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Estratégias de manejo para grãos ardidos em milho safrinha

16
abr
2020

O milho se destaca por ser a segunda maior cultura de importância na produção agrícola do Brasil. Segundo última estimativa da Conab (CONAB, 2020) a área de milho no Brasil pode chegar a 17,8 milhões de hectares e uma produção de 100,08 milhões de toneladas nesta safra. Somente a segunda safra (safrinha) responde por 74% desta área com uma produção estimada em 73,36 milhões de hectares.

Com a evolução da área plantada e da modalidade de cultivo do milho, precisamos estar atentos e preservar as condições fitossanitárias das lavouras, principalmente no que diz respeito a preservação da qualidade de grãos.

As alterações causadas nos grãos em decorrência da presença de patógenos são denominadas “grão ardido”, e pode resultar em fermentação, alteração do gosto e do cheiro do produto final, e produção de micotoxinas prejudiciais à saúde humana e animal, restringindo assim a comercialização de grãos de milho.

Entre as principais doenças que causam grãos ardidos, destacamos as ocasionadas por fungos, sendo as de maior importância a Podridão Branca da Espiga (Stenocarpella maydis ou S. macrospora), a Podridão Rosada da Espiga (Fusarium spp.), e a Podridão vermelha da ponta da espiga (Giberella zeae).

1. Podridão branca da espiga

A podridão branca da espiga ou podridão de diplodia como também é conhecida, é causada pelos fungos Stenocarpella maydis e Stenocarpella macrospora, esses fungos são capazes de infectar folhas, bainhas, colmo e espigas.

Apenas a espécie S. macrospora pode causar danos em folhas, tornando a doença mais agressiva, em virtude da grande produção de inóculo sobre as lesões, que contribui para o aumento do potencial de inóculo para a infecção do colmo e da espiga (LATTERELL & ROSSI, 1983).

Nos tecidos foliares, a doença causa lesões necróticas grandes, apresentando em algum local da lesão um pequeno círculo que pode ser visto contra a luz, indicando o ponto de infecção (Imagem 1A) que a distingue daquela causada por Exserohilum turcicum, essas lesões podem coalescer e gerar lesões ainda maiores.

Em menor frequência, as lesões na palha que cobre a espiga podem ser pequenas (cerca de 0,2 x 0,5 mm), circundadas ou não por um halo avermelhado. Em lesões mais avançadas, podem ser observados vários pontos negros, chamados de picnídios (Imagem 1B).


Imagem 01. A - Mancha foliar causada por S. macrospora, e detalhe do ponto de infecção (Foto: Raphael Gregolin Abe).
B - Palha da espiga com pequenos picnídios (Foto: Elcio Alves).

Na espiga, os sintomas iniciam, principalmente, na base da espiga logo após a fecundação. As brácteas da espiga tornam-se despigmentadas e de coloração parda. Quando a infecção ocorre duas semanas após a polinização, toda a espiga pode tornar-se podre, apresentando coloração pardo-cinzenta a esbranquiçada (Imagem 2), enrugada e leve, com as palhas internas fortemente aderidas umas às outras ou aos grãos, devido ao crescimento do micélio do fungo (CASA, 2006).


Imagem 02. A - Lavoura com incidência de Podridão Branca da Espiga. B - Espiga com micélios brancos entre as fileiras dos grãos. Fotos: Paulo Tomé.

A infecção provocada nas espigas resulta em redução do potencial produtivo por deteriorar os grãos e torná-los leves, afetando a qualidade e apresentando coloração marrom clara (imagem 3), e consequentemente gerando baixa qualidade nutricional e palatabilidade.


Imagem 03. Espiga com sintomas em estágio avançado à esquerda, e à direita espiga sadia. Foto: Rodrigo Veras da Costa.

Desenvolvimento da podridão branca

O patógeno sobrevive em restos de cultura de um ano para o outro. A infecção se dá pela ação do vento e por meio de respingos de chuva (Imagem 4).

A alta incidência de precipitação pluviométrica, associada a temperaturas acima de 22°C, favorece o processo de infecção nas espigas.

Além da alta incidência de chuvas, o processo de infecção do fungo nas espigas pode ocorrer por danos causados por insetos, espigas mal empalhadas, com palhas frouxas, espigas não-decumbentes, e adubações desbalanceadas com altos níveis de nitrogênio e baixos níveis de potássio.

Embora o fungo seja capaz de infectar as sementes, a doença não é transmitida para plantas oriundas de sementes infectadas (Galvão, 2004).


Imagem 04. Ciclo da podridão branca da espiga.

2. Podridão Rosada da Espiga

A Podridão rosada, causada por três espécies de Fusarium: Fusarium moniliforme, Fusarium moniliforme variedade subglutinans, e Fusarium graminearum. Todas as espécies se diferenciam pelo formato dos microconídios. As espigas infectadas por Fusarium spp., apresentam grãos de coloração avermelhada, distribuídos isoladamente ou agrupados ao longo da espiga (Imagens 5 e 6).


Imagem 05. Espigas com sintomas de Podridão rosada da espiga causada por Fusarium spp.. Foto: Arquimedes Oliveira.


Imagem 06. Podridão rosada da espiga causada por Fusarium spp.. Foto: Matheus Dalsente Krau.

À medida que a doença se desenvolve, o fungo cresce, cobrindo os grãos infectados com um micélio cotonoso de coloração rosada. É muito comum em alguns grãos aparecer estrias brancas devido à ação do fungo no pericarpo, as quais partem do ponto de inserção do estigma e movem para a extremidade do grão (imagem 7).


Imagem 07. Grãos de milho com estrias brancas no pericarpo geradas pela Podridão rosada da espiga. Foto: Arquimedes Oliveira.

Os sintomas também aparecem na palha da espiga quando esta é infectada, apresentando coloração avermelhada. O processo de infecção pode ocorre em qualquer parte da espiga.

Desenvolvimento da Podridão Rosada da Espiga

A podridão causada por Fusarium spp. é favorecida por temperaturas entre 28°C e 30°C, umidade elevada, excesso de chuvas, e danos na espiga e nos grãos causados pelo ataque de pragas.

Fusarium spp. é tipicamente um fungo de solo, que pode sobreviver em restos de cultura na matéria orgânica. A dispersão do fungo é mais eficiente pelo vento do que pelas sementes (GALVÃO, 2004).


Imagem 08. Ciclo da Podridão Rosada da Espiga.

3. Podridão Vermelha da Espiga

A Podridão vermelha da espiga é causada pelo fungo Gibberella zeae, e é também conhecida pelo nome de Podridão de Gibberella.

A infecção e os sintomas típicos da podridão vermelha, em geral iniciam na ponta da espiga e progridem até sua base através de uma massa cotonosa de coloração avermelhada, o fungo também pode colonizar a palha da espiga e permanecer aderido a ela (imagens 9 e 10).


Imagem 09. Espiga de milho com podridão vermelha. Foto: Arquimedes Oliveira.


Imagem 10. Espiga de milho com podridão vermelha. Foto: Arquimedes Oliveira.

Como os sintomas, de forma ocasional, podem iniciar na base da espiga e progredir para a ponta, pode haver confusão com os sintomas de Fusarium verticillioides ou Fusarium subglutinans.

Desenvolvimento da podridão vermelha

A doença causada por Gibberella é mais comum em regiões de clima mais frio e, quando aliada a alta umidade relativa, pode ocorrer em temperaturas entre 15°C e 20°C.

Favorecido por chuvas, na fase reprodutiva da cultura do milho, o fungo sobrevive nas sementes em forma de micélio dormente e em restos de cultura (imagem 11).


Imagem 11. Ciclo da podridão vermelha

Estudos sobre o manejo de Grãos Ardidos

Existe muito conhecimento sobre as doenças que causam grãos ardidos em milho, porém, poucas informações de medidas de manejo efetivas.

Hoje temos variedades de soja cada vez mais precoces, que propiciam o plantio do milho safrinha cada vez mais cedo, oferecendo uma maior janela de oferta hídrica para o milho e consequentemente maior potencial produtivo, contudo, esse ambiente também pode aumentar o desenvolvimento das doenças fúngicas e, em especial, as que causam prejuízos nos grãos.

Dessa forma, em meio a esse novo cenário, várias estratégias têm sido testadas, obtendo melhores resultados nas que se baseiam em uso de fungicidas, adubação balanceada de nitrogênio (N) e potássio (K), época de plantio, rotação de culturas, e tolerância genética dos híbridos. Porém, o que se observa a nível de campo é que nenhuma dessas estratégias tem tido resultados consistentes quando utilizadas de forma isolada, sendo necessário a realização de um manejo integrado.

Para entender melhor a problemática dos grãos ardidos no milho safrinha e melhorar as recomendações de manejo, nós do time de Agronomia da Corteva Agrisciense implementamos alguns ensaios a campo, testando: o efeito do potássio e a interação da relação nitrogênio/potássio (N/K), como também o uso e a época de aplicação de fungicidas, na incidência de grãos ardidos.

Efeito do potássio e a interação da relação N/K

Como foi realizado o trabalho?

Este ensaio foi realizado em 10 locais nas regiões produtoras de milho do estado do Mato Grosso durante a safrinha 2019, no qual foi encontrado níveis de grãos ardidos significativos em apenas 3 locais. Essa baixa incidência em alguns locais se deu pela alta heterogeneidade de inóculo do patógeno que temos nas áreas, e pelos diferentes históricos de manejo, uma vez que os ensaios foram realizados em áreas de agricultores parceiros. A principal doença que acarreta grãos ardidos no Mato Grosso é a podridão branca da espiga.

Os tratamentos foram compostos de diferentes relações N/K, onde fixou-se uma dose para a aplicação de N (120 kg/ha) e variou-se as doses de K (0, 60, 120, 180 e 240 kg/ha).

Resultados

Quando os resultados de todos os locais foram analisados (imagem 12), mesmo que a diferença não tenha sido estatisticamente significativa, foi observado uma tendência na redução dos níveis de grãos ardidos e no aumento de produtividade, quando realizado o aumento da adubação potássica, porém até o nível de equilíbrio entre N e K na proporção de 1:1.


Imagem 12. Resultados de produtividade e grãos ardidos dos ensaios de N/K conduzidos no Mato Grosso, na safrinha 2019. Valores seguidos da mesma letra para cada variável não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5%.

Houve diferença dos patamares de grãos ardidos e de produtividade entre épocas e locais, em alguns casos obtendo diferença estatística, contudo a tendência dos níveis de grãos ardidos e produtividade em relação aos tratamentos foram semelhantes para os locais e épocas (imagem 13.). Os níveis mais baixos de grãos ardidos foram obtidos quando utilizados os tratamentos com potássio nas relações N/K de 2:1 e 1:1.


Imagem 13. Resultados de produtividade, e grãos ardidos dos ensaios de N/K, por local, conduzidos no Mato Grosso, na safrinha 2019. Valores seguidos da mesma letra para cada variável não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5%.

Dessa forma, temos um indicativo que o K tem influência direta na redução de incidência de grãos ardidos, porém até o nível de equilíbrio com o N. O potássio proporciona maior turgidez as células da planta e melhora a tolerância a estresses, neste caso deixando a planta mais protegida da ação dos patógenos que causam grãos ardidos. Acima do nível de equilíbrio da relação N/K, foram observados níveis de grãos ardidos mais altos, estando relacionado ao desequilíbrio entre os nutrientes N e K.

Para a produtividade, observou-se também uma resposta positiva até o nível de equilíbrio entre os nutrientes, e na maioria dos locais decaindo o rendimento após isso, confirmando que a relação N/K mais equilibrada também é a mais rentável do ponto de vista produtivo.

Isso é explicado devido ao K está envolvido com as funções metabólicas da planta, uma vez que quando a planta encontra-se deficiente de K, a taxa de fotossíntese é reduzida, o que pode resultar em produção de menos fotoassimilado e consequentemente menos peso e rendimento de grãos, além disso quando temos K em excesso podemos ter queima de raízes e inibição da absorção de N.

O uso e a época de aplicação de fungicidas

Como foi realizado o trabalho?

Este ensaio foi realizado em Campo Novo do Parecis-MT, durante a safrinha 2019.

Os tratamentos foram compostos de diferentes combinações de fungicidas e momentos de aplicação. Foi utilizando o fungicida Aproach® Prima, que é composto pela mistura de estrobilurina + triazol (Picoxistrobina (200,0 g/L) + Ciproconazole (80,0 g/L)) na dose de 400 ml/ha de produto comercial, associada ou não a fungicida protetivo (Tiofanato Metílico (500,0 g/L)) na dose de 1,0 l/há de produto comercial, e diferentes momentos de aplicação (V8, VT e VT+15) (Tabela 1).

TRATAMENTO MOMENTO DE APLICAÇÃO
V8 VT VT+15
T1 Testemunha (sem aplicação)
T2 Aproach® Prima Aproach® Prima Aproach® Prima
T3 Aproach® Prima Aproach® Prima -
T4 - Aproach® Prima + Protetivo Aproach® Prima + Protetivo
T5 Aproach® Prima Aproach® Prima + Protetivo Aproach® Prima + Protetivo
T6 Aproach® Prima + Protetivo Aproach® Prima + Protetivo -
T7 Aproach® Prima + Protetivo Aproach® Prima + Protetivo Aproach® Prima + Protetivo

Tabela 01. Tratamentos, épocas de aplicação, e misturas de fungicidas utilizadas.

Resultados

Foram testadas diversas combinações de momentos de aplicação com associações de fungicidas, porém os menores níveis de grãos ardidos foram obtidos quando o fungicida protetivo estava associado ao fungicida Aproach® Prima (Estrobilurina + Triazol) na aplicação, tendo uma tendência para o momento de aplicação em VT ser mais eficiente na redução de grãos ardidos, uma vez que todos os tratamentos que tiveram baixos níveis de grãos ardidos tinham aplicação nesse momento.


Imagem 14. Médias de grãos ardidos, em percentual para os respectivos tratamentos. Valores seguidos de mesma cor não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5%.

Recomendações para o controle de Grãos Ardidos

Tomando como base trabalhos que desenvolvemos bem como de outros pesquisadores, e tendo como objetivo evitar os prejuízos causados pelos grãos ardidos, aumentando assim a lucratividade com o plantio do milho safrinha, temos como recomendação as seguintes medidas:

• Uso de fungicidas para manejar a ocorrência de grãos ardidos, que tem como princípio diminuir a fonte de inóculo e proteger a espiga. Dar preferência para o uso de triazois + estrobirulinas juntamente com fungicidas protetores (Benzimidazois);

• Utilização de TS com ação sobre os patógenos que causam grãos ardidos, uma vez que os mesmos sobrevivem em restos culturais, principalmente em áreas com histórico de ocorrência da doença;

• Manutenção de palhada de outra espécie (Ex.: Brachiaria), alguns trabalhos sinalizam que essa medida reduz a dispersão de esporos produzidos nos restos culturais de milho;

• Realização de adubação balanceada, com o objetivo de melhorar a disponibilidade de K, ajudando a prevenir a ocorrência de grãos ardidos;

• Monitorar umidade de colheita, evitando deixar a lavoura muito tempo para ser colhida. Em locais com histórico de grãos ardidos, colher a lavoura com umidade dos grãos acima de 18%.

• Observar a época de plantio, esse momento pode influenciar na convergência da pré-florada com estresses e/ou a floração com a ocorrência de períodos chuvosos intensos.

• A utilização de híbridos mais tolerantes as doenças que causam grãos ardidos também é uma medida viável de ser usada.

Conclusão

Todas essas recomendações de controle trazem inúmeros benefícios para diminuir a incidência de grãos ardidos, porém a adoção de uma única medida pode não ser suficiente, sendo necessário a realização de um manejo integrando várias medidas de controle, principalmente quando o inóculo do patógeno for alto.


Para baixar esse artigo em PDF, clique aqui.

por Arquimedes de Oliveira
Engenheiro Agrônomo, formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE (2014); Pós-Graduação em Tecnologia e Produção de Sementes pela Faculdade Centro Mato-Grossense - FACEM (em andamento). Possui experiência no manejo das culturas de soja e milho, condução de ensaios a campo, avanço e desenvolvimento de híbridos e variedades, geração e desenvolvimento de informações técnicas, treinamentos e palestras. Atualmente é Agrônomo de Campo para as marcas de sementes da Corteva Agrisciente™, atuando no Sul e Vale do Araguaia, do estado de Mato Grosso.

Referências
CONAB - COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da Safra Brasileira Grãos, v. 7 - Safra 2019/20 - n. 6 - Sexto levantamento, Brasília, p. 1-31, março 2020.
CASA, R.T., REIS, E.M. & ZAMBOLIM, L. Doenças do milho causadas por fungos do Gênero Stenocarpella. Fitopatologia Brasileira 31:427-439. 2006.
GALVÃO, J.C.C.; MIRANDA, G.V. Tecnologia de Produção do Milho. Viçosa, UFV, P.227-264, 2004.
LATTERELL, F.M. & ROSSI, A.E. Stenocarpella macrospora (=Diplodia macrospora) and S. maydis (=D. maydis) compared as pathogens of corn. Plant Disease 67:725-729. 1983.
PINTO, N.F.J.; Grãos ardidos em milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2005. 6p. (Embrapa Milho e Sorgo, Circular Técnica, 66).
PINTO, N. F. J. de A. Patologia de Sementes de Milho. Circular Técnica 29, Embrapa Milho e Sorgo (CNPMS), Sete Lagoas, 44p., jul. 1998.

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