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Estudo de Redução de Espaçamento para Soja

07
dez
2018
Soja

A área de soja plantada no mundo em 17/18 soma mais de 124 milhões de hectares (USDA), e no Brasil, o segundo maior produtor do grão do mundo, a cultura da soja é a mais cultivada, ocupando cerca de 35 milhões de hectares (safra 17/18, CONAB). Sozinha, a cultura da soja é responsável por mais de 56% da área cultivada do Brasil.

Levando em consideração esses dados, é preciso estar atento a cada detalhe da cultura para extrair dela o seu máximo em produtividade, pois é justamente isso o que nos tornará cada vez mais eficientes, utilizando o mesmo volume de área.

 

O potencial produtivo das cultivares está intimamente relacionado às condições do ambiente onde as plantas irão se desenvolver. O arranjo espacial das plantas, pode exercer influências preponderantes na produtividade, podendo reduzí-la ou aumentá-la.

O arranjo das plantas é definido por:

  • densidade de semeadura de plantas por hectare;
  • espaçamento entre as fileiras;
  • e uniformidade de distribuição de plantas dentro das fileiras.

Além da uniformidade de distribuição das plantas nas fileiras e dentro de cada fileira, o arranjo espacial vai depender das características morfofisiológicas da cultivar e da época da semeadura.

Estudos sobre arranjo espacial de plantas

Nas décadas de 1980 a 1990, foram conduzidos vários trabalhos no Brasil com diferentes espaçamentos entre fileiras, com cultivares de soja distintas das atuais. Nessa época, as cultivares se caracterizavam por grupos de maturação maiores (mais tardias).

Desde então, houve vários avanços e mudanças nas características morfofisiológicas das cultivares de soja e nas práticas de manejo, tais como:

  • aumento da expectativa de produtividade de grãos;
  • semeadura antecipada da soja para possibilitar o cultivo de milho ou algodão na segunda safra, etc.;
  • Estes fatores justificam novos estudos com o objetivo de verificar a eficiência da distribuição espacial utilizada, principalmente, quando se trata do espaçamento entre linhas.

A expectativa do aumento da produtividade de grãos aliada ao aumento de custos, faz com que sejam necessárias mudanças nas práticas de manejo da cultura. Dentro deste contexto, os estudos de arranjo espacial de plantas são fundamentais para otimizar vários aspectos na cultura da soja, tais como:

  • aumento do potencial produtivo;
  • competição intraespecífica entre plantas;
  • maior habilidade de competição com plantas daninhas;
  • eficiência na interceptação da energia solar;
  • melhor uso da água;
  • otimização da exploração uniforme da fertilidade do solo;
  • maior eficiência das pulverizações;
  • redução de incidências de doenças e pragas;
  • adequação para a semeadura antecipada da soja;
  • semeadura do milho de segunda safra em sucessão à soja.

Estudos realizados por Rambo et al. (2003), mostram a correlação entre o número de plantas/m2 (20, 30 e 40) e o espaçamento entre linhas (20 e 40 cm) com o rendimento em Kg/ha, número de ramos/m², nós férteis/m², legumes férteis/m², grãos/legumes e peso de 100 grãos (g).

Nesses estudos, concluiu-se que o arranjo de plantas com menor espaçamento e população de plantas, proporcionou menor competição intraespecífica, resultando em maior rendimentos de grãos, ocasionado pelo maior número de legumes férteis/m² associado ao maior peso do grão.

Por outro lado, resultados obtidos pelos pesquisadores Carpenter e Board (1997) e Rubin (1997), haviam concluído que mesmo trabalhando com populações extremas, que variam de 7 plantas/m² até 63 plantas/m², não foram obtidas variações no rendimento de grãos.

Nos últimos quatro anos, trabalhos de pesquisa realizados em várias regiões produtoras do Brasil, com várias cultivares e ambientes, concluiram que a redução do espaçamento de 0,45 a 0,50 m para 0,25 a 0,30 m, não apresentaram resultados que proporcionassem vantagens que justificassem a mudança ou regulagens dos maquinários para tal finalidade.

É importante salientar que os ajustes do espaçamento devem ser fundamentados nas características morfofisiológicas de cada cultivar, no ambiente de produção, e no manejo a ser utilizado.

Variedades mais indicadas para espaçamento reduzido

Os trabalhos com variações no arranjo de plantas de soja devem levar em consideração a grande plasticidade da cultura, que consiste na capacidade da planta de alterar sua morfologia e componentes de rendimento (como o número de grãos/legume, número de legumes/m² e peso de grão), a fim de adequá-los ao espaço disponível e à condição de competição imposta pelo arranjo das plantas.

O número de legumes/m² é o componente do rendimento que mais sofre modificações (plasticidade) pela utilização de práticas de manejo diferenciadas. Os outros dois componentes têm controle genético e, por isso, apresentam pequena amplitude de variação. (COOPERATIVE, 1994).

Estudos mais recentes sobre a redução do espaçamento entre linhas demonstram que variedades precoces — que geralmente contam com plantas compactas e com pouca ramificação, ramos próximos à haste principal, e folíolos menores — conferem ganho de produtividade de aproximadamente 400 kg/ha-1.

De acordo com Alvadi Antônio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja, a redução do espaçamento para cultivares precoces, proporcionou ganhos, em geral, de até 5 a 10%. Isso demonstra que as variações de produtividade de grãos diante da redução do espaçamento são dependentes da cultivar. (WALKER et al., 2010)

Por outro lado, a utilização de variedades tardias, que geralmente apresentam grandes ramificações e folíolos maiores e mais horizontais não apresentam ganhos consideráveis de produtividade já que estas variedades apresentam maior capacidade de compensação.

A quantidade de folhas/m², quantificada pelo índice de área foliar (IAF) é outro fator a ser considerado no arranjo espacial das plantas de soja. Esta é uma variável importante de crescimento, já que influencia na interceptação de radição solar e pode acarretar em melhor aproveitamento da luminosidade para a fotossítese. O IAF de soja necessário para garantir rendimentos elevados de soja é aproximadamente 4:1.

Perceba que o objetivo da redução no espaçamento é aumentar a produtividade na lavoura de soja, porém, nem sempre esse resultado é tão significativo. Portanto, é preciso avaliar todos os critérios com detalhes e com antecedência, para que os incrementos sejam mais elevados.

Resultados da redução do espaçamento com outros métodos de plantio

Há vários tipos de arranjo espacial dentro da lavoura. Os principais são:

  • 1. plantio cruzado;
  • 2. fileira dupla;
  • 3. agrupamento de plantas;
  • 4. convencional.

A seguir vamos abordar cada um deles resumidamente. Acompanhe!

1. Plantio cruzado

A semeadura tradicional é feita com espaçamento entre 45 e 50 cm. O espaço entre as plantas é de 7 a 10 cm. Depois de terminar o primeiro processo, a plantadeira volta ao campo e faz o mesmo movimento perpendicularmente.

Nos diferentes estudos, foi verificado que esse método não reduziu custos, porque exigia o dobro de sementes para plantio. Os resultados nunca ultrapassaram os convencionais, e não houve aumento de produtividade significativo. Em muitos casos, a lavoura era prejudicada porque a máquina passava em cima da área plantada.

2. Fileira dupla

Existem duas fileiras paralelas de semeadura com espaçamento menor, de 25 cm, e outro maior, de 75 cm. Entre as covas, a distância é a convencional, entre 7 e 10 cm. O custo é igual ao tradicional, com produtividade também similar. Porém, em alguns testes foi verificado o aumento das ervas daninhas. Isso acontece porque há maior incidência de luz.

Apesar dos defensivos agrícolas adentrarem mais nas plantas, não houve melhoria significativa na produção. Por isso, o ideal é fazer alguns testes e verificar se o método tradicional ou o de fileira dupla é melhor na sua região.

3. Agrupamento de plantas

Há um espaçamento entre fileiras de 45 a 50 cm. No entanto, a distribuição de sementes é feita de quatro em quatro, a cada 35 cm de distância na linha. Devido a essa característica, os custos dobraram, mas a produtividade não aumentou, porque as plantas disputaram os nutrientes no solo.

4. Convencional

É deixado um espaçamento entre as fileiras de 45 a 50 cm e, entre as plantas, de 7 a 10 cm. Sempre são realizadas linhas paralelas. Os estudos indicam que esse é o melhor método para as lavouras brasileiras, porque não existem contraindicações e os produtores já sabem exatamente o que fazer.

Pontos específicos que devem ser levados em conta

  • Não foi observada, nos trabalhos analisados, a influência no rendimento, com o aumento da população indicada para região e época de plantio.
  • Variedades precoces com arquitetura moderna e que, geralmente, apresentam plantas compactas, com pouca ramificação, ramos próximos à haste principal e folíolos menores, tendem a responder melhor nos trabalhos de redução do espaçamento.

Levando em consideração a tendência do mercado, do plantio de uma segunda safra utilizando variedades precoces, ainda é necessário um aprofundamento nos testes regionais para verificar a viabilidade econômica da redução do espaçamento entre linhas.

A partir dessa verificação específica da região, é possível trabalhar melhor o espaçamento da soja, porque, apesar de tender a aumentar a produtividade, também pode elevar os custos.

O que achou de conhecer mais sobre esse assunto? Você pode ver outras dicas relevantes seguindo nossos perfis nas redes sociais. Estamos no Facebook e no YouTube!


Vinicius Alencar Julio, Agrônomo de Produto da Corteva Agriscience™, Divisão Agrícola da DowDuPont


Referências:

BALBINOT Jr., Alvadi Antonio; PROCÓPIO, Sergio de Oliveira; DEBIASI, Henrique; FRANCHINI, Julio Cezar. Redução do espaçamento entre linhas na cultura da soja. Circular Técnica, 106. Acesso em acesso em novembro de 2018.
CRUZ, Fabiano Andrei B. da; FRIEDRICH, Marlo Edirceu. Arranjo espacial de plantas e adubação na cultura da soja. Acesso em novembro de 2018.
PIRES, João Leonardo F.; COSTA José Antonio C.; THOMAS, André L. Rendimento de Grãos de Soja Influenciado pelo Arranjo de Plantas e Níveis de Adubação. Acesso em novembro de 2018.
PIRES, João Leonardo F. Efeito da redução no espaçamento entre linhas da soja sobre o rendimento de grãos e seus componentes, em semeadura direta. Acesso em acesso em novembro de 2018.

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  • Comentários (7)

Marcos Sullivan Nascimento

18/8/2017 21:48:19
Muito essencial, gostei. Parabéns!

Salvador Miziara Neto

2/3/2017 15:22:30
Muito boa abordagem. Em nosso país temos uma gama enorme de combinações de fatores edafoclimáticos, além das variações em sistemas de cultivo, plantas cultivadas e tipos de equipamento, o que dificulta bastante a difusão de algumas tecnologias. Uma recomendação de cultivar, espaçamento e densidade, adequada para um determinado produtor, pode não ser, necessariamente, adequada ao seu vizinho. Cada caso exige adaptações e certas modificações, muitas vezes bastante simples, sem as quais o potencial genético de produtividade pode não se expressar.

Marcelo Cardoso Moraes

4/10/2016 21:58:39
Excelente artigo, bastante prático.

AMARILDO M PADILHA

3/10/2016 8:01:15
Concordo que pode haver um potencial de ganho para cultivares precoces. O problema está na adequação das plantadeira e condições de plantio das palhadas. Uma plantadeira de 22 cm de espaçamento numa palhada de milho vai complicar a operacionalidade do plantio (embuchamentos e etc.).
Lúcio Nunes
4/10/2016 12:34:50
Correto, Sr. Amarildo. A redução do espaçamento está diretamente ligada à adequação das plantadeiras e esta adequação resultará na distribuição correta ou não das sementes. Os estudos sobre a redução do espaçamento ainda estão iniciando e a adequação do maquinário será um ponto importante nestes estudos. Abraço, Lúcio.

RODRIGO CAVALHEIRO GOMES

27/9/2016 16:38:16
Boa tarde! Gostaria de saber se há algum estudo com resultados provados com relação ao sistema de plantio cruzado. Att. Rodrigo
Lúcio Nunes
28/9/2016 14:57:44
Olá Sr. Rodrigo! O que temos visto no campo até o momento, é que o plantio cruzado não traz resultados financeiros satisfatórios, e o posicionamento da DuPont Pioneer é que o plantio seja realizado em linhas. Esta prática ainda precisa ser melhor avaliada e adaptações de população espaçamento entre linhas e adubação devem ser amplamente testadas, antes seja feita qualquer recomendação. Veja um artigo com alguns resultados: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/967206/1/CT98.pdf
     
 

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