Comando para Ignorar Faixa de Opções
Ir para o conteúdo principal
Navegar para Cima
Logon
Você está em: Skip Navigation LinksInício / Blog / ViewPost

Estratégias de manejo para podridão branca, podridão rosada e podridão vermelha no milho safrinha

04
mai
2018
Milho, Manejo, Doenças

Revisado e atualizado por Rodrigo Valeriano¹ e Arquimedes Liberal Barboza de Oliveira²
1Field Agronomist Crop Protection, ²Field Agronomist Seeds, ambos da Corteva AgriscienceTM Divisão Agrícola DowDupontTM

Com a evolução da agricultura nos últimos anos e o aumento da área cultivada de milho safrinha, é cada vez maior a necessidade de dar atenção à preservação da qualidade dos grãos no aspecto relacionado aos patógenos.

A depreciação causada pelo ataque de microrganismos nos grãos é responsável pela perda na qualidade do produto final, e pela disseminação de doenças entre diferentes regiões e campos de produção.

Entre os microrganismos causadores de patologia em grãos e sementes de milho os fungos são os principais, seguidos por bactérias, nematoides e vírus.

As alterações causadas nos grãos em decorrência da presença de patógenos é denominada grão ardido, e pode resultar em fermentação, alteração do gosto e do cheiro do produto final, e produção de micotoxinas prejudiciais à saúde humana e animal.

As principais micotoxinas produzidas por patógenos causadores de doenças em espigas de milho são:

Toxina Produzida pelo(s) fungo(s) Características
Aflatoxina Aspergillus flavus e
Aspergillus parasiticus
Altamente tóxica e cancerígena.
Ocratoxina Apergillus alliaceus e
Aspergillus alutaceus
Responsável pela acumulação de gordura no fígado
e sérios danos renais aos animais, e retarda a maturação sexual
em galinhas, o que reduz a produção de ovos.
Tricoteceno Gênero Fusarium Pode causar diversos problemas à saúde humana e animal,
como a redução no ganho de peso, da produção de
ovos e leite, hemorragias, vômitos, interferência no sistema
imunológico e necrose epidérmica.
Zearalenona Fusarium graminearum Pode causar aborto, falso cio, natimorfos, prolapso retal
e da vagina, e infertilidade.

Quadro 1. As principais micotoxinas produzidas por patógenos causadores de doenças em espigas de milho. Fonte: Adaptado de SILVA (2000)

Além das micotoxinas também há uma série de doenças provocadas por fungos que atacam a espiga e que dão origem ao grão ardido. A perda no enchimento de grãos e a depreciação do produto final são resultados comumente encontrados em lavouras com a presença de doenças de grãos.

Essas doenças podem ser dissemidadas via sementes para outros campos, regiões, estados, e até mesmo outros países, ocasionando sérios problemas ao sistema de produção.

Um fator importante para não descuidar da lavoura com a presença de patógenos causadores de grãos ardidos é a alta exigência pela qualidade de grãos por parte das granjas e empresas de alimentação humana, uma vez que a rentabilidade da avicultura e da suinocultura está relacionada à genética animal e também à qualidade do alimento fornecido.

Desta forma, faça o monitoramento da sua lavoura e avalie 5 plantas em 5 pontos do talhão para verificar a presença de insetos ou início de podridões. No caso de problemas severos considere a colheita antecipada para reduzir a multiplicação de pragas e podridões.

Entre as principais doenças da espiga (grão ardido) ocasionadas por fungos, temos:

  • Podridão branca da espiga (Stenocarpella maydis ou S. macrospora);
  • Podridão rosada da espiga (Fusarium spp.);
  • Podridão vermelha da ponta da espiga (Giberella zeae).

Vamos ao detalhamento de cada uma das principais doenças...

1. Podridão Branca da Espiga

A podridão branca da espiga é causada pelos fungos Stenocarpella maydis e Stenocarpella macrospora. O fungo é capaz de infectar folhas, bainhas, colmo e espigas.

A infecção provocada nas espigas resulta em redução do potencial produtivo, e na qualidade do grão, implicando na baixa qualidade nutricional e na palatabilidade do grão.

Nos tecidos foliares, a doença causa lesões necróticas grandes, apresentando em algum local da lesão um pequeno círculo, que pode ser visto contra a luz, indicando o ponto de infecção.

Em menor frequência, as lesões na palha que cobre a espiga podem ser pequenas (cerca de 0,2 x 0,5 mm), circundadas ou não por um halo avermelhado. Em lesões mais avançadas, podem ser observados vários pontos negros, chamados de picnídios (imagem 1).

 

Imagem 1. Palha da espiga com pequenos picnídios. Foto: Elcio Alves

As espigas infectadas pelo patógeno, tornam-se leves, e apresentam grãos de coloração marrom clara (imagem 2).

 

Imagem 2. Espiga com sintomas da doença à esquerda, e à direita espiga sadia. Foto: Rodrigo Veras da Costa

Em condições de alta umidade relativa do ar, é possível visualizar a presença e o crescimento de micélio branco entre as fileiras de grãos e nas palhas (imagem 3).

 

Imagem 3. Espiga com micélios brancos entre as fileiras dos grãos. Foto: Raphael Gregolin

A podridão branca pode iniciar no ápice ou na base das espigas, atingindo de forma uniforme todos os grãos.

Desenvolvimento da podridão branca

O patógeno sobrevive em restos de cultura de um ano para o outro. A infecção se dá pela ação do vento e por meio de respingos de chuva (imagem 4).

A alta incidência de precipitação pluviométrica, associada a temperaturas acima de 22°C, favorece o processo de infecção nas espigas.

Além da alta incidência de chuvas, o processo de infecção do fungo nas espigas pode ocorrer por danos causados por insetos, espigas mal empalhadas, com palhas frouxas, espigas não-decumbentes, e adubações desbalanceadas com altos níveis de nitrogênio e baixos níveis de potássio.

Embora o fungo seja capaz de infectar as sementes, a doença não é transmitida para plantas oriundas de sementes infectadas (Galvão, 2014).

 

Imagem 4. Ciclo da podridão branca da espiga

2. Podridão rosada da espiga

A Podridão rosada, é causada por três espécies de Fusarium: Fusarium moniliforme, Fusarium moniliforme variedade subglutinans, e Fusarium graminearum. Todas as espécies se diferenciam pelo formato dos microconídios.

As espigas infectadas por Fusarium spp., apresentam grãos de coloração avermelhada, distribuídos isoladamente ou agrupados ao longo da espiga (imagens 5 e 6).

 

Imagem 5. Podridão rosada da espiga causada por Fusarium verticilleoides. Foto: Solange Maria Bonaldo

 

Imagem 6. Podridão rosada da espiga causada por Fusarium verticilleoides. Foto: Matheus Dalsente Krau

À medida que a doença se desenvolve, o fungo cresce, cobrindo os grãos infectados com um micélio cotonoso de coloração rosada. É muito comum em alguns grãos aparecer estrias brancas (imagem 7 e 8) devido à ação do fungo no pericarpo.

 

Imagem 7. Podridão rosada da espiga causada por Fusarium verticilleoides. Foto: Robson de Paula

 

Imagem 8. Estrias brancas no pericarpo.

Os sintomas também aparecem na palha da espiga quando a mesma é infectada, apresentando coloração avermelhada.

O processo de infecção pode ocorre em qualquer parte da espiga.

Desenvolvimento da podridão rosada da espiga

A podridão causada por Fusarium é favorecida por temperaturas entre 28°C e 30°C, umidade elevada, excesso de chuvas, e danos na espiga e nos grãos causados pelo ataque de pragas.

Fusarium é tipicamente um fungo de solo, que pode sobreviver em restos de cultura na matéria orgânica.

A dispersão do fungo é mais eficiente pelo vento do que pelas sementes (GALVÃO, 2014).

 

Imagem 9. Estrias brancas no pericarpo.

3. Podridão vermelha da ponta da espiga

A Podridão vermelha da espiga é causada pelo fungo Gibberella zeae, e é também conhecida pelo nome de Podridão de Gibberella.

Os sintomas típicos da podridão vermelha iniciam na ponta da espiga (imagem 10) e progridem até sua base através de uma massa cotonosa de coloração avermelhada. O fungo também pode colonizar a palha da espiga e permanecer aderido à ela.

 

Imagem 10. Espigas de milho com podridão vermelha. Foto: Elcio Alves.

Como os sintomas, de forma ocasional, podem iniciar na base da espiga e progredir para a ponta, pode haver confusão com os sintomas de Fusarium verticillioides ou Fusarium subglutinans.

Desenvolvimento da podridão vermelha

A doença causada por Gibberella é mais comum em regiões de clima mais frio e, quando aliada a alta umidade relativa, pode ocorrer em temperaturas entre 15°C e 20°C.

Favorecido por chuvas na fase reprodutiva da cultura do milho, o fungo sobrevive nas sementes em forma de micélio dormente e em restos de cultura (imagem 11).

 

Imagem 11. Ciclo da podridão vermelha

Estratégias de controle para grãos ardidos no milho safrinha

Como estratégias de controle de doenças na cultura do milho safrinha, com o objetivo de evitar problemas de grãos ardidos, disseminação de doenças e até mesmo problemas de intoxicação alimentar pela presença de micotoxinas, leve em considerações as seguintes medidas:

Pré-plantio

Antes de plantar, você deve conhecer bem o ambiente e ficar atento em relação ao seguinte:

  • A fase de pré-florescimento coincide com chuvas excessivas?
  • O início do período de perda de água dos grãos coincide com temperaturas amenas e/ou chuvosas?
  • Há alta incidência de pragas?
  • Há ausência de rotação de culturas?

Caso alguma das respostas seja positiva, as chances de entrada e desenvolvimento de patógenos causadores de podridão de grãos podem ser ampliadas.

Além disso, conhecer o histórico da área, principalmente em relação as doenças, é fundamental para que seja feita a escolha de um híbrido tolerante ou resistente às doenças observadas na região.

Ao adquirir as sementes, opte sempre por sementes certificadas. Sementes “piratas” não possuem garantia e podem esconder problemas que geram prejuízos severos para o produtor, podendo disseminar patógenos e prejudicar seriamente o sistema de produção de muitas regiões.

Plantio

Caso não tenha adquirido sementes já tratadas, faça um tratamento de sementes com produtos específicos e conforme a recomendação de um técnico.

Respeite a densidade populacional indicada para o híbrido.

E, com base na análise do solo faça uma boa adubação, com bons níveis de potássio, sempre em equilíbrio com os níveis de nitrogênio. Utilize fertilizantes de qualidade para garantir a melhor nutrição e, consequentemente, maior tolerância aos patógenos.

Fase vegetativa

Monitore a lavoura.

Esteja atento às condições climáticas e, sempre que necessário, realize o controle de pragas que podem abrir portas para entrada de patógenos.

Se for necessário realizar a aplicação de fungicidas, escolha produtos de boa performance com mais de um mecanismo de ação, como por exemplo, as misturas de triazois e estrobirulinas. Utilize também fungicidas multissítios, pois esses apresentam uma boa proteção para a cultura quando aplicados em épocas corretas e de forma preventiva.

A maioria das doenças na cultura do milho acontecem entre os estádios V6 (seis folhas) e VT (pré-pendoamento). Com isso, as aplicações devem iniciar nesta época e os intervalos entre uma aplicação e outra devem ser de, no máximo, 14 dias.

Fase reprodutiva

A fase reprodutiva inicia no pendoamento. Todavia, não é recomendada a aplicação de fungicidas quando houver mais de 10% de plantas pendoadas na lavoura, porque isso poderá ocasionar a inviabilização dos grãos de pólen e, consequentemente, haverá menor taxa de fecundação, o que resultará em menor número de grãos na espiga e menor produtividade.

Nessa fase também inicia o manejo de doenças na espiga.

As aplicações de fungicidas devem ser realizadas com intervalos de 15 a 20 dias após a aplicação feita no pré-pendoamento.

Os bons resultados da lavoura serão consequência do monitoramento e início das aplicações no tempo certo.

Monitore e realize o controle de pragas, principalmente de Helicoverpa zea e Spodoptera frugiperda, uma vez que estas pragas danificam a espiga ao se alimentarem de grãos, abrindo uma porta para entrada de patógenos.

Fique atento ao excesso de umidade quando as espigas estiverem sendo formadas, pois esse fator também pode proporcionar um microclima favorável à infestação de patógenos.

Colheita

Na colheita, preste atenção no ponto de maturação e no teor de umidade.

Máquinas com falhas na regulagem e excesso de velocidade podem ocasionar danos aos grãos e abrir portas para entrada de patógenos, principalmente, quando os grãos apresentam teor de umidade abaixo de 10%.

Grãos colhidos com altos teores de umidade devem passar por um processo de secagem para prevenir o desenvolvimento de patógenos.

Deixar o milho secar no campo para economizar com transporte e secagem pode trazer consequências negativas para a produtividade e qualidade, além da perda do ponto de maior potencial produtivo do milho.

O ideal é que a colheita seja realizada quando o teor de umidade estiver entre 18 e 25%.

Áreas onde são cultivadas outras culturas, podem ter a colheita antecipada, quando a umidade do milho estiver entre 28 e 29%.

Para iniciar a colheita é preciso considerar alguns parâmetros, como o tamanho da área, produtividade prevista, capacidade de colheita e capacidade de secagem e armazenagem.

Para o armazenamento, a secagem de grãos deve ser feita quando o teor de umidade for maior que 15%.

__________________

Gostou do conteúdo? Tem alguma sugestão ou dúvida? Então, deixe seu comentário, aproveite esse espaço de diálogo.

Referências Bibliográficas

GALVÃO, J.C.C.; MIRANDA, G.V. Tecnologia de Produção do Milho. Viçosa, UFV, P.227-264, 2004.
MACHADO, J.C. Tratamento de sementes no controle de doenças. 2000. Lavras: UFLA, 2000. 138 p.
MARCONDES, M.M. Incidência de colmo e grãos ardidos em híbridos de milho sob diferentes densidades de plantas e época de colheita. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual do Centro-Oeste, Programa de Pós-Graduação em Agronomia, área de concentração em Produção Vegetal, 2013.
PINTO, N.F.J.; Grãos ardidos em milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2005. 6p. (Embrapa Milho e Sorgo, Circular Técnica, 66).
PINTO, N. F. J. de A. Patologia de Sementes de Milho. Circular Técnica 29, Embrapa Milho e Sorgo (CNPMS), Sete Lagoas, 44p., jul. 1998.
SILVA, L.C. Fungos e Micotoxinas em Grãos Armazenados: Universidade Estadual do Oeste do Paraná. 12 jun 2000. [acesso 04 maio 2017]. Disponível em: http://www.agais.com/fungos.htm.
STEFANELLO, J.; BACHIN, L. M. A.; GAVASSONI. W. L. , HIRATA, L.M.; PONTIM, B. C. A. Incidência de fungos em grãos de milho em função de diferentes épocas de aplicação foliar de fungicida. Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 42, n. 4, p. 476-481, out./dez. 2012.

32763 visualizações
 

 Comente

 
Nome  *
E-mail  *
Estado  *
Cidade  *
Código de segurança  *

Comentário  *
* Campos Obrigatórios
Atenção:

• Todos os comentários feitos neste Blog passam pela moderação de administradores e assim que possível serão publicados.

• Lembramos que os comentários postados são de responsabilidade do usuário e não representam necessariamente a posição da DuPont Pioneer sobre o assunto em discussão.

  • Comentários (6)

Reginaldo Lima

17/6/2018 12:15:09
Reportagem de muita importância, parabéns a equipe que se empenhou nessa atividade. Att. Reginaldo Lima Eng. Agrônomo
Blog Agronegócio em Foco
18/6/2018 7:51:46
Obrigada, Reginaldo! O seu comentário é muito importante para nós. Abraço!

Egidio Gotardo

25/5/2018 11:31:44
Parabenizamos os autores e a empresa pelo conteúdo inserido neste documento. Muito bom. Abraços
Blog Agronegócio em Foco
15/6/2018 14:36:13
Muito obrigada, Egidio! O seu feedback é muito importante para nós. Abraço!

Marcos

20/6/2017 23:14:19
Excelente material que irá ajudar no manejo.
Blog Agronegócio em Foco
15/6/2018 14:37:38
Muito obrigada pelo elogio, Marcos! Ficamos muito felizes com o seu comentário :)
     
 

 Posts Relacionados

 
 

 DuPont Pioneer no Facebook

 
​​​​​
 

 Informações Técnicas

 
Receba informações técnicas da DuPont Pioneer. Cadastre-se
 

 Sugestões

 
Deseja enviar uma sugestão de pauta para o blog? Clique aqui e preencha o formulário
 

 Núvem de Tags