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Fatores Importantes no Desenvolvimento do Milho para Produção de Silagem de Planta Inteira

14
nov
2017
Silagem, Milho, Solo, Manejo

Por Robson de Paula
Gerente de Silagem na DuPont Pioneer

Com as lavouras de milho para produção de silagem da safra de verão 2017/18 praticamente implantadas, neste artigo vamos relembrar alguns fatores importantes do desenvolvimento da planta de milho que podem interferir na produtividade e na qualidade da silagem. Na fase de desenvolvimento devemos considerar todas as práticas de manejo e cuidados a partir da germinação e emergência das plantas na lavoura, o que inclui as etapas de desenvolvimento vegetativo, florescimento, até o enchimento de grãos.

Para que a planta se desenvolva de maneira uniforme é preciso estar atento para a manutenção do estande de plantas emergidas. Entre as práticas relacionadas estão:

  • Monitoramento e controle de pragas iniciais;
  • Adoção de um programa de controle de plantas daninhas;
  • Adubação de cobertura para o fornecimento adequado de Nitrogênio e Potássio (nutrientes exportados em maior quantidade em lavouras de produção, principalmente de silagem de planta inteira e que contribuem excessivamente para a produção elevada de matéria seca);
  • Controle das doenças foliares.

Plantas bem desenvolvidas, bem nutridas e livres de doenças favorecem a manutenção das folhas no seu terço inferior, o que resulta no prolongamento da janela de corte, contribuindo para o planejamento da operação de colheita e também para a melhoria do valor nutricional da silagem.

Interação do Híbrido com o Ambiente

O crescimento e desenvolvimento da planta de milho é determinado pela temperatura, umidade e radiação solar e, por isso, o híbrido deve ser adaptado para uma determinada época de plantio da região em que a lavoura será conduzida para silagem. A planta de milho produz bem com temperaturas em torno de 28ºC a 30ºC durante o dia, e a noite com a mínima de 18ºC. A disponibilidade de água ideal para uma boa produção de milho é entre 500 a 600 mm de água. E no que se refere à interferência do ambiente na qualidade forrageira, a luz, a temperatura e a água interagem em vários estádios de desenvolvimento da planta.

Estabelecimento da Planta

O período crítico da planta de milho vai da germinação até V6, pois é também o momento em que o sistema radicular se estabelece (figura 1).

 

Figura 1: Plantas de milho de Ve até V6 Fonte: Pioneer Hi-Bred

Na operação de semeadura, algumas sementes são perdidas no caminho e podem se tornar plantas produtivas, assim como plantas vencidas ou dominadas também podem produzir. A redução de população de plantas é uma das principais causas de rendimentos baixos de Matéria Verde (MV) e Matéria Seca (MS) por hectare, e também por silagens com baixos teores de amido.

Estádios de Desenvolvimento da Planta

Os estádios de desenvolvimento da planta considerados mais críticos aos estresses são:

  1. Germinação – Emergência = Número potencial de espigas por hectare
  2. V6 – V7 = Número de fileiras por espiga
  3. V15 – VT = Número de grãos por fileira
  4. R1 – R2 = Polinização e número de grãos

Nestas fases, a planta de milho precisa estar, o máximo possível, livre de estresses. Veja aqui o detalhamento de cada um dos estádios e o que ocorre na planta em cada um deles, para que as práticas de manejo requeridas para cada fase sejam adotadas com precisão, minimizando prejuízos ao rendimento final e maximizando o valor nutricional da silagem.

Estádios Fenológicos e as Doenças Foliares

É importante saber quais são as principais doenças foliares que podem atacar a cultura, ameaçando o potencial produtivo e a qualidade da silagem. A figura 2 apresenta as principais doenças foliares e suas épocas de ocorrência dentro do desenvolvimento da planta.

 

Figura 2: Calendário de doenças do milho Fonte: DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula e José Carlos Madalóz

Exigência de Água para Milho em mm/dia

Para atingir boas produtividades, a cultura do milho exige um fornecimento total de água de 500 a 600 mm durante todo o seu ciclo. À medida que a planta se desenvolve e se aproxima do florescimento, a exigência em água aumenta (de 3,5 a 5 mm/dia em V6; 5 a 6 mm/dia em V9; e 8 a 9 mm/dia entre o florecimento e o início do enchimento de grãos), mas passa a diminuir com o enchimento de grãos (figura 3)

 

Figura 3: Distribuição da exigência em água durante o desenvolvimento da planta de milho. Fonte: DuPont Pioneer Corn Growth and Development

Desenvolvimento Radicular e Tolerância à Seca

A umidade é uma das maiores fontes de variabilidade nutricional de um mesmo híbrido em diferentes anos, locais e adversidades climáticas, sendo mais frequêntes as limitações de fornecimento de água.

Os mecanismos que comandam o desenvolvimento radicular das plantas ainda não são bem conhecidos, por isso, são necessárias práticas de manejo que contribuam para isto, como correção em sub-superfície e utilização de gesso agrícola. A figura 4 mostra que cerca de 70% da extração de água pela planta é realizada pelos primeiros 50 cm das raízes, a partir da superfície do solo. Os 30% restantes se complementam até 75 cm de profundidade. Então, quanto melhor forem as condições para o desenvolvimento radicular, melhor a planta poderá suportar o estresse de estiagem.

 

Figura 4: Esquema de desenvolvimento radicular e as porções responsáveis pela absorção de água. Fonte: University of Nebraska

Manejo Adequado de Nitrogênio e de Solo

A figura 5 apresenta, em condição de lavoura, a importância do manejo adequado do solo e de Nitrogênio (N) para enfrentar as adversidades do clima, principalmente condições de estiagem no plantio de safrinha. O resultado de N bem fornecido e melhor aproveitado é a preservação das folhas do terço inferior, numa lavoura para silagem com mais de vinte dias de estiagem, no início do enchimento de grãos. A planta que suporta melhor o estresse apresentará maior produtividade de matéria seca, prolongará o enchimento de grãos, ampliará a janela de corte e, finalmente, conferirá um melhor valor nutricional para a silagem.

 

Figura 5: Manutenção do terço inferior da planta em situação de vinte dias de estiagem, como resultado de bom fornecimento de Nitrogênio e bom manejo de solo. Foto: Robson Fernando de Paula

Radiação Solar na Produção de Milho

A radiação solar é um insumo essencial para o crescimento e desenvolvimento da planta. A capacidade de uma cultura para interceptar a luz solar, é proporcional à sua superfície de área foliar pela unidade de área do solo ocupada – ou o seu Índice de Área Foliar (IAF). No desenvolvimento completo do dossel, o IAF de uma cultura e a capacidade para captar a luz solar disponível são maximizados.

A partir do desenvolvimento completo do dossel e ao longo do período reprodutivo, todo o encurtamento de luz solar está limitando potencialmente à produtividade do milho. A planta é capaz de absorver somente uma parte do espectro da radiação solar, conhecido como Radiação Fotossinteticamente Ativa (RFA), estimada entre 43% e 50% do total da radiação solar emitida (figura 6). A quantidade de RFA pode ser reduzida de acordo com a nebulosidade.

 

Figura 6: Redução da Radiação Fotossinteticamente Ativa (RFA) de acordo com as condições do tempo. Fonte: DuPont Pioneer Agronomy Sciences Solar Radiation on Corn Production

Quando há estresses, como limitação da fotossíntese por baixa luminosidade, durante o enchimento, as plantas de milho transferem carboidratos do colmo para a espiga. O que pode resultar em problemas na qualidade do colmo e acamamento na colheita. Os períodos sensíveis do desenvolvimento da cultura, como a floração e início do enchimento de grãos, são quando as plantas ficam mais suscetíveis ao estresse, incluindo redução nas quantidades de luz, água e/ou nutrientes (tabela 1).

Período de Sombra % Redução de Produção Alteração de Linha Núcleo/linha Alteração de Núcleo wt.
Vegetativo 12% -5% +1%
Floração 20% -21% +9%
Enchimento de grãos 19% -5% -13%
LSD (.05) 7% 4.5% 6%

Tabela 1: Efeito da nebulosidade na redução da radiação solar, no número de grãos por fileiras e no peso de grãos. Fonte: DuPont Pioneer Agronomy Sciences Solar Radiation on Corn Production

Produção de Matéria Seca da Planta

A taxa de aumento e a quantidade de Matéria Seca (MS) acumulada durante a safra diferem entre os componentes da planta avaliados (ABENDROTH, 2011). Todos os componentes são somados juntos, o que geralmente segue a curva S de resposta (gráfico 2). Em termos gerais, mais de 22.400 kg/ha de MS, da parte aérea da planta, é produzida em lavouras com boas condições de fornecimento de luminosidade, água e nutrientes, sem competição de plantas daninhas e danos por pragas e doenças. O colmo e as nervuras centrais das folhas compreendem as maiores quantidades de MS entre os componentes vegetativos, com o máximo de peso alcançado em R2. Depois disso, a quantidade ou o volume de MS do colmo e nervuras centrais das folhas começa a declinar, devido à realocação de nutrientes do colmo para a espiga em desenvolvimento. As lâminas foliares atingem o máximo de MS em R2, permanecendo até R6, quando as folhas entram em senescência.

 

Gráfico 2: Curva S de acúmulo de Matéria Seca dos diferentes componentes da planta durante o seu desenvolvimento. Fonte: Iowa State University Extension, adaptado por Robson Fernando de Paula

A taxa de incremento de MS é, geralmente, consistente até R2 podendo chegar em R3. A quantidade de MS é um pouco menor em R2, o que é esperado devido à finalização do desenvolvimento vegetativo e a transição para o desenvolvimento dos grãos.

Índice de colheita

O índice de Colheita (IC) de uma cultura é determinado pela divisão do volume de MS dos grãos pelo total de MS da planta (MS da parte aérea, incluindo os grãos) na fase de maturação fisiológica. Os híbridos de milho produzidos atualmente apresentam um IC aproximado de 0,5 com algumas evidências de aumento devido aos esforços do melhoramento genético, quando comparados a híbridos mais antigos. Sem considerar o exato valor do IC, é claro que os produtores buscam pelo aumento da produtividade de grãos num determinado hectare, desta forma o aumento de MS da parte vegetativa da planta aumenta de forma similar ao incremento de grãos. A MS dos grãos cresce significativamente a partir de R2 podendo chegar até R5.75.

Composição da Matéria Seca da Planta

Conforme apresentado no gráfico 3, os grãos representam pelo menos 50% na composição da Matéria Seca da planta. Então, lavouras com alta produtividade de MS possuem elevada participação de grãos na massa ensilada. Estudos mostram que, quanto maior a composição de grãos na MS total da silagem, maior o valor nutricional. O gráfico 3 detalha, em termos gerais, a porcentagem de cada componente da planta na composição final da MS da silagem.

 

Gráfico 3: Participação dos componentes da planta na composição da matéria seca. Fonte: Steve Butzen, DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula

Monitoramento de Campo

Conhecendo os estádios de desenvolvimento da planta e as implicações dos fatores ambientais e agronômicos em cada fase, é importante lembrar o correto posicionamento do híbrido e estabelecer um calendário de monitoramento de acordo com cada estádio. Lembrando que cada estádio exige práticas de manejo específicas para que a planta atinja a produtividade desejada (figura 7).

 

Figura 7: Monitoramento da cultura do milho para manejo agronômico nas principais fases de desenvolvimento da planta. Fonte: DuPont Pioneer, adaptado por Robson Fernando de Paula

Dúvidas sobre os fatores que influenciam o desenvolvimento do milho para a produção de silagem de planta inteira? Envie sua pergunta no espaço de comentários!

Referências Bibliográficas
Hollinger, S. E. & Angel J. R. 2009. Illinois Agronomy Handbook, 24th Edition. University of Illinois, Champaign-Urbana. Illinois
Abendroth, L.J., R.W. Elmore, M.J. Boyer, and S.K. Marlay, 2011. Corn Growth and Development. PMR 1009. Iowa State University Extension, Ames, Iowa
Putnam, K. 2017 Corn Silage Update – Potential Fiber Quality (não publicado)

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  • Comentários (2)

Pery Taborelli da Silva Filho

7/6/2020 14:01:06
Pergunto quanto a silagem da parte aérea da planta do milho: a) Qual o peso por hectare? b) Qual o valor nutritivo em ensilar sem as espigas? c) É interessante esse tipo de silagem para gado? Grato.
Blog Pioneer
12/11/2020 10:05:30
Olá Pery! O ideal, em lavouras bem conduzidas, seria que o peso por planta seja o mais próximo de 1kg, no momento do corte. A ensilagem de plantas sem espigas reduz drasticamente o volume (ton MS) e a qualidade da forragem. Segundo dados recentes do Departamento de Agronomia da Pioneer, a redução da produtividade forrageira (tonMS/ha) foi de até 60% e, alguns parâmetros de qualidade forrageira reduziram mais de 35%. Qualquer outra dúvida estou à disposição. Abraços, José Carlos Madalóz
     
 

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