00:59
Prezado Sr. Marcos, Obrigado pelo seu questionamento e interesse na matéria. Sua pergunta é bastante interessante, uma vez que o esterco de gado é muito utilizado como adubação orgânica, especialmente em hortaliças. Entretanto, a disseminação de fitonematoides por essa via é pouco provável, já que a passagem pelo trato digestivo causa a morte dos vermes presentes no alimento fornecido ao gado. Excepcionalmente, a contaminação poderá ocorrer caso o esterco seja misturado a algum outro substrato orgânico contaminado, antes da aplicação na área cultivada. De qualquer modo, na situação descrita, recomenda-se realizar coletas de plantas infectadas e do adubo utilizado, para a identificação da espécie de nematoide presente. Com essa informação em mãos, será possível estudar o caso de modo específico e fornecer um parecer mais preciso. Abraço!

Miguel Angelo

4/9/2019 13:05:22
Boa tarde, Meu nome é Miguel, sou estudante de gestão de agronegócio e, Gostaria de saber se a lavoura é orgânica, qual seria o procedimento correto para combater a nematoide?.. Att. Miguel.
Paulo Tomé
10/9/2019 8:12:05
Bom dia, Miguel! Para lavouras orgânicas podemos utilizar as seguintes ferramentas: - Uso de cultivares resistentes; - Rotação de culturas com outras espécies não hospedeiras; - Uso de plantas antagonistas (Crotalaria spectabilis, Brachiaria spp. a Mucuna deeringiana, o Ricinus communis (mamona), Canavalia ensiformes (feijão de porco) e Secale cereale (centeio)); - Adição de matéria orgânica ao solo; - Utilização de controle biológico (inimigos naturais como nematoides predadores, vírus, ácaros, fungos e bactérias). Abraço, Paulo Tomé!

Kenjiro Mine

5/6/2019 3:13:43
Prezada pesquisadora, parabéns pela matéria e por compartilhar conhecimento. Não tenho a formação agronômica mas o assunto Nematoide me leva de volta à década de 1990 quando o algodão ainda era uma cultura importante na região de Ribeirão Preto. Hoje, a cultura predominante é a cana de açúcar. Como produtor curioso, tenho avaliado resultados de produto biológico à base de bactérias. Bacillus subtilis seria uma bactéria que promove uma boa "convivência" entre planta - praga - solo, uma vez que não se consegue exterminar os nematoides e sim, conviver?
Sandro Quinebre
7/6/2019 9:54:07
Olá, Kenjiro! Agradecemos o comentário! Toda ferramenta de manejo sempre será bem-vinda quanto ao controle de nematoides, seja ela via biológica, química (ativos) ou genética, etc. No entanto, vale ressaltar a importância da combinação de estratégias dentro do planejamento, para buscar uma eficiência maior. Para bactéria citada, existem alguns estudos que relatam resultados de redução sobre populações de nematoides, principalmente para formadores de galha (o que é um benefício interessante), porém, caso a área possua mais de uma espécie (ex: pratylenchus) outra ferramenta adicional deverá ser utilizada. Se tiver mais alguma dúvida, é só nos deixar um comentário. Abraço!

Osvaldo Tsuji Morita

25/12/2018 9:45:25
Prezado senhores O nematoide é resistente a temperatura elevadas? Qual a temperatura necessária para exterminá-los? Grato Osvaldo
Renata Souza
18/1/2019 14:01:12
Olá, Sr. Osvaldo! Os fitonematoides não possuem resistência à altas temperaturas. Sua temperatura ideal para multipliação fica entre 28 a 32ºC, acima disso, qualquer temperatura começa a dificultar sua multiplicação e sobrevivência. É comum utilizar-se da técnica de solarização para auxiliar no controle das populações no campo, essa técnica pode ser realizada revolvendo o solo e expondo-o à radiação solar direta, trazendo ovos e juvenis (geralmente se encontram entre 20 a 40 cm de profundidade) para as camadas mais superficiais. É necessário um planejamento para que o solo seja revolvido, pelo menos, 2 a 3 vezes, durante o processo. Em áreas menores, especialmente hortaliças e frutas (como morangos), tem-se utilizado uma cobertura plástica sobre o solo, deixando-a em média 10 dias. Temperaturas acima de 36ºC costumam ser suficientes para reduzir consideravelmente as populações. Espero ter ajudado!

José Conceição

13/1/2018 14:34:22
Eu tenho um cultivo de pepino na metade da minha área, e está muito atacada por nematóides. Poderiam me orientar o que fazer?
Renata Souza
17/1/2018 14:42:04
Bom dia Sr. José! Seguem algumas considerações que poderão auxiliá-lo: -Em primeiro lugar, o senhor deverá coletar amostras das raízes e enviar para um laboratório de análise nematológica, pois é necessário saber exatamente qual espécie está atacando sua área, para mais tarde buscar cultivares de pepino resistentes à ela. Existem excelentes laboratórios, como a APROSMAT (em Rondonópolis), o LABRAS (em Monte Carmelo), e o Laboratório de Nematologia da Universidade Federal de Uberlândia. Geralmente o custo dessas análises é baixo. -O senhor cita que metade da área de cultivo está atacada, então, sempre que for realizar qualquer tipo de manejo, entre primeiro na área afetada e logo após faça a limpeza dos equipamentos e máquinas utilizados, para evitar assim que o restante da área também seja contaminada (na verdade, é provável que já esteja, mas pelo menos evita que a população aumente muito rápido). Essa limpeza deve ser seguida de uma esterilização dos materiais com uma solução a 1% de Hipoclorito de Sódio (basta fazer a diluição, por exemplo: em 10 litros de água, colocar 100 ml de hipoclorito). Deixe os materiais pelo menos 10 minutos em imersão. -Se o plantio for realizado a céu aberto, o senhor deverá plantar, nessa área mais contaminada, um adubo verde, a Crotalária spectabilis, que é uma ótima opção, e depois incorporá-lo ao solo antes do próximo plantio de pepino. Também indico que faça uma pesquisa na sua região e compre uma variedade de pepino resistente à nematóides (para isso o senhor deverá saber qual espécie de nematóide está atacando sua área). Essas duas ações, Crotalária + variedade resistente, já ajudarão muito a reduzir o inóculo da área. Mas lembre-se: essa prática deve ser contínua, após realizá-la, pode até voltar a plantar a variedade que está acostumado, mas em seguida, faça novamente, para que o inóculo não volte a aumentar. Se a sua produção for realizada dentro de uma estufa: -Antes do plantio: distribuir sobre o solo um composto orgânico (para aumentar a matéria orgânica) e incorporar até 10 cm de profundidade. 15 dias após, pode-se fazer o transplantio das mudas, e logo após, fazer uma cobertura do solo, na linha de plantio, com cascas de amendoim. Em seguida, faça uma aplicação de algum produto biológico (fungos ou bactérias) via gotejamento. Essas práticas ajudarão a aumentar microrganismos que se alimentam de nematóides, auxiliando o controle. Não se esqueça de associar essas práticas à variedades de pepino resistentes. -Caso o senhor já tenha realizado o transplantio das mudas, faça a aplicação do produto biológico via irrigação para tentar reduzir um pouco a população de nematóides e posteriormente, faça a prática acima. A correção da fertilidade do solo com a matéria orgânica, o uso de produtos biológicos e variedades resistentes, irão ajudar-lhe muito a reduzir a população de nematóides de sua área. A rotação de culturas também é uma ótima opção, como citei acima, a Crotalária, bem como o milheto ADR 300 são excelentes, pois o fator de reprodução dos nematóides neles é igual a zero. Infelizmente não existem produtos químicos no mercado com registro para a cultura do pepino, então eu não saberia lhe dizer se existe algum que seja seguro. Os produtos biológicos são muito efetivos, mas precisa-se seguir à risca todas as recomendações no preparo, pois são seres vivos que precisam de condições adequadas para sua sobrevivência e multiplicação. Faça seu uso constante, apenas uma aplicação pode ajudar, mas não irá resolver o problema. Após uma área ser contaminada com fitonematóides, é muito difícil conseguir eliminar completamente a população, mas se as medidas acima forem adotadas de forma regular e sistemática, é possível sim o controle, garantindo assim uma boa produção. Espero que essas dicas possam auxiliá-lo. Abraços Renata Souza Engenheira Agrônoma, MSC em Fitopatologia/Nematologia

João Saibro

12/7/2016 15:42:37
Bastante interessante e útil as informações. Para o RS, poderia indicar um laboratório especializado para avaliar as espécies de fitonematoides em solos cultivados com espécies forrageiras de primavera-verão? Grato.
Renata Souza
13/7/2016 16:01:58
Sr. João, primeiramente agradeço seu comentário! Existe uma clínica bastante conceituada chamada Agronômica – Laboratório de Diagnóstico Fitossanitário e Consultoria, localizada em Porto Alegre. Acredito que eles possam auxiliá-lo.

Solismar Venzke Filho

12/7/2016 15:22:44
Parabéns pelo artigo. Por uma questão terminológica e conceitual sugiro que chame a categoria de nematoides que parasitam as plantas de FITONEMATOIDES, assim distinguido-os dos nematoides de vida livre que habitam o solo. Estes últimos são essenciais para a regulação e a disseminação (no perfil) da comunidade bacteriana e fúngica do solo. A ocorrência do loop microbiano no corium do solo só é possível na presença dos seus predadores (nematoides, protozoários e microacaros). Estima-se que o loop microbiano contribui com 40-60% dos nutrientes para a planta em solos agrícolas e 80-96% em solos de florestas e pastagens naturais. O controle de fitonematoides a níveis de não dano em solos agrícolas passa por um entendimento do seu ciclo reprodutivo e da cadeia trófica existente no seu habitat. No mais era isso e mais uma vez Renata, parabéns pelo texto.
Renata Souza
13/7/2016 16:11:29
Professor Solismar, agradeço muito seus comentários. Utilizei a nomenclatura nematoides apenas para facilitar o entendimento daqueles que não têm conhecimento técnico e que poderiam estar lendo o texto, mas me atentarei mais para evitar qualquer confusão em relação à nomenclatura. Mais uma vez, obrigada!
     
 

 Posts Relacionados

 
 

 DuPont Pioneer no Facebook

 
​​​​​
 

 Informações Técnicas

 
Receba informações técnicas da DuPont Pioneer. Cadastre-se
 

 Sugestões

 
Deseja enviar uma sugestão de pauta para o blog? Clique aqui e preencha o formulário
 

 Núvem de Tags