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A importância do armazenamento adequado de sementes de soja para manter altos níveis de germinação e vigor

23
jul
2020
Soja, Clima, Plantio

O patamar de qualidade de um lote de sementes é definido ainda no campo de produção, antes mesmo da semente entrar em ponto de maturidade fisiológica. Este nível de qualidade está relacionado, principalmente, com a uniformidade de desenvolvimento da lavoura, o que propicia uma colheita uniforme, permitindo que todas as plantas estejam no mesmo estádio de maturação.

Desta forma, o processo de colheita torna-se uma atividade chave na produção de sementes de alta qualidade, sendo um dos principais diferenciais entre a produção de sementes e de grãos.


Imagem 01. Cultivares de soja plantadas.

Processo de armazenamento

Para a manutenção de altos níveis de qualidade, o armazenamento de sementes não pode ser considerado somente a partir do seu beneficiamento, e sim, desde o ponto de maturidade fisiológica no campo de produção até o período de plantio.

Em qualquer uma destas fases, a semente está em processo de deterioração (envelhecimento), que pode ser maior ou menor dependendo de fatores genéticos, das condições ambientais (umidade relativa do ar e temperatura do ambiente) e da umidade da semente durante o armazenamento. Nas regiões de clima tropical do Brasil, as variações climáticas têm grande influência na conservação das características fisiológicas da semente.

Sementes de soja mantidas em condições convencionais de armazenamento (temperatura ambiente média de 20 a 25°C, e umidade relativa do ar de 65 a 70%), podem manter a sua germinação por um período de 6 a 8 meses.

Nestas condições, já se verifica redução do vigor da semente, e, que sob condições mais drásticas, as quedas de germinação já podem ser observadas em um período menor, de 60 a 90 dias. Este período pode ser ainda mais curto, dependendo dos níveis iniciais de vigor do lote e as condições de temperatura e umidade relativa do ar no armazenamento (VILLELA E MENEZES, 2009).

As variações climáticas anuais e as existentes entre regiões contribuem para a diferença de longevidade das sementes de um mesmo lote. Para ilustrar esta variação, obtiveram-se, no Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), dados históricos médios mensais dos últimos cinco anos de temperatura e umidade relativa do ar de três regiões do Brasil: uma estação meteorológica localizada em Brasília-DF (Gráficos 1, 2 e 3) a 1.150 metros de altitude, outra localizada em Diamantina-MT (Gráficos 4, 5 e 6), com 286 metros de altitude e Maringá (Gráficos 7, 8 e 9) com 542 metros de altitude. As três estações estão instaladas em regiões produtoras de soja, sendo que existe entre elas uma variação climática muito distinta, principalmente devido às diferenças de altitude.

Utilizando como referência os dados dos autores Villela e Menezes (2009), verifica-se que somente a região de Brasília possui condições para armazenamento por alguns meses, por apresentar temperaturas médias abaixo de 25°C. Porém, a partir do mês de outubro, há a elevação da porcentagem de umidade relativa do ar que contribui para a aceleração do processo de deterioração da semente.

Neste período, já não é recomendado o armazenamento de sementes em condições ambientais naturais mesmo nesta região. Verifica-se também que existe uma variação significativa entre os anos para os parâmetros climáticos. Este fato comprova a dificuldade de obtenção da mesma qualidade da semente ao longo dos anos, mesmo nestas regiões.



Gráfico 01. Dados históricos de temperaturas (°C) médias de uma estação meteorológica do INMET localizada em Brasília-DF.



Gráfico 02. Dados históricos de temperaturas (°C) máximas de uma estação meteorológica do INMET localizada em Brasília-DF.



Gráfico 03. Dados históricos de umidade relativa do ar de uma estação meteorológica do INMET localizada em Brasília-DF.



Gráfico 04. Dados históricos de temperaturas (°C) médias de uma estação meteorológica do INMET localizada em Diamantino-MT.



Gráfico 05. Dados históricos de temperaturas (°C) máximas de uma estação meteorológica do INMET localizada em Diamantino-MT.



Gráfico 06. Dados históricos de umidade relativa do ar de uma estação meteorológica do INMET localizada em Diamantino-MT.



Gráfico 07. Dados históricos de temperaturas (°C) médias de uma estação meteorológica do INMET localizada em Maringá-PR.



Gráfico 08. Dados históricos de temperaturas (°C) máxima de uma estação meteorológica do INMET localizada em Maringá-PR.



Gráfico 09. Dados históricos de umidade relativa do ar de uma estação meteorológica do INMET localizada em Maringá-PR.


As condições de temperatura e umidade relativa do ar mais desfavoráveis para o armazenamento das sementes, conforme verificados nos Gráficos de 1 a 9, ocorrem justamente nos meses em que, normalmente, o agricultor recebe os lotes de sementes, que ficam estocados nos barracões das fazendas, aguardando o período de semeadura. Esses lotes, na maioria das vezes, ficam em boas estruturas de armazém, porém, não estão protegidos das variações climáticas.

Observamos nos gráficos da região de Diamantino (Gráficos 4, 5 e 6) a temperatura elevada e a porcentagem de umidade relativa do ar se intensificam a partir de agosto. Caso a semente fique armazenada nestas condições, mesmo que por um período curto de tempo (30 dias), a sua deterioração será acelerada, comprometendo essencialmente o vigor germinativo.

Essa condição climática desfavorável pode ser observada na maior parte da região tropical brasileira, podendo variar conforme a altitude do local. Quando o agricultor recebe os lotes de sementes para o plantio, a mesma esteve armazenada por um período aproximado de 150 dias e, mesmo estando em condições adequadas na entrega da semente, ela poderá ainda manifestar alterações fisiológicas caso não continue sendo armazenada adequadamente ainda antes do plantio.

Mesmo na região Sul do Brasil, como podemos observar nos gráficos de Maringá (Gráfico 7, 8 e 9), a temperatura média se eleva significativamente na janela de plantio e, dependendo do ano, podemos ter condições ambientais desfavoráveis para a armazenagem de semente, sem uma estrutura adequada.

Portanto, nesta fase crítica para a manutenção do vigor da semente, o produtor tem um papel fundamental, podendo atuar utilizando duas estratégias. A primeira delas provém da solicitação da data de entrega da semente o mais próximo possível da data do início do plantio, preferencialmente com até 15 dias de antecedência.

A outra estratégia consiste no armazenamento da semente em ambiente controlado (climatizado) em sua propriedade, caso o produtor esteja incerto da data de sua semeadura, devido à instabilidade do início das chuvas.

Um estudo recente, realizado pela Corteva Agriscience, revela o impacto do armazenamento da semente em ambiente climatizado para a manutenção de altos padrões de vigor. O Gráfico 10 mostra o efeito da variação climática (temperatura e umidade relativa do ar) sobre a germinação e vigor da soja numa região de produção de sementes do Centro-Oeste do Brasil. Pode-se verificar que a inclinação da linha de vigor em função do tempo de armazenamento para o ambiente convencional (sob condições ambientais naturais) é mais acentuada do que para o ambiente climatizado.

Estima-se que, em média, a queda de vigor seja três vezes maior em ambiente convencional quando comparado ao ambiente climatizado. Logo, fatores como a variedade de soja utilizada, vigor inicial do lote, a temperatura e a porcentagem de umidade relativa do ar influenciam na diferença de qualidade dos lotes quando comparados os tipos de ambiente de armazenamento, podendo esta diferença ser ainda maior.



Gráfico 10. Efeito da condição de armazenamento de sementes de soja após o beneficiamento sobre a porcentagem de germinação e vigor no Centro Oeste do Brasil.




Imagem 11. Sementes de soja armazenadas.

Conclusões

Nesse sentido, a Corteva está aperfeiçoando seu processo interno com foco em garantir altos padrões de vigor de sementes, buscando entregar um produto diferenciado ao mercado. A empresa está investindo expressivamente na climatização dos armazéns, e todo o volume de sementes de soja, comercializado no Brasil central, será mantido em ambientes climatizados até o momento da expedição aos clientes.

Após a semente ser entregue ao produtor, desde que adotada uma das estratégias acima citadas, existe alta probabilidade da preservação do potencial germinativo e vigor das sementes, permitindo o estabelecimento adequado da lavoura, com manutenção do potencial genético da cultivar e aproveitamento de toda a área cultivada. Assim, aumentam substancialmente as chances de extrair altas produtividades de grãos das lavouras.

Referências
VILLELA, F.A. & MENEZES, N. L. . O Potencial de Armazenamento de Cada Semente. Seed News, Ano XIII – N, 2009.

por Delson Horn
Engenheiro agrônomo, mestre em Ciência do Solo com ênfase em nutrição de plantas, 17 anos de experiência em produção de sementes, líder do time responsável pela produção de sementes da Corteva Agriscience Brasil para soja e sorgo.
por Luiz Roessler
Engenheiro Agrícola, 11 anos de experiência em produção de semente de soja, gestor de Planejamento de Safra e da Qualidade do Inventário de soja da Corteva Agriscience Brasil.

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  • Comentários (2)

joao batista

1/9/2019 22:25:48
tenho uma propriedade de feijao em euclides da cunha bahia vou comerçar plantar feijao e fazer um estoque nedia 6 safra anuais como proceder
Blog Agronegócio em Foco
2/9/2019 15:05:33
Olá, João! Tudo bem? A Pioneer® é uma marca focada em pesquisa, desenvolvimento e comercialização de sementes de milho, soja e sorgo. Por não termos a expertise na cultura do feijão sugerimos que você busque ajuda com outras empresas especializadas. Muito obrigado por sua participação. No que pudermos ajudar em relação às culturas que trabalhamos, conte conosco. Abraço!
     
 

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