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Como Minimizar os Efeitos das Condições Climáticas Adversas na Cultura do Milho

19
jul
2016
Agronegócio, Clima, Doenças, Manejo, Milho, Solo

Por José Carlos Cazarotto Madaloz¹, Bernardo Tissot² e Richard Mello³

Eventos climáticos são ocorrências em um determinado ano, como inundações, tempestades, geadas, ondas de calor e secas prolongadas. A frequência desses eventos é, geralmente, atribuída ao El Niño e La Niña, fenômenos decorrentes das variações dos níveis de temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico.

As consequências dessas variações são diretas sobre a temperatura e precipitação no Brasil, e em vários aspectos, tendem a afetar setores da economia que dependem do clima. Este texto tratará especialmente do setor agrícola, com foco na cultura do milho e nos efeitos das condições climáticas adversas para a produtividade em alguns períodos, visando a mitigação desses riscos.

Primeiramente, vale lembrar as diferenças dos fenômenos El Niño e La Niña, bem como suas influências:

  • Durante o El Niño ocorre o aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento do oceano e o enfraquecimento dos ventos implicam em mudanças na circulação da atmosfera nos níveis baixos e altos, determinando uma transformação nos padrões de transporte de umidade e, portanto, na variação da distribuição das chuvas em regiões tropicais e de latitudes médias e altas.
  • O fenômeno La Niña possui características opostas ao El Niño, caracterizando-se por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser opostos aos do El Niño, porém, nem sempre uma região afetada pelo El Niño apresentará impactos significativos no tempo e clima devido a La Niña (Fonte: www.cptec.inpe.br).

Figura 01 - A diferenciação entre os fenômenos La Niña e El Niño pode ser observado pela coloração da imagem, que ilustra a temperatura da superfície do mar do Oceano Pacífico. Fonte: Climate.gov.

Como exemplo do ocorrido na safra passada, quando o clima estava sobre a influência do El Niño, observaram-se as seguintes consequências na precipitação e temperatura no Brasil: Na região norte houve uma redução de chuvas nas proporções leste e norte da Floresta Amazônica, caracterizando estiagens cíclicas para a região e aumento das queimadas. A região centro-oeste foi marcada pelo aumento das chuvas durante o verão, com elevação intensa das temperaturas na segunda metade do ano. No nordeste as secas foram severas nas regiões central e norte, afetando, principalmente, a região do Polígono das Secas, que vivenciou crises dramáticas em relação à escassez hídrica. No sudeste do país, houve um aumento das temperaturas no inverno e uma intensificação no regime de chuvas. Já o sul sofreu com a manifestação de chuvas torrenciais, muito acima das médias históricas, além da intensificação das temperaturas. Para a La Niña, nestas mesmas regiões, os efeitos tendem a ser inversos.

Análises do Instituto Internacional de Pesquisas da Universidade de Columbia (IRI), de 14 de julho de 2016, indicam que a chance de ocorrência do fenômeno La Niña aumenta para os trimestres seguintes. Segundo o relatório, a “maioria dos modelos de previsão ENSO indicam condições ENSO neutro durante julho, com evolução provável do La Niña (provavelmente fraca) no final de agosto ou setembro”, durando entre a primavera e verão. (Gráfico 01).

No Brasil, a maior parte dos efeitos será sentido no decorrer do próximo período de chuva, entre a primavera e o verão. No inverno, seja El Niño ou La Niña, a estação normalmente é mais seca. Somente na região Sul os efeitos de La Niña serão sentidos mais fortemente com tendência de acúmulo de chuva menor que o registrado no mesmo período do ano passado.

Gráfico 01 - Modelo com base em probabilidade, mostrando a tendência climática para próxima safra de verão. Fonte: IRI/Columbia University.

Com base nessa tendência climática, dividimos o desenvolvimento do milho em três períodos, sendo eles: plantio, vegetativo e reprodutivo (Figura 02). E, a partir disso destacaremos alguns fatores que podem interferir na produtividade e o que pode ser coordenado na propriedade para minimizar os efeitos climáticos adversos.

Figura 02 - Fatores que podem interferir na produtividade do milho.

Período de Plantio:

O conhecimento da época ideal de plantio de um híbrido é um fator que pode interferir diretamente na expressão do potencial produtivo. A influência do evento climático na safra, variações na precipitação e temperatura, podem determinar o período de plantio. O que deve ser coordenado é a melhor condição de plantio com a melhor época de plantio (Figura 03).

Figura 03 -Exemplo de um mesmo híbrido com períodos ideais de plantio de acordo com a sua Zona Ambiental Homogênea (ZAH). Fonte: Agronomia DuPont Pioneer.

Outro fator importante no período de plantio é a utilização da correta população de plantas de acordo com cada híbrido. Esse ajuste de população na lavoura pode diminuir riscos em safras com estiagem, e auxiliar no melhor aproveitamento dos recursos (água, luz e nutrientes) evitando a competição intraespecífica.

Vejamos um estudo realizado com três híbridos (Gráfico 02) submetidos a diferentes populações de plantas, mostrando que a melhor população para o ambiente resultou em maior aproveitamento da expressão do potencial produtivo do híbrido.

Gráfico 02 - No gráfico percebe-se que a melhor população para o ambiente resultou em maior aproveitamento da expressão do potencial produtivo do híbrido. Fonte: Agronomia DuPont Pioneer.

Destacamos também, nesse período, a profundidade de plantio e distribuição de plantas(Figura 04) com o objetivo principal de minimizar a competição por recursos conforme citado anteriormente.

Um estudo da DuPont Pioneer dos EUA mostra os efeitos da profundidade (atraso na emergência) de plantio e possíveis perdas em produtividade (Figura 05):

Figura 04 - Correta distribuição de sementes na linha

Figura 05 - Efeitos da profundidade (atraso na emergência) de plantio e possíveis perdas em produtividade.

Período Vegetativo:

Na cultura do milho, em estádio V8, sob estresse hídrico, é perceptível a diferença que a palhada pode fazer (Gráfico 03). A falta de água nesse período pode afetar o comprimento dos internódios, provavelmente pela inibição do alongamento das células em desenvolvimento, concorrendo, desse modo, para diminuição da capacidade de armazenagem de açúcares no colmo. O déficit de água também pode resultar em colmo mais fino, plantas de menor porte e menor área foliar (Embrapa, Circular técnico, 2006).

Gráfico 03 - Palhada na superfície do solo sob estresse hídrico. Fonte: Cruz et. al, 2007

Outro fator relevante nesse período refere-se a um atributo físico do solo, a compactação (Figura 06). Com restrição hídrica no período de desenvolvimento radicular da cultura, as barreiras físicas resultantes da compactação do solo provocam dificuldade de penetração do sistema radicular do milho, dificultando a busca por água e nutrientes, e assim, reduzindo a produtividade da cultura.

Figura 06 - Compactação e efeitos

O equilíbrio nutricional do solo também faz parte das ações que contribuem para minimizar os efeitos climáticos adversos. Em um solo com desequilíbrio nutricional, em situações de estresse hídrico, os nutrientes Nitrogênio (N), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Enxofre (S) e Boro (B) são os que mais sofrem com a disponibilidade para a planta. Nessa situação, e com presença do Alumínio (Al) no solo, as plantas são mais afetadas conforme ilustrado na figura 07.

Figura 07 - Plantas expostas à seca em plantio direto são mais afetadas pela toxicidade do Al. Fonte: Joris, Caires, Bini et al. (2013) – Plant Soil

A Adubação Nitrogenada é mais um ponto importante a ser considerado (Figura 08). Essa operação possui a maior correlação com a produtividade da cultura. O uso inteligente de Nitrogênio, observando as condições climáticas no período da aplicação versus o seu fracionamento, otimizam o uso desse nutriente pela planta e ajudam a “driblar” os possíveis efeitos negativos climáticos nessa fase.

Figura 08 - Adubação Nitrogenada. Fonte: Agronomia DuPont Pioneer

Um último fator destacado no período vegetativo são as doenças foliares. Em decorrência dos eventos climáticos, podemos verificar variações na precipitação e temperatura, o que auxiliará na previsão do aparecimento do patógeno. Vejamos na tabela 01 a tendência de ocorrência das principais doenças foliares e condições ideais para o seu desenvolvimento.

Período Reprodutivo (Embonecamento e Polinização):

Esse estádio inicia quando os estilos-estigmas estão visíveis para fora das espigas. A polinização ocorre quando o grão de pólen liberado é capturado por um dos estilos-estigmas. O grão de pólen, uma vez em contato com o “cabelo”, demora cerca de 24 horas para percorrer o tubo polínico e fertilizar o óvulo. Geralmente, o período requerido para todos os estilos-estigmas em uma espiga serem polinizados é de 2 a 3 dias. Os “cabelos” da espiga crescem cerca de 2,5 a 4,0 cm por dia e continuam a se alongar até serem fertilizados.

O número de óvulos que será fertilizado é determinado nesse estádio. Óvulos não fertilizados evidentemente não produzirão grãos. Estresse ambiental nessa fase, especialmente o hídrico, causa baixa polinização e baixa granação da espiga, uma vez que, sob seca, tanto os “cabelos” como os grãos de pólen tendem à dissecação. Vejamos o período crítico do milho em exigência hídrica na figura 09.

A influência do ambiente nessa etapa de desenvolvimento é decisiva. Recomenda-se que seja feito um criterioso planejamento da cultura, com referência principal à época de semeadura e à escolha do híbrido, de forma a garantir as condições climáticas favoráveis exigidas pela planta nesse estádio. (Embrapa, Circular técnico, 2006)

Figura 09 - Período crítico do milho em exigência hídrica. Fonte: Agronomia DuPont Pioneer

Para gerenciamento dessa fase, a DuPont Pioneer tem introduzido, desde o início dos anos 2000, o conceito do Sistema de Combinação de Híbrido (SCH). Este conceito surgiu da condução de ensaios e observações a campo onde notou-se que os híbridos de ciclo diferentes se comportavam de maneira diversa de ano para ano, conforme as condições climáticas a que eram submetidos.

Como a produtividade do milho é resultado direto da combinação de três fatores (ambiente, manejo e genótipo), busca-se através do SCH uma ferramenta de auxílio ao produtor para que ele possa garantir um lucro aceitável em anos de adversidade.

A combinação de híbridos com ciclos diferentes, sob um período de estresse, por exemplo, pode ser uma estratégia para minimizar perdas na propriedade. Vejamos duas simulações da aplicação do SCH na figura 10.

Figura 10 - Sistema de Combinação de híbridos. Fonte: Agronomia DuPont Pioneer.

Na simulação 01 temos a ocorrência do estresse hídrico em novembro, prejudicando 100% o híbrido P1630, 50% os híbridos P2530 e P2866 e 0% os híbridos 30F53 e P3456. Já na simulação 02, há ocorrência de estresse hídrico em dezembro, prejudica 100% os híbridos 30F53 e P3456, 50% os híbridos P2530 e P2866 e 0% o híbrido P1630.

Para saber mais sobre como minimizar os efeitos das condições climáticas adversas, assista à Palestra Online, ministrada por José Carlos Madaloz, onde você terá um panorama geral sobre os acontecimentos climáticos das últimas safras, tendências climáticas para a próxima safra e também maiores informações sobre o Sistema de Combinação de Híbridos.

Dúvidas sobre algum tópico discutido? Deixe as suas perguntas no espaço de comentários logo abaixo.

¹ Agrônomo de Campo na DuPont Pioneer
² Agrônomo de Campo na DuPont Pioneer
³ Agrônomo de Campo na DuPont Pioneer

Referências:

CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS, disponível em www.cptec.inpe.br, acesso em 18/07/2016. CRUZ, C.C.; ALVARENGA, R.C.; NOVOTNY, E.H.; PEREIRA FILHO, I.A.; SANTANA, D.P.; PEREIRA, F.T.F. & HERNANI, L.C. Sistema plantio direto. Embrapa Milho e Sorgo. Sistema de produção. Versão Eletrônica – 3.ed. 2007.
EMBRAPA. Circular técnico 76, Fisiologia da produção do milho. 2006.
GEOGRAFIA ENSINAR E APRENDER. De El Niño para La Niña. Disponível em http://geografia-ensinareaprender.blogspot.com/2016/06/de-el-nino-para-la-nina.html, acesso 18/07/2016.
INSTITUTO INTERNACIONAL DE PESQUISA DA UNIVERSIDADE DE COLUMBIA (IRI), disponível em http://iri.columbia.edu/, acesso em 18/07/2016.
JOIRIS; CAIRES; BINI et al. 2013. Soil Plant. Palestra: A prática da calagem em sistema de plantio direto. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Desenvolvimento_Sustentavel/Abc/Palestras/Seminario%20Dia%20Nacional%20do%20Calcario%20-%20maio%202013%20-%20Dr_%20Caires.pdf, acesso em 18/07/2016.
MUNDO EDUCAÇÃO. Influência do El Niño no Brasil. Disponível em http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/influencia-el-nino-no-brasil.htm, acesso em 18/07/2016.
OLIVEIRA, Gilvan Sampaio. O El Niño e você – o fenômeno climático, disponível em http://enos.cptec.inpe.br/saiba/Oque_el-nino.shtml, acesso em 18/07/2016.

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  • Comentários (3)

Ronaldo Trecenti

19/7/2016 14:23:37
Excelente artigo, mas me causou surpresa não citar os efeitos dos seguintes fatores: sistema de cultivo (sistema convencional x sistema plantio direto, rotação de culturas x sucessão de culturas e quantidade e qualidade da palhada x pousio).
Richard Paglia de Mello
21/7/2016 16:25:19
Prezado Sr. Ronaldo! Inicialmente, agradecemos a sua participação e comentário no artigo. Quanto a sua observação, são outros pontos bastante importantes e que somam ao que escrevemos a respeito da minimização dos efeitos das condições climáticas adversas na cultura do milho. O foco da nossa abordagem, nesta semana, é o benefício da palhada versus umidade do solo (perda de água), ficando para outro momento a abordagem dos outros fatores citados pelo senhor. Forte abraço, Richard.
Ronaldo Trecenti
25/7/2016 17:54:52
Excelente. Aguardarei.
     
 

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