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A relação entre nutrição, investimento e rendimento para soja

30
mar
2020
Soja, Manejo

Com o fim do vazio sanitário e a regularização das chuvas nos municípios produtores de soja, inicia-se o plantio, em especial das cultivares de ciclo precoce e/ou médio, mas para atingir as produtividades esperadas, é preciso considerar alguns elementos, tais como: semeadura bem executada associada a fatores climáticos específicos, condução assertiva da lavoura e tecnologias usadas na semeadura.


Imagem 01. Lavoura de soja.

Alguns pontos são essenciais quando se pensa na redução de custos de uma safra. Para isso, é preciso saber onde investir menos e como minimizar esses custos, visando um bom retorno financeiro, e a produtividade da lavoura.

A adubação é um dos principais elementos para o aumento da produtividade na cultura da soja, pois contribui para a correção do solo e supre as necessidades nutricionais da planta.

Porém, em anos de crise, é um dos primeiros itens a serem cortados pelo agricultor, que para ter retorno do investimento realizado necessita de uma boa avaliação de adubação, principalmente em momentos como este, de alta nos preços de fertilizantes.

Desta forma, a recomendação para a correção do solo deverá ter como base uma análise minuciosa, que avaliará as reais necessidades de correção de acidez e fertilizante, enquanto que a análise foliar auxiliará no planejamento e na execução do programa de adubação. A construção da fertilidade do solo é demorada, levando mais de uma safra para chegar ao ponto ideal.

Para esse procedimento deverá ser levado em consideração o histórico de análises de solo da área antes da tomada de decisão. O engenheiro agrônomo fará a interpretação das informações da análise de solo e irá identificar a necessidade de nutrientes de cada talhão para atingir os níveis adequados.

Nesta análise será feita uma avaliação completa dos nutrientes: nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio, manganês, ferro, cálcio, enxofre, zinco, boro entre outros. Fósforo, potássio e enxofre são os nutrientes que a soja mais absorve do solo e, portanto, são os que mais precisarão de reposição.

Mobilidade dos nutrientes P, K e N no solo

É importante relembrar a mobilidade dos nutrientes no solo, este processo está relacionando com as cargas de cada elemento e sua relação com os diferentes tipos de solo. Os cátions são macronutrientes como o potássio (K+), o cálcio (Ca++), o magnésio (Mg++) e o nitrogênio (NH4+). Já os ânions são macronutrientes como o nitrogênio (NO3 -), o fósforo (H2PO4-) e o enxofre (SO4=).

O potássio, o cálcio, o magnésio e parte do nitrogênio, comportam-se como cátions nos solos, em geral, possuem saldos de cargas negativas beneficiando a absorção de íons de cargas positivas, por isso, possuem menos problemas de lixiviação ou de deficiência como de alguns ânions em algumas situações particulares. Porém, em solos com baixa CTC, poderá ter problemas com a lixiviação e a perda do potássio no solo, sendo interessante seu parcelamento e uso de forma eficiente.

Outro elemento de extrema importância às plantas é o nitrogênio e suas formas amoniacais, este cátion (NH4+) e como ânion (NO3-, sendo a maior parte encontrada nos solos, mais de 95%), em disponibilidade de ânion este apresenta grande mobilidade e pode ser lixiviado para longe da superfície ou fora da zona de absorção das raízes.

Ressalta-se que, há uma relação forte entre a matéria orgânica do solo e o N disponível para as plantas, sendo que mais de 90% do N do solo está na forma orgânica.

Em geral cerca de 20 a 30 kg de nitrogênio por hectare são liberados para cada 1% de matéria orgânica mineralizada do solo, sua redução e transformação é dependente de microrganismos e este para fixação necessita de coloides, podendo ser lixiviado ou perdido na forma gasosa ou absorvido pelas plantas.

Nitrogênio

O nitrogênio é o elemento mais exigido pela soja. Uma pequena parte deste nutriente vem do solo, entre 25% e 35%, e o restante é obtido através da fixação simbiótica do nitrogênio. Desta forma, é possível perceber a importância da inoculação para obtenção de uma excelente fixação de nitrogênio pela planta através das bactérias nos nódulos da raiz. Para uma fixação simbiótica efetiva, é necessário que seja feita a correção da acidez do solo e o fornecimento de nutrientes.

Fósforo

O fósforo (P) é um dos nutrientes mais restritos à produção agrícola na região do Cerrado devido a sua baixa disponibilidade em condições naturais, porém, o desenvolvimento vegetal está diretamente ligado ao seu fornecimento para a planta. É extremamente importante a utilização de fertilizantes fosfatados para suprir as necessidades da planta.

Potássio

O potássio (K) também possui sua reserva restrita nos casos de culturas sucessivas, e esta ocorrência pode ser diagnosticada visualmente. Quando a análise indicar níveis médios e baixos, haverá a necessidade de correção. As formas mais indicadas para aplicação de potássio são:

• Áreas de abertura: aplicar a lanço e realizar a incorporação com grade niveladora entre 8 e 10 cm preferencialmente junto com a fosfatagem;
• Áreas de plantio direto: aplicação a lanço ou, se possível, com semeadora no espaçamento de 17 a 20 cm, e profundidade de 2 a 3 cm.

Enxofre

O enxofre (S) é essencial à planta. A manutenção de teores adequados de matéria orgânica pode auxiliar no suprimento gradual do enxofre, através da mineralização.

Um ponto a ser observado é a utilização do solo em plantio convencional ou plantio direto que, com pouca palha, terá como efeito a diminuição de matéria orgânica e, se utilizados fertilizantes com baixas concentrações de enxofre, sua disponibilidade será reduzida no solo.

Neste caso, é importante realizar a análise de solo em duas profundidades (0 a 20 cm e 20 a 40 cm), devido a mobilidade deste nutriente no solo e o seu acúmulo na camada de 20 a 40 cm.

Calagem

Existem alguns parâmetros que podem interferir na disponibilidade e retenção de nutrientes, e por isso, devem ser levados em consideração. São eles: o pH, CTC, textura e outros fatores que interferem no desenvolvimento da planta, como o alumínio.

Os solos podem apresentar problemas de acidez sub-superficial, pois dificilmente a aplicação de calcário é feita em profundidades entre 35 e 40 cm, com isso, essas camadas podem continuar com excesso de alumínio tóxico.

Esta situação, associada à baixa capacidade de retenção de água do solo, pode causar reduções de produtividade, principalmente em regiões onde geralmente ocorrem veranicos.

Uma maneira de corrigir essa acidez é utilizando o calcário agrícola de acordo com a análise de solo e realizando o monitoramento ano a ano.

O gesso é utilizado na saturação de alumínio em camadas mais profundas, pois a movimentação do sulfato existente no gesso poderá levar o cálcio a camadas abaixo de 40 cm, o que dará condições para que o sistema radicular possa se aprofundar e suprir necessidades hídricas, minimizando possíveis perdas por veranicos.

É importante ressaltar que o gesso não neutraliza a acidez do solo, apenas diminui a saturação por alumínio.

Conclusões

A adubação está ligada diretamente com a produtividade. Em tempos de crise, uma das alternativas é buscar racionalizar a adubação, mas sem que isso interfira no potencial produtivo da soja, uma vez que a adubação deve ser encarada como um investimento, e é um procedimento necessário para o aumento efetivo de produtividade na cultura da soja.

Não é necessário exagerar na adubação para aumentar a produtividade, mas sim, repor o que a cultura retira (exporta) do solo para os grãos. Com o auxílio de um profissional especializado , o produtor terá respaldo para buscar produtos mais eficazes e técnicas que evitem o desperdício de nutrientes.

Para saber mais, esclarecer suas dúvidas ou deixar suas observações a respeito do tema, utilize o espaço para comentários logo abaixo. Responderemos os seus questionamentos tão logo quanto for possível! Além disso, se tiver algum assunto que você gostaria de ver aqui no blog, deixe a sua sugestão.

por Italo Ricardo Sant ana Gregorin
Engenheiro Agrônomo, formado pela Universidade Brasil (Fernandópolis – SP), com MBA em Agronegócios e Biotecnologia pela Uninter. Atualmente é agrônomo de campo na Corteva Agriscience™.

Publicado em: 03/05/2016
Atualizado em: 30/03/2020​

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  • Comentários (9)

Elder J Bonetti

18/5/2016 8:52:00
Ítalo, qual a sequência correta de tratamento da semente soja? Inoculante / Inseticida / Fungicida. Pergunto isto porque o inoculante é composto de bactérias vivas e estas podem morrer com os tratamentos químicos da semente. Peço esclarecer o que é o recomendado. Gato, Elder.
Italo Gregorin
30/5/2016 10:12:50
Olá, Elder. A sequência correta é utilizar o inoculante por último, porém, o ponto mais importante é a utilização de fungicidas que não causem danos às bactérias contidas no inoculante. Abraço, Ítalo.

CLAUDEMIR JOSE PAGOTO

10/5/2016 23:52:02
Ótimo material. Reforça os pontos na decisão do plantio do agricultor.

José Rafael Soares de Carvalho

10/5/2016 20:09:22
Prezados! Minha dúvida é em cima de fatores que exijam a fosfatagem e potassagem corretiva. Para o Cerrado há parâmetros de Fósforo e Potássio que possam nos indicar a necessidade de correções? No caso do Fósforo se discute quantidades em torno de 5ppm e potássio de aproximadamente 50ppm para que possamos fazer as práticas corretivas sem considerar adubação básica posterior da cultura. Gostaria de saber um ponto de partida em questão de solo e uma matéria mais atualizada sobre níveis de exportação na cultura da soja. Obrigado.
Italo Gregorin
30/5/2016 10:18:10
Olá, José Rafael! A adubação corretiva leva em consideração o histórico da área ao longo dos anos de cultivo, quanto o produtor pretende colher (adubação de extração x exportação) e os níveis presentes no solo com os números indicados pela amostragem do mesmo. Os dados passados na pergunta de 5 ppm de fósforo e 50 ppm de potássio são relativos devido MO presente na área, impedimentos físicos, quantidade de palhada, correções realizados de CTC do solo, etc. Para o Fósforo, trabalhar na linha de plantio devido imobilidade e em quantidade de exportação da cultura e potássio atingir 5% da CTC do solo. Abraço, Ítalo

Rafael Bergamo Dutra

6/5/2016 8:14:50
Bom dia Italo! Como defino a quantidade de inoculante tenho que aplicar. Quantas doses e em quais períodos? Levar em consideração área que nunca foi cultivada com soja.
Italo Gregorin
18/5/2016 17:12:36
Olá Rafael! Segundo a Embrapa, a dose de inoculante deverá ser de 600.000 células/sementes, porém, existem alguns estudos que indicam benéficos com doses de até 1.200.000 células/sementes. E mesmo em áreas novas, utilizar a recomendação. Veja mais informações sobre a utilização e os cuidados que devem ser adotados em: http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/inoculacao.htm

Daniel Engel

4/5/2016 13:44:36
Boa tarde Italo! Como posso definir que será necessário uma adubação complemetar de nitrogênio, quais são as bases de referência para tal.
Italo Gregorin
5/5/2016 13:35:18
Olá, Daniel! Se realizada a inoculação de bactérias nas sementes de soja de forma adequada, isto será o suficiente para que a planta de soja seja suprida por N. A adubação de N na soja via fertilizante químico poderá prejudicar a formação de nódulos nas raízes, o que não é desejável. Por ocasião do início do florescimento, se o produtor quiser fazer uma análise foliar para identificar eventual deficiência de N, este é o caminho, porém, se for oferecida uma boa condição de nodulação das raízes, muito provavelmente não haverá deficiência de N na cultura da soja a ponto de lançar mão de uma adubação foliar contendo este elemento. Abraço, Italo.
     
 

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