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Colheita de Milho para Silagem de Planta Inteira com Ensiladeiras Automotrizes

26
dez
2017
Milho, Silagem

por Robson Fernando de Paula
Gerente Técnico de Silagem da DuPont Pioneer

O avanço tecnológico do mercado de máquinas agrícolas tem sido expressivo nos últimos anos, e na área de produção de silagem não tem sido diferente. Atualmente, temos observado o aumento do uso de máquinas forrageiras ou ensiladeiras automotrizes em função da rapidez da operação de corte e do resultado da grande capacidade de colheita destas máquinas.

No entanto, quero chamar a atenção de produtores e técnicos sobre alguns pontos relacionados aos ajustes e regulagens destas máquinas, que devem ser adotados para que o corte da planta seja realizado com sucesso.

O processo de colheita

As plantas são cortadas pela plataforma de corte, normalmente de 20 a 30 centímetros de altura. Estas caminham deitadas em direção aos rolos alimentadores que são responsáveis por comprimir o material e direcioná-lo ao cilindro de corte na velocidade proporcional ao tamanho de picado ou partícula desejada.

Atravessando o cilindro de corte, o milho picado passa pelo processador de grãos ou cracker. O processador de grãos é responsável por quebrar e/ou romper o tegumento do grão, para que este possa ser fermentado juntamente com a massa de matéria seca. Além disso, também mantém a integridade da fibra da planta, que é fundamental para uma boa digestibilidade animal.

 

Passando pelo processador de grãos, o material é direcionado ao impulsor que, por sua vez, direciona a calha e então descarrega o material processado para o caminhão.

Quando se fala em forrageiras autopropelidas, o ponto principal é a possibilidade de cortar o milho com teor de matéria seca mais elevado (entre 38% e 42%), justamente para ter maior proveito da energia e nutrientes contidos no grão.

A alta capacidade operacional de uma forrageira autopropelida, garante o corte do milho no ponto ideal, conforme informações cedidas pela John Deere (figuras 1 e 2).

 

Figura 1: Sistema de processamento de uma máquina forrageira John Deere série 8000. Fonte: John Deere

 

Figura 2: Detalha o fluxo ou caminhamento das plantas durante o processamento na operação de colheita. Fonte: John Deere

Tamanho das partículas e o processamento de grãos na qualidade final da silagem

Adaptado de Dr. Bill Seglar, veterinarian/nutrition specialist, DuPont Pioneer

O tamanho da partícula e o adequado processamento de grãos são absolutamente essenciais para a silagem de milho. O processamento de grãos impacta na porcentagem de digestão do amido, enquanto que o tamanho da partícula impacta na ruminação apropriada.

No planejamento da colheita, é importante estabelecer um check-list para a ensiladeira, para assegurar que a silagem seja bem processada.

Deve-se verificar se toda a ensiladeira está em boas condições, especialmente as facas e o rolo processador, ou cracker. Facas gastas e barra de corte desgastada devem ser indicativos para prevenir cortes irregulares no tamanho das partículas.

O cracker deve ser checado em toda a sua extensão, com o objetivo de verificar o desgaste dos dentes. Elevadas horas de operação favorecem que as bordas externas dos rolos encostem, o que deixará um espaço indesejável no meio. O desgaste irregular pode ser evitado, diminuindo assim o espaço entre os rolos.

Certificando-se que a colhedora de forragem está pronta

A integridade das peças em funcionamento e as horas de uso efetivo dependem do tipo de solo e outros fatores ambientais. Lavouras de milho produzidas em solo arenoso, com baixa altura de corte ou muito próximo da superfície do solo, resultam em maior desgaste, o que pode reduzir a vida útil dos rolos do cracker.

Outros fatores incluem o tamanho do rolo e o número de dentes por polegada. Opções de velocidades diferenciadas, mais agressivas, também podem afetar a vida útil dos rolos. Os rolos devem ser substituídos se mostrarem sinais de desgaste. Os rolos do cracker devem ser inspecionados a cada 400 - 600 horas de uso.

A velocidade do rolo determina o tamanho teórico da partícula. Menores velocidades produzem tamanhos menores de partículas porque menos forragem é empurrada através do tambor ou cilindro de corte em determinado tempo. Isto resulta na capacidade de colheita de poucas toneladas por hora, e requer maior tempo de colheita e processamento adequado da cultura.

Entretanto, este tempo extra de processamento será compensador, uma vez que o produtor estará fornecendo uma silagem bem processada e de alta qualidade, que contribuirá para a produção de leite e aumento da rentabilidade.

Todas as forrageiras autopropelidas disponíveis no mercado contam com algum sistema que permite variar o tamanho das partículas com um simples ajuste feito a partir da cabine. Por exemplo, nas forrageiras da marca John Deere, o cilindro de corte é equipado com 48 facas, e é possível variar o seu comprimento de corte de 6 a 22 mm.

Variáveis que impactam no processamento da silagem de milho

Todas as marcas de ensiladeiras automotrizes (dotadas de processadores), em boas condições de trabalho, podem entregar uma silagem de milho bem processada, desde que o produtor ou prestador do serviço de colheita atente para a condição da lavoura a ser colhida.

Uma boa planta cortada ou colhida no momento correto, bem como o tamanho de partículas e processamento de grãos adequados, são absolutamente fundamentais para a obtenção de uma silagem de elevado valor nutricional.

A relação grão-palha, ou grão parte aérea da planta da lavoura impacta no volume de grãos que irá passar pelos rolos do cracker. Quanto mais elevado o conteúdo de grãos na massa a ser processada, maior será a necessidade de um processamento mais agressivo. Algumas vezes isto significa reduzir o tamanho da partícula para atingir o melhor processamento de grãos numa silagem com alto conteúdo de amido.

A umidade da planta no momento de colheita também impacta no processamento de grãos. Plantas com baixo teor de umidade, ou alto teor de matéria seca, terão maior conteúdo de amido.

À medida que colhemos “mais seca”, podemos diminuir o tamanho de corte. Isto pode reduzir fibra efetiva, mas irá assegurar a compactação adequada da forragem mais seca no silo.

Se os ajustes ou regulagens no cilindro de corte e do cracker não estão produzindo o resultado esperado em termos de processamento de grãos, será preciso inspecionar a velocidade diferencial dos rolos do cracker. O rolo superior deve girar mais rápido do que o rolo inferior. Diferenças de 10 a 15% são comuns.

Se o processamento de grãos não está atendendo às suas expectativas, tente instalar uma engrenagem pequena no rolo superior. Isto resulta numa velocidade diferencial que excede 20%.

Alguns fabricantes tem projetado crackers com rolos que comportam velocidades diferenciais de 30 a 50%. É importante ressaltar que devem ser seguidas as recomendações de ajustes específicos do fabricante da máquina.

Monitoramento do processamento da silagem de milho

Alguns laboratórios oferecem avaliações utilizando metodologias cientificamente comprovadas através de uma sequência de nove peneiras de diferentes malhas, como Ro-Tap System, para quantificar o processamento da silagem de milho (figura 3).

 

Figura 3: Ro-Tap System - Conjunto de peneiras para avaliação da qualidade do processamento de grãos Fonte: www.dairylandlabs.net/feed-and-forage/understanding-your-results/physical-characteristics/corn-silage-processing-score

O Ro-Tap System é um sistema de agitação das peneiras e o procedimento produz uma nota que se refere ao grau de processamento da silagem – em inglês, Kernel Processing Score (KPS) que determina o escore de processamento de grãos onde os valores são dados para porcentagem de amido que passa através da peneira de 4,75 mm.

Vejamos as diretrizes de interpretação do KPS, proposto por Mertens 2005, usado para mensurar o grau de fracionamento do grão na silagem de milho:

  • Menos de 50% = inadequado
  • 50% a 70% = normal
  • 70% = ótimo

Nos Estados Unidos, o Dairyland Laboratories, Inc. sumarizou os valores de amostras de 2009 a 2014 e dividiu os níveis de amido encontrados em baixo, médio e alto. Silagens com baixos teores de amido apresentam maiores porcentagens de valores inadequados de KPS.

Estas diferenças nos valores de KPS provavelmente existem porque à medida que a maturação da planta avança e com o declínio dos teores de umidade, a deposição de amido aumenta. Isto resulta num grão mais seco e que será mais bem fraturado pelo cracker em pequenas partículas.

Em altos níveis de umidade, com menos amido e mais palha, uma alta porcentagem de grãos podem ser protegidos do quebramento pela palha, resultando em um grau de processamento de grãos abaixo do ideal.

Produtores e prestadores de serviços que colhem milho para silagem antecipadamente, podem não atentar para o processamento ideal de grãos, e abrir os rolos do cracker, o que resultará em um KPS (Kernel Processing Score) menos agressivo.

Embora muitos produtores tenham conseguido atingir níveis de KPS satisfatórios, existe um espaço de melhoria nas regulagens ou ajustes dos rolos do cracker para atingir o processamento de grãos adequado.

Enquanto o KPS é um excelente teste, a apuração do momento de colheita não permite que determinações neste sentido sejam pontuais para assegurar que a cultura colhida esteja sendo processada adequadamente em termos de KPS e tamanho de partículas. Por isso, se faz necessário utilizar um sistema de monitoramento durante a colheita e então determinar o grau de processamento de grãos.

Copo de monitoramento de processamento de grãos em silagem de milho

Os produtores podem inspecionar o quebramento de grãos durante o descarregamento da massa verde no silo e notificar o operador da máquina caso houver necessidade de fazer alguns ajustes para melhorar o processamento de grãos.

A efetividade do processamento pode mudar de lavoura para lavoura e de um dia para outro, desta forma, é importante monitorar o processamento de grãos durante toda a colheita.

Amostras devem ser conferidas pelo menos uma vez por dia e também quando a máquina colher uma lavoura de outra área. Em alguns casos, o produtor precisa inspecionar todo descarregamento da massa verde no silo.

O copo de monitoramento de processamento de grãos em silagem de milho é uma rápida e simples técnica de campo para monitorar o grau de processamento (figura 4).

 

Figura 4: Copo de Monitoramento de Processamento de Grãos em Silagem de Milho

Especialistas em silagem da DuPont Pioneer ao redor do mundo têm usado este método para coletar amostras de massa fresca processada com o copo no volume de um litro. Após coletar a amostra, espalham-na em numa superfície plana e limpa para, manualmente, escolher, separar e contar todos os grãos maiores que uma metade de grão.

Com esta técnica é preciso estar atento sempre para o adequado processamento de grãos, pois somente trincar ou amassar os grãos não é suficiente. É fundamental que em torno de 95% dos grãos sejam quebrados e que 70% dos grãos sejam fracionados em partículas menores que ¼ do tamanho dos grãos, ou em partículas menores de 4,75 mm.

O padrão de quebramento ideal é não mais que dois inteiros ou metades de grãos por amostra. Embora o produtor e o prestador de serviços possam acordar em outros graus de processamento, a contagem nunca deverá exceder quatro grãos inteiros ou metades.

O copo de monitoramento não foi desenvolvido para quantificar o grau de processamento dos grãos de maneira tão precisa como o sistema de laboratório Ro-Tap. Entretanto, pode ajudar os produtores de silagem a monitorar e adotar o processamento de grãos mais adequado.

Muitas propriedades que produzem silagem, principalmente leiteiras, têm atentado para decisões de gerenciamento do negócio que propiciem a produção de leite de maneira mais eficiente e com maior nível de rentabilidade.

Obter uma silagem de milho bem processada e com elevado teor de amido é a chave para um alimento de alta qualidade, podendo reduzir os níveis suplementares de grãos na dieta e diminuir custos de alimentação.

Faz todo sentido na gestão do negócio, inspecionar o processamento de grãos e as regulagens da máquina forrageira antes da colheita para assegurar uma silagem de milho que irá contribuir com a máxima produção de leite.

Dúvidas sobre a colheita de milho para silagem com ensiladeira automotriz? Deixe sua pergunta no espaço de comentários.

Referências Bibliográficas

Dr. Joe Lauer, UW State Corn Extension Specialist, Pioneer Corn Silage presentation January 31, 2012, Johnston, Iowa.
https://www.pioneer.com/home/site/us/silage-zone/corn_silage_harvest/chopandprocess/ Dr. Bill Seglar, veterinarian/nutrition specialist, DuPont Pioneer

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  • Comentários (2)

Dilson Maffini

27/12/2017 8:57:54
Bom dia. Texto interessante, conteúdo de fácil aplicabilidade prática e que certamente contribui no desempenho e melhoria das práticas usuais dos que rotineiramente as praticam, principalmente a amostragem de grãos pós colheita.
Blog Agronegócio em Foco
27/12/2017 10:08:52
Olá, Dilson! A opinião de nossos leitores é muito valiosa para nós e contribui demais para o aprimoramento do conteúdo que entregamos. O seu elogio nos dá certeza de que estamos no caminho certo. Muito obrigada por suas palavras! Um forte abraço e um excelente final de ano!
     
 

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