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Como Interpretar a Variabilidade de Produtividade de um Talhão Usando o Mapa de Colheita?

03
out
2017
Agronegócio, Plantio, Solo, Pragas, Milho

Por Fabricio Bona Passini¹ e Dennis Altermann²

Com o passar do tempo, as tecnologias para trabalhar com os mapas de colheita foram ficando cada vez mais acessíveis. Em decorrência disso, cada vez mais, os produtores tem feito uso, com qualidade, dos mapas de colheita. Nesse sentido, a DuPont Pioneer tem se preocupado em cada vez mais, levar aos agricultores técnicas agronômicas para a interpretação dessas informações tão valiosas.

Um bom mapa de colheita apresenta a variabilidade de produtividade que há em um talhão, onde está produzindo mais, ou menos. Entretanto, o mapa de colheita não mostra o porquê de existir essa variabilidade. Para entender a variabilidade, é preciso ter, obrigatoriamente, o conhecimento do talhão e das práticas de manejo que a causaram.

A figura 1 (LOTZ, 1997) pode ser usada como guia na interpretação ou detecção das causas da variabilidade de produtividade.

Motivos da Variabilidade de produtividade de um talhão
Provocada pelo manejo do produtor Padrões irregulares de variáveis ocasionais
Direção das aplicações Contra as direções Linhas irregulares Área irregular
Mudança de data de plantio Drenagem Manchas de herbicidas Diferentes tipos de solo
Mudança de híbrido Histórico de formação do talhão Colheitas em bordas Drenagem irregular
Aplicação química Tráfico de máquinas antigo Ataque de insetos nas bordas Infestação de plantas daninhas
Erro de equipamento Compactação antiga Mudança na fertilidade
Compactação Carry over de herbicidas
Qualidade de plantio Infestações de doenças

Figura 1: causas de variabilidade de produtividade de um talhão. Adaptado de (Lotz, L 1997)

Abaixo estão algumas causas de variabilidade de produtividade de um talhão. Entretanto, vale frisar que as causas não se limitam apenas a isso. Com um bom mapa de colheita atrelado a uma boa conversa agronômica pode-se detectar outros motivos.

O começo de tudo está em uma boa calibração da colheitadeira, pois dados obtidos de máquinas não calibradas, podem levar a interpretações erradas sobre a variabilidade. Na figura 2, há um exemplo de talhão que foi colhido com duas máquinas, sendo que uma delas não estava calibrada. Nota-se, claramente, as diferenças de níveis produtivos entre as máquinas.

 

Figura 2: exemplo de colheita com maquinas descalibradas

1. Variabilidades provocadas pelo manejo do produtor na direção das aplicações: são variabilidades de produtividade que foram sempre reparadas no mesmo sentido, como faixas com tendências de menor ou maior produtividade, por exemplo.

a. Mudança de data de plantio e de híbrido: tanto mudanças de data de plantio como de híbrido podem gerar uma interpretação errada da variabilidade de produtividade. Para isso, ter sistemas que deixem geo-registradas essas mudanças é muito importante. No mapa de produtividade (figura 3) percebe-se que a região dentro do contorno azul possui uma produtividade bem maior que o talhão inteiro. A grande diferença neste caso, está na troca do híbrido e na mudança da data de plantio.

 

Figura 3: Mapa de produtividade com duas datas de plantio e dois híbridos diferentes

b. Aplicação química ou de fertilizante: bicos entupidos ou gastos desuniformemente são responsáveis por falhas na dosagen correta de defensivos. Em relação aos aplicadores de fertilizante, o erro mais comum observado é a questão de tamanho da faixa de aplicação. Essas duas situações podem trazer problemas de variabilidade de produtividade em um talhão e sempre são diagnosticadas em faixas de aplicação.

c. Compactação de solo: inúmeros são os motivos causadores de compactação dos solos, entre eles pode-se considerar o tráfego de máquinas e também coisas simples, mas observadas com frequência no campo, como a deposição de calcário ou adubo.

d. Qualidade de plantio: a qualidade de semeadura é uma das operações mais importantes para a produtividade. Erros comuns, como problemas específicos de linhas de plantio nas plantareiras, podem levar a diferentes populações de plantas, e isso resultará em uma interpretação duvidosa dos dados de colheita.

2. Variabilidades provocada pelo manejo do produtor contra a direção das aplicações: essa variabilidade é mais comumente dispersa no campo em forma de reboleiras e pode apresentar desde problemas fáceis de resolver até problemas mais complexos.

a. Histórico de formação do talhão: Como podemos ver nas figuras 4A a 4E, o histórico de um talhão pode indicar fatores muito importantes. Diferentes datas de abertura de área, por exemplo, podem apresentar níveis diversos de pH do solo que, se não corrigido, pode resultar em produtividades distintas. Outro ponto importante são as estradas, uma vez que é comum alguns produtores decidirem mudar o sentido de uma estrada em um talhão. Nesses casos, a comparação do monitor de colheita com as imagens antigas mostra bem a situação.

 

Figura 4A: Imagem do campo em 2003

 

Figura 4B: Imagem do campo em 2009

 

Figura 4C: Imagem do campo em 2013

 

Figura 4D: Imagem do campo em 2017

 

Figura 4E: Monitor de colheita de milho de 2017

b. Drenagem: solos mal drenados podem, entre outras coisas, diminuir irregularmente o nível de oxigênio das plantas, causar diminuição da produtividade, e até mesmo a sua morte. Casos como este são facilmente observados em reboleiras dentro de um talhão.

3. Padrões irregulares de variáveis ocasionais: são padrões observados no mapa de colheita que podem ter (ou não) como fonte causadora, o manejo. A observação desses padrões pode ser feita em linhas irregulares ou área irregular.

a. Manchas de Herbicidas: problemas de bicos entupidos ou já desgastados irregularmente podem causar falhas nas aplicações das doses corretas de herbicidas. Em consequência disso, podem haver falhas no controle de plantas daninhas, o que resultará em diferenças de produtividades e será facilmente identificado pelo monitor de colheita.

b. Colheitas nas Bordas: todo o sistema de colheita tem opções para configurações em borda. Nesses sistemas é facil configurar a altura que a plataforma de colheita desligará automaticamente o sistema de leitura. Mas, infelizmente, é muito fácil perceber que isso não é respeitado, e falhas de produtividade nas bordas dos talhões são facilmente encontradas. Essas falhas podem ser relacionadas à maior compactação das bordas, ou então a falhas de aplicação de fertilizantes, mas o mais comum, é estar relacionada a falhas no sistema.

c. Ataque de insetos nas bordas: atualmente há muita pressão de pragas que iniciam o ataque na lavoura pelas bordas (figura 5). Duas pragas bastante conhecidas são o percevejo e a cigarrinha do milho. Nesses dois casos, além de perdas de produtividade, também é observado o tombamento de plantas. É preciso ter cuidado ao analisar esse tipo de informação, pois podem levar a interpretações errôneas de fertilidade do solo.

 

Figura 5: Ataque de pragas nas bordaduras

d. Diferentes tipos de solo e mudanças de fertilidade: ao analisar o talhão da figura 6, verifica-se padrões de níveis de produtividade muito bem estabelecidos. Esses padrões podem ser explicados, observando os diferentes níveis de textura do solo, que levarão a diferentes níveis de produtividade.

 

Figura 6: Diferentes tipos de solos e mudanças de fertilidade

Conclusão

Um mapa de colheita de qualidade com observações de campo, torna viável discussões agronômicas que podem auxiliar o produtor na tomada de decisão de manejo. Ter sistemas que auxiliem na tomada de decisão e no armazenamento das observações de campo coletadas é fundamental para facilitar as análises.

¹Gerente de Agronomia na DuPont Pioneer
²Especialista em Marketing Digital

Referências

Lotz, L. 1997. Yield Monitors and Maps: Making Decisions. Ohio State University Fact Sheet AEX- 550-97, Food, Agricultural and Biological Engineering 590 Woody Hayes Dr., Columbus, OH 43210 http://ohioline.osu.edu/aex-fact/0550.html

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  • Comentários (1)

Fabricio Anizelli

11/10/2017 14:08:47
Parabéns pela matéria! Muito ilustrada e aborda um assunto essencial para discussão!
     
 

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