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Práticas de manejo para minimizar perdas por enfezamento em milho

22
ago
2019
Manejo, Milho, Pragas, Doenças

Você sabe qual a causa, e o que podemos fazer para amenizar as perdas por enfezamento? Neste artigo vamos explicar o que é enfezamento, quais são seus sintomas, quem é o vetor, e quais as práticas de manejo indicadas para minimizar as perdas na cultura do milho. Acompanhe!

Causas dos enfezamentos

Os enfezamentos do milho são causados por uma classe de bactérias que se distinguem das demais pela ausência de parede celular e, por isso, são denominadas Mollicutes. Mollicutes são parasitas de animais e plantas que vivem dentro das células do hospedeiro.

Quando temos a ocorrência da doença, é comum observamos diferentes sintomas, relacionados tanto ao Enfezamento Pálido (Spiroplasma kunkelii) quanto ao Enfezamento Vermelho (Maize bush stunt phytoplasma).

Porém, além do mollicutes, em uma planta enfezada, também pode ser observada a presença do Vírus da Risca – MRFV (Maize raiado fino virus), e é por isso que nos referimos a doença como Complexo de Enfezamento.

Sintomas dos Enfezamentos

Os sintomas de Enfezamento Vermelho – como o nome já diz – são o avermelhamento a partir das margens e do ápice das folhas, seguido por seca (imagens 1 e 2).


Imagem 1. Planta de milho com sintomas de Enfezamento Vermelho (Maize bush stunt phytoplasma). Foto: Felipe Baiá


Imagem 2. Planta de milho com sintomas de Enfezamento Vermelho (Maize bush stunt phytoplasma). Foto: Felipe Baiá.

Já o Enfezamento Pálido, apresenta estrias cloróticas localizadas, principalmente, na base das folhas (imagem 3).

É comum encontrar a campo plantas com os dois sintomas de enfezamento (imagem 4).


Imagem 3. Planta de milho com sintomas de Enfezamento Pálido (Spiroplasma kunkelii). Foto: Felipe Baiá.


Imagem 4. Planta de milho com sintomas de Enfezamento Pálido (Spiroplasma kunkelii) e de Enfezamento Vermelho (Maize bush stunt phytoplasma). Foto: Felipe Baiá.

Sintomas do Vírus da Risca, se caracterizam por lesões na forma de pequenos pontos cloróticos alinhados (imagem 5), acompanhado de menor desenvolvimento e porte da planta.

É possível observarmos lavouras infectadas com o Vírus da Risca apenas com uma das doenças, ou com todas ao mesmo tempo – Enfezamentos Vermelho e Pálido + Vírus da Risca.


Imagem 5. Planta de milho com sintomas de Virus da Risca – MRV (Maize raiado fino virus). Foto: Régis Borin.

Pela multiplicação do patógeno se dar de forma sistêmica na planta, ocorre uma alteração nos vasos condutores, células companheiras e parênquimas do floema, o que causa desregulação no comportamento da planta.

O fechamento estomatal induzido pelo fitoplasma também é fator para o desenvolvimento dos sintomas, pois altera a troca gasosa e outros processos relacionados, como movimento hídrico e fotossíntese na planta.

Por isso, danos como multiespigamento (imagens 6, 7 e 8), secamento prematuro da planta, redução do porte da espiga (imagem 9), chochamento dos grãos e tombamento de plantas (imagem 10) também podem ser observados como consequências de lavouras enfezadas.


Imagem 6. Lavoura de milho com sintomas de multiespigamento. Foto: Felipe Baiá.


Imagem 7. Planta com complexo de enfezamento, multiespigamento e redução da inserção de espiga. Foto: Felipe Baiá.


Imagem 8. Planta com complexo de enfezamento, multiespigamento e redução da inserção de espiga. Foto: Felipe Baiá


Imagem 9. Redução do porte de espiga e problemas de polinização/granação em plantas afetadas pelo complexo de enfezamento. Foto: Felipe Baiá.


Imagem 10. Lavoura de milho tombada, reflexo dos sintomas de enfezamento. Foto: Felipe Baiá.

O tombamento de plantas é mais aparente após o florescimento, quando o metabolismo da planta acelera devido a migração da energia acumulada na planta para a espiga. Como efeito secundário, é comum ocorrer a infecção de fungos do solo como Pythium e Fusarium.

Os sintomas podem variar de acordo com a sensibilidade do material e pelo estádio de infecção (imagem 11). Sabemos que, quanto mais cedo a planta for infectada, maior será o dano. Isso porque teremos um maior tempo de multiplicação do patógeno dentro da planta.


Imagem 11. Lavoura de milho tombada pelo complexo de enfezamentos. Diferença de híbridos em relação a tolerância e suscetibilidade. Foto: Felipe Baiá.

Mas quem é o vetor responsável pela transmissão do complexo de enfezamentos até a planta?

A doença está diretamente relacionada com a cigarrinha do milho Dalbulus maidis (imagem 12). São insetos bastante ágeis, abandonando a planta ao menor distúrbio. Geralmente se encontram no cartucho das plantas de milho, em número variável, dependendo da idade da planta e época do ano.

A reprodução da cigarrinha depende exclusivamente da cultura do milho, sendo incapaz de completar seu ciclo biológico em outras culturas. E a reprodução dos mollicutes, é dependente deste inseto para se multiplicar.

Desta forma, regiões onde não há milho, não haverá vetor se reproduzindo e, consequentemente, o problema do enfezamento está eliminado.


Imagem 12. Cigarrinha do milho (Dalbulus maidis).

Seu desenvolvimento sofre influência direta da temperatura ambiente, pois quanto maior é a temperatura, mais rápido a cigarrinha completa seu ciclo e, deste modo, mais gerações do vetor surgem em uma mesma janela de plantio.

Além disso, as condições ambientais também fazem com que os mollicutes se multipliquem mais rápido dentro do hospedeiro (seja ele a cigarrinha ou o milho), acelerando a capacidade de virulência.

Quando a temperatura é inferior a 27°C (dia) e 18°C (noite), a velocidade de multiplicação da bactéria é reduzida.

Em uma temperatura média de 26°C, o ciclo de vida da cigarrinha é entre 23 e 27 dias. A praga realiza postura endofítica (dentro do limbo foliar) cujo período de encubação é de 8 a 10 dias, e o estádio de ninfa é de 14 a 16 dias.

Quando temos temperaturas abaixo de 20°C, não há eclosão de ovos e, quando eclodidos, mesmo provenientes de insetos contendo mollicutes, a futura geração nasce livre da doença. Esta é uma observação importante para o manejo da doença, pois para uma nova infecção, há necessidade do vetor adquirir o patógeno a partir de uma planta infectada.

É por isso que eliminar plantas de milho voluntárias que atuam como fonte de inóculo é fundamental para o cultivo de lavouras livres do patógeno.

O que chamamos de “picada de prova”, não é suficiente para transmitir o complexo de enfezamentos para a cultura e praticamente não causa danos.

Por isso, há uma necessidade mínima de tempo de alimentação do vetor para aquisição da doença (quadro 1).

O período de latência é o tempo que leva entre a aquisição do inseto e o início da transmissão do patógeno pelo vetor.

A inoculação é o tempo mínimo que a cigarrinha precisa se alimentar para transmitir a doença à cultura do milho.

E retenção, período médio em que o vetor é capaz de reter o mollicutes, causando novas infecções.


Quadro 1. Tempo de aquisição, latência, inoculação e retenção das doenças causadoras do complexo de enfezamento pela cigarrinha do milho Dalbulus maidis. Fonte: Josemar Foresti.


Quais são as alternativas de controle para o complexo de enfezamentos?

Em primeiro lugar: ações pontuais ou isoladas não resolvem o problema. A única forma eficaz de controle do complexo de enfezamentos é através do manejo integrado.

É necessário fazer um manejo em nível ecológico (população do vetor e mollicute) e regional.

Neste artigo trouxemos 5 importantes recomendações. São elas:

  1. Eliminação de milho voluntário

  2. Sincronização de plantio

  3. Tolerância genética

  4. Uso de Tratamento de Sementes Industrial

  5. Aplicação de inseticidas para controle do vetor

1. Eliminação de milho voluntário

Sem dúvidas, entre todas as práticas, a eliminação de milho voluntário é a primeira e mais importante estratégia de controle.

É comum observar nas regiões agrícolas grandes quantidades de milho voluntário na entressafra e nos cultivos subsequentes (imagem 13).


Imagem 13. Planta de milho voluntária na entressafra. Foto: José Madaloz.

Desta forma, em áreas com potencial de incidência de enfezamentos, a prática de eliminação do milho voluntário, é fundamental para o controle da doença. No entanto, todas as ferramentas disponíveis devem ser utilizadas, iniciando pela regulagem dos equipamentos de colheita (minimizando as perdas), uso de herbicidas pré e pós-emergentes para controle de diferentes fluxos de germinação, etc.

2. Sincronização de plantio

Em determinadas regiões onde não há vazio sanitário determinado pela condição de plantio durante todo o ano (pivots de áreas de semente, áreas de silagem, regiões produtoras de milho verão e milho safrinha, etc.), existem populações de cigarrinha já estabelecidas e infectadas por mollicutes, que estão aptas para novas infestações.

Nessas situações, especialmente nas áreas de safrinha, os primeiros plantios de milho sofrem um efeito de concentração desses insetos infectados, ocasionando alta pressão da doença.

Há uma preferência alimentar da cigarrinha por plantas jovens de milho, para se alimentar e realizar posturas.

A migração e mobilidade do vetor faz com que ocorra dispersão na medida em que a semeadura avança no restante das áreas da região, diminuindo os danos observados nas lavouras subsequentes.

Nesses casos, a sincronização de plantio com a maioria da região pode ajudar a escapar da maior pressão da doença (imagem 14).

Em outras palavras, quanto menor a janela de plantio (mais sincronizados), mais diluída será a pressão do vetor e menores serão os danos observados. Essa informação é importante para o posicionamento de híbridos e uma estratégia de manejo bastante interessante.


Imagem 14. Diferentes épocas de plantio de milho em uma mesma região. Foto: Fernando Zanatta.

Já em regiões com um vazio de milho determinado, tal cenário pode se inverter, uma vez que nessas situações, os primeiros plantios escapam da maior pressão de cigarrinhas infectadas, e a quantidade do vetor é muito baixa.

Assim como a carga de mollicutes, na medida que avançam os fluxos de plantios, a multiplicação do vetor e do patógeno aumenta, inviabilizando os plantios mais tardios, pela alta incidência de enfezamentos.

3. Tolerância genética

Existem grandes diferenças de sensibilidade entre híbridos (imagens 15 e 16), entretanto, não podemos atribuir à tolerância genética o título de principal método de controle da doença. Isso porque, dependendo da infestação, tempo de alimentação das cigarrinhas e da carga dos mollicutes, um híbrido que resistiu bem à pressão da doença numa determinada safra, pode não resistir a uma pressão maior da doença no ano seguinte – caso não se aplique o manejo integrado em nível regional.


Imagem 15. Plantas de milho tolerantes ao complexo de enfezamento, infestadas com cigarrinhas Dalbulus maidis, contaminadas com mollicutes. Foto: Josemar Foresti.


Imagem 16. Plantas de milho suscetíveis ao complexo de enfezamento, infestada com cigarrinhas Dalbulus maidis, contaminadas com mollicutes. Foto: Josemar Foresti.

Pensando na tolerância, do ponto de vista fitopatológico, significa que a planta possui o complexo de enfezamento, mas pode expressar poucos sintomas e/ou menor queda de produtividade, mesmo assim, ela continua reproduzindo em seu interior os mollicutes que servirão para infectar futuros fluxos de cigarrinha do milho, aumentando o inóculo regional.

4. Uso de Tratamento de Sementes Industrial (TSI)

O TSI é ferramenta fundamental no controle da doença pois protege a planta no período inicial de desenvolvimento. Quanto mais cedo ocorre a infecção da planta, maiores são os danos pelo enfezamento, devido ao maior período de multiplicação dos patógenos nos tecidos da planta.

Assim, o uso de neonicotinóides no TSI protege a planta até, aproximadamente, V3, tornando-se uma importante ferramenta dentro do manejo integrado da doença.

O TSI tem um efeito maior em condições onde as demais práticas de manejo também são adotadas, pois dessa maneira há uma redução da população do vetor.

5. Aplicação de inseticidas para controle do vetor

A aplicação de inseticidas é uma ferramenta complementar que, sob alta pressão de inóculo tem pouco efeito, portanto, é ineficaz se não for feito uso das demais ferramentas de manejo – fundamentais para diminuir o inóculo da doença.

Quanto mais tempo conseguirmos postergar a entrada do vetor em nossas lavouras, maior será o sucesso. Por isso, o período crítico de controle da cigarrinha em um campo de milho vai de VE até V10. Esse é o período mais importante de proteção da lavoura, pois se ocorrer a infecção, os danos serão mais significativos.

Em relação a produtos que podem ser aplicados, atualmente existem vários princípios utilizados para controle de sugadores na cultura do milho para o controle da cigarrinha, porém, o mais importante é monitorar a praga para determinar a frequência de aplicação.

Para serem efetivas as aplicações é necessário que tenham um bom efeito de choque, pois o tempo necessário para uma cigarrinha infectada inocular os mollicutes numa planta de milho sadia, como já vimos, é curto (+ou-1 hora).

O desafio está na falta de residual desses produtos, já que nos estádios iniciais, uma planta de milho expande uma nova folha a cada 2 ou 3 dias e a mobilidade do inseto vetor é alta, sendo que novas revoadas podem acontecer no intervalo uma aplicação e outra.

Considerações importantes

A ocorrência de enfezamentos, que antes se restringiam a áreas do Brasil Central, vem se expandindo. Na safrinha 2019 foram confirmados alguns casos no estado do Paraná.

Mudanças no sistema de produção de milho, como uso da tecnologia Bt, que modifica a dinâmica de aplicações de inseticidas, bem como a adoção da tecnologia RR (quando não se usa tecnologia de controle apropriada para eliminação das plantas voluntárias) certamente contribuem para mudanças na dinâmica do vetor e avanço dos casos de enfezamento.

Assim, fica evidente que medidas pontuais não são capazes de eliminar o problema. É necessário estar atento e conscientizar o setor agrícola, principalmente em áreas de pressão da doença, para colocar em prática as 5 recomendações de manejo apontadas acima.

por Felipe Baiá Carvalho Souto, MSc. Engenheiro Agrônomo pela UENP (2014), com MBA em Marketing Estratégico pela Esalq (2017), e Mestre em Agronomia pela UENP (2019). Possui experiência em condução de ensaios a campo, pesquisas para as culturas de milho e soja, avanços de materiais genéticos, geração e desenvolvimento de informações técnicas, treinamentos e palestras. Atualmente é Agrônomo de Campo para as marcas de sementes da Corteva Agrisciente™, atuando no Centro Oeste e Norte do estado do Paraná.
Co-autor Douglas Batista Jandrey, MSc. Engenheiro Agrônomo pela UFRGS (2006), Mestre em Fitotecnia, Fisiologia Vegetal pela UFRGS (2008), e especialista em proteção de plantas pela UPF (2011). Possui experiência em condução de ensaios a campo em parceria com universidades e fundações de pesquisa para as culturas do milho e da soja, geração e desenvolvimento de informações técnicas e treinamento e palestras. Atualmente é Gerente de Agronomia para as marcas de sementes da Corteva Agriscience™, atuando na região Sul do Brasil e Paraguai.
Co-autor Josemar Foresti, Dr. Engenheiro Agrônomo pela Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Mestrado em Fitossanidade - Área de concentração: Entomologia (FAEM/UFPel), e Doutorado em Agronomia pela Universidade de Brasília (UnB). Tem experiencia em pesquisa em produção de semente, manejo de enfezamento do milho, treinamento e palestras técnicas. Atualmente é responsável pelo programa da Corteva Agriscience™ Brasil na seleção das novas tecnologias Bts para o controle das pragas de milho e soja.
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